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Pelo PSG, Ronaldinho Gaúcho já previu que 'ganharia jogo sozinho' meses antes de ir ao Barcelona e virar lenda

Ronaldinho Gaúcho une as histórias de Barcelona e Paris Saint-Germain, que se enfrentam nesta terça-feira, às 17h (de Brasília), pelas oitavas de final da Champions League. Meses antes de se transferir para o clube espanhol, o craque brasileiro fez uma de suas mais brilhantes partidas pelo time francês

Em março de 2003, o camisa 10 acabou com um clássico válido pela 30ª rodada do Campeonato Francês contra o Olympique de Marselha no estádio Vélodrome, onde o time da capital francesa não vencia desde 1988.

Ao contrário do investimento bilionário de hoje, o PSG vivia uma época de vacas magras. O clima antes do duelo era muito tenso porque o clube da capital tinha vencido o rival no primeiro turno da Ligue One por 3 a 0.

O time de Marselha estava disposto a devolver a derrota e criou um clima de guerra com mais de 55 mil torcedores furiosos. Nada disso, porém, pareceu afetar o brasileiro.

"Teve muito falatório durante a semana. Chegando ao estádio, lembro que o Ronaldinho disse antes de a gente descer do ônibus: Ô PC, hoje eu ganho o jogo sozinho'. Ainda brinquei: 'Então posso até ficar no ônibus' (risos). Ele respondeu: ‘Você vai ver’", contou Paulo César, ex-lateral do PSG, ao ESPN.com.br.

O "Bruxo" demorou um pouco para cumprir a profecia. Aos 27 minutos primeiro tempo, Leroy abriu o placar para o PSG com um chute que pegou o goleiro Vedran Runje completamente desprevenido.

Na segunda etapa, o camisa 10 resolveu aparecer para o jogo.

Paulo César viu que não era uma boa ideia duvidar do colega de equipe...

"Ele destruiu no jogo, e nós vencemos por 3 a 0 com um show do Ronaldinho. Ele fez coisas que não imaginávamos. O zagueiro deles era o Franck Leboeuf [campeão mundial pela França em 98], que foi dar um passe no meio de campo e errou. Ele correu atrás do Ronaldinho o campo todo até sair o gol de cavadinha (risos)", recordou.

Aos 43, Ronaldinho participou do terceiro gol após uma linda jogada de contra-ataque pela direita.

"Em outro gol, ele ganhou na corrida, driblou o goleiro e ainda esperou o adversário dar um carrinho para tentar tirar a bola antes de chutar [Leroy completou para as redes em cima da linha]. Esses lances marcaram muito na França por ser um clássico. Foi um puta jogão", contou Paulo César.

Nas imagens da festa após a vitória, Ronaldinho é abraçado ainda no gramado pelo zagueiro argentino Mauricio Pochettino, atual técnico do PSG.

No final da temporada 2002/2003, o brasileiro esteve perto de mudar-se para o Manchester United, mas foi contratado pelo Barcelona e mudou a história do futebol mundial.

"Eu vi quando o Barcelona veio atrás dele por um bom tempo. Saiu o [treinador] Luis Fernandez e chegou outro técnico, que teve uma conversa com o Ronaldinho, mas a gente já sabia que ele ia sair porque não tinha como segurá-lo", contou Paulo.

Na Catalunha, o brasileiro foi eleito duas vezes o melhor jogador do mundo, venceu vários títulos, incluindo LaLiga e Champions League, além de ter sido um mentor para o jovem Lionel Messi.

"No PSG, o Ronaldinho não foi tão eficiente como foi no Barcelona mesmo tendo feito jogos importantes, mas era um futebol mais show, um espetáculo! Todo mundo quando o via jogando já imaginava uma jogada ou um drible bonito. No Barcelona, ele colocou a eficiência e o espetáculo juntos e virou o melhor jogador do mundo", finalizou.