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Santos: Luan Peres revela os bastidores de 'fico' para encarar o Boca Juniors na Libertadores

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Antes de Santos x Boca Juniors, Cuca alerta: 'Vai sofrer, passar sufoco' (1:05)

Treinador afirmou que não se pode esperar um jogo fácil na Vila Belmiro (1:05)

Para avançar à decisão da Conmebol Libertadores, o Santos precisa de um ótimo trabalho defensivo de Luan Peres para eliminar o Boca Juniors. No jogo de ida, disputado em La Bombonera, em Buenos Aires, terminou empatado em 0 a 0.

A partida de volta, que será realizada na Vila Belmiro, às 19h15 (de Brasília), terá transmissão ao vivo do FOX Sports e acompanhamento em tempo real, com vídeos de lances e gols, do ESPN.com.br.

Antes disso, o zagueiro canhoto viveu momentos de apreensão. Como seu contrato de empréstimo ia somente até 31 de dezembro de 2020, ele não sabia se poderia jogar a fase final da competição continental ou se teria que voltar ao Club Brugge, da Bélgica.

Para a felicidade do Santos e do jogador, o vínculo foi estendido e com a possibilidade de compra dos direitos.

"Foi bem complicada essa parte porque foi resolvida no último dia. Não tínhamos uma definição antes. Estava ansioso e tive até umas discussões em casa porque precisava resolver as coisas, mas deu tudo certo. Já sabemos o que vai acontecer e fico ainda mais tranquilo para trabalhar. O Santos colocou que se passar pelo Boca eu fico em definitivo, mas se não passar vamos conversar para ver o que irá acontecer", disse, ao ESPN.com.br.

Depois de uma novela com muitos capítulos e um pedido de Cuca, Walter Schalka, membro do Comitê de Gestão do presidente Andres Rueda, conseguiu bater o martelo.

"O Cuca conversa muito com a gente e é um treinador fora da curva. Te incentiva, te dá confiança e ganha o grupo nas palavras. Ele foi fundamental para que eu permanecesse no Santos porque falava comigo, com meu empresário [Fábio Baitler, da FJB Sports] e cobrava a diretoria do Santos. Ele foi fundamental nisso. Tentou falar com o presidente por telefone., foi um cara que ajudou demais. Fico feliz por ele ter essa confiança em mim", contou.

Da Lusa à Champions

Luan começou no futsal da Portuguesa aos sete anos e fez toda a base no futebol de campo até os 17 anos, quando foi dispensado pelo clube rubro-verde. Em seguida, ficou três meses no Juventus-SP até ser convidado para retornar à Lusa.

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Ansioso pro campeonato começar! #SomosTodosLusa

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"No começo eu estava em dúvida e pensei muito, mas voltei e foi a melhor escolha. A comissão técnica que tinha me mandado embora tinha saído e os diretores gostavam de mim e acreditavam no meu potencial", afirmou.

Assim que voltou, ele mudou de lateral-esquerdo para zagueiro e viu a carreira deslanchar. O jovem jogou pelo profissional e defendeu Santa Cruz e Red Bull antes de se destacar pela Ponte Preta.

Em 2018, o defensor transferiu-se para o Fluminense após um convite feito pelo treinador Abel Braga. Com apenas oito jogos no time das Laranjeiras, foi vendido para o Club Brugge, da Bélgica, após jogar contra o Flamengo.

"O pessoal me tratou muito bem desde a minha chegada tanto os belgas quanto os estrangeiros. Fiquei muito amigo do Wesley Moraes, que me ajudou muito, mas a minha chegada não foi fácil. Eles têm uma metodologia de trabalho bem diferente e demorei para me adaptar. Isso me prejudicou um pouco e tive um desgaste", contou.

Os idiomas falados na Bélgica - Holandês, Francês e Alemão - complicaram a vida do zagueiro, que se virava bem com o inglês para se comunicar com os colegas e o treinador no Brugge. Apesar de ter feito apenas seis jogos oficiais pelo Brugge, Luan entrou em campo no segundo tempo no empate sem gols contra o Atlético de Madrid, válido pela fase de grupos da Champions League.

"Isso foi a realização para mim. Fiquei com frio na barriga, mas fizemos um grande jogo", recordou.

Ida ao Santos

O Brugge foi vice-campeão belga, atrás do Racing Genk. Na temporada seguinte, ele não estava jogando e resolveu sair do clube.

"Foi uma experiência dividida porque tiveram partes muito boas e outras negativas, que me fizeram buscar o empréstimo ao Santos. Eu tive a chance de ir para outros times no Brasil, mas não deu certo. Quando veio a proposta do Santos eu falei que queria ir, bati o pé e não queria mais ficar lá. Eles chegaram num acordo e me liberaram. Foi uma escolha muito boa".

O defensor chegou ao time santista, comandado por Jorge Sampaoli, para ser reserva de Lucas Veríssimo e Gustavo Henrique, mas entrou em campo nove vezes na campanha que terminou com o vice-campeonato do Brasileiro.

"Sabia que iria chegar num time grande com ótimos zagueiros e fui buscando meu espaço tanto como lateral-esquerdo quanto como zagueiro. Joguei bastante. Fizemos o Brasileiro muito bem, mas o Flamengo teve uma pontuação fora do comum".

Com a saída de Gustavo Henrique, Luan virou dono da posição em 2020, ano em que precisou ficar um bom tempo em casa por causa da pandemia de coronavírus.

"Lembro que depois do primeiro mês eu comecei a treinar com um preparador físico ou com a minha namorada em casa. Me virei e foi uma experiência bem diferente. Quando voltamos com os jogos sem torcida foi bem estranho no começo, mas depois nos acostumamos. Quando a torcida voltar vamos ter que nos acostumar de novo (risos)".

Sonho do título

Contrariando todas as expectativas, o Santos chegou à semifinal contra o Boca Juniors.

"Nós víamos na imprensa que algumas pessoas duvidavam da gente e nos colocavam na briga contra o rebaixamento antes de o Brasileirão começar. O Cuca falou para mostrarmos que eles estavam errados e que tínhamos time para brigar lá em cima. A gente estava em três competições e, com elenco menor e sem poder contratar, era complicado se manter na briga em todas elas. Focamos de vez na Libertadores, onde ninguém acreditava, mas sempre acreditávamos no nosso potencial. Estamos calando a boca de muita gente e ninguém duvida do que temos para mostrar", falou.

Depois de 47 jogos na temporadas, Luan viverá o maior jogo de sua carreira. Apesar do bom resultado conquistado na Argentina, ele sabe que não terá vida fácil em Santos.

"A Bombonera é um dos estádios que tem uma aura que fala por si só. Foi uma experiência fantástica jogar lá e sair com um empate. Talvez com a torcida poderia ter complicado um pouco mais, não sabemos. Fizemos um grande jogo. O estádio lotado deve ser um caldeirão difícil de aguentar. Esperamos repetir o que fizemos com o Grêmio para irmos à final. Nosso clima é muito bom e temos tudo para buscar essa vaga", finalizou.