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Último campeão da Copa do Brasil com Palmeiras revela bastidores do título e lembra: 'Diziam que o Santos ia nos humilhar'

Último técnico campeão da Copa do Brasil pelo Palmeiras, Marcelo Oliveira não esquece a atmosfera dos duelos contra o Santos, em 2015. Em dois duelos dramáticos e cercados de muitas provocações, o time alviverde venceu o rival nos pênaltis.

"O Santos era apontado por uma parte da imprensa como favorito, mas alguns achavam que o Santos ia humilhar o Palmeiras. Eu achei estranho porque é clássico e chegamos à final. Em momento algum usei isso porque não gosto de usar. É um clássico emocionante e de muita rivalidade", contou o técnico, ao ESPN.com.br.

Na primeira partida, realizada na Vila Belmiro, o Palmeiras perdeu para o Santos por 1 a 0, com gol de Gabigol - que ainda desperdiçou um pênalti neste jogo.

"Eles tinham um time mais ajustado do que o nosso, só ver onde os jogadores deles foram parar. Mas nosso elenco era muito unido. No meu modo de ver, o Santos perdeu a chance na Vila de fazer mais gols. Nós lutamos muito e até tivemos algumas chances", recordou.

No segundo tempo, o atacante Nilson perdeu um gol inacreditável para os santistas quase debaixo das traves, o que deu esperanças ao time alviverde para o duelo da volta, no Allianz Parque.

"Eu tenho certeza que os jogadores pensaram nisso. O Santos estava jogando melhor e tivemos uma expulsão do [lateral do Palmeiras] Lucas no segundo tempo. Eles tiveram aquela chance. Errar um gol é do futebol, mas achei que o Santos achou que poderia vencer o jogo com facilidade. Houve um preciosismo na hora de fazer o gol, apesar de o Nilson ter escorregado. Não souberam aproveitar as chances. Isso ficou na mente: 'Se tivemos essa chance, não vamos deixar escapar'", contou o treinador.

"A primeira fala que tive com os jogadores depois daquela partida ainda no vestiário foi: 'Agora, alguém tem dúvida de que a gente vai ganhar deles lá?’ Todo mundo respondeu que não", contou.

Antes da última partida da final, Alexandre Mattos, então diretor de futebol, levou a equipe alviverde para Atibaia, no interior de São Paulo.

"Ficamos completamente reservados. Pudemos dormir bem e comer bem. Após os treinos, os jogadores ficavam sentados no campo conversando e também após o jantar batendo papo. Foi uma mobilização muito forte", afirmou.

Marcelo Oliveira havia perdido outras três finais de Copa do Brasil anteriormente: duas com o Coritiba (2011 e 2012) e uma com o Cruzeiro (2014). Ele não queria deixar a chance de título escapar outra vez.

"Naturalmente existe uma pressão. Eu fui para cinco finais de Copa do Brasil e toda vez que você chega é uma pressão. O torcedor quer ganhar. Tinha uma pessoa em Minas que falava que eu não era bom em mata-mata. Mas para você chegar a uma final tem que passar por todos os outros mata-matas. Existia uma pressão por isso e também porque tinha vencido dois brasileiros no Cruzeiro e outros estaduais. O investimento da Crefisa estava só começando. Não era um time com o investimento de hoje em dia", contou.

Em uma das maiores festas já vistas na história do Palmeiras, a torcida tomou as ruas nos arredores do Allianz Parque para incentivar o time.

"Até me arrepio só de lembrar. Eu sabia que teria uma recepção da torcida muito boa, mas não esperava que seria daquela forma. Na nossa chegada deram uma incrível demonstração ao time que poderíamos vencer. Foi algo muito difícil de se ver. Aquilo nos deu muita força para o jogo. Nem precisamos de motivação dentro do vestiário porque era capaz de exceder e o jogador entrar com uma pilha excessiva. Aquilo foi suficiente para que os jogadores dessem tudo", afirmou.

Além disso, as provocações ao longo da temporada entre os jogadores foi um combustível para os palmeirenses. Na vitória santista por 2 a 1, na Vila Belmiro, pelo segundo turno do Brasileirão, Ricardo Oliveira provocou o goleiro Fernando Prass com uma careta.

"Nós entramos com muita determinação e sabendo o que precisávamos fazer. Entre os jogadores repercutiu muito a careta que o Ricardo fez. Como se estivesse dizendo ‘nós somos os melhores e faço a gol a hora que quero’. Mas não usei isso em preleção porque não gosto".

O Palmeiras venceu no tempo normal por 2 a 1. Os dois gols do Verdão foram marcados por Dudu, enquanto Ricardo Oliveira descontou para o time da Baixada Santista. Nos pênaltis, o time alviverde venceu após a última cobrança do goleiro Fernando Prass e se sagrou campeão.

"Com menos de 20 segundos a gente teve uma chance de fazer um gol com Gabriel Jesus. Isso nos deu muita confiança Fizemos dois gols que foram trabalhados. Aquela jogada que o Vitor Hugo cabeceava para dentro da área e tentávamos fazer o gol na segunda bola. A gente não merecia nem ir para os pênaltis. A gente merecia vencer no tempo normal mesmo".

Após a conquista do título, os jogadores apareceram no gramado com máscaras de Ricardo Oliveira fazendo careta.

"O título foi importante para minha carreira porque vinha de duas conquistas do Brasileirão pelo Cruzeiro. Me orgulho muito de ter trabalhado no Palmeiras e ter sido campeão. Havia alguma desconfiança de fora do clube. Foi uma experiência única. Poderia ter sido menos dramática, mas foi compensador com o pênalti".

"Vimos a arquibancada explodindo porque o pessoal estava engasgado", finalizou.