Tricampeão da Conmebol Libertadores pelo Boca Juniors (2000, 2001 e 2007), o ex-meia Juan Román Riquelme vem desempenhando, desde o início do ano, uma nova função na equipe que o revelou ao futebol. Com a vitória de Jorge Amor Ameal nas eleições no fim de 2019, o antigo camisa 10 xeneize agora é vice-presidente do clube argentino.
Companheiro de Riquelme durante três anos no Villarreal, o ex-meio-campista Marcos Senna, campeão da Euro 2008 com a seleção espanhola, concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br e lembrou do convívio com o argentino. E segundo o brasileiro naturalizado espanhol, sua genialidade dentro dos gramados também escondia um lado mais fechado do ex-jogador.
“Com o Riquelme, a minha relação é pouca. Na verdade, nos três anos em que estivemos juntos, o maior bate-papo que tive com ele foi depois que eu tinha pré-aposentado e ele também. Encontrei com ele aqui, a gente conversou 10, 15 minutos, o que já é muito ter esse tipo de papo com o Riquelme. Por que? Pelo caráter dele, não é uma pessoa muito próxima, é mais distante, mas não é de mim, é no geral. O convívio com ele durante os três anos era isso, distantes, não era comigo, era pela maioria, pelo caráter. Futebolisticamente falando, foi ótimo porque nos ajudou muito, aprendi muito com ele também, chegamos a uma semifinal de Champions, fizemos um Espanhol maravilhoso e foi uma experiência muito positiva ter jogado com dele durante três anos” , revelou Senna.
Em relação à carreira de Riquelme como dirigente, o ex-Corinthians e Villarreal também opinou sobre o que espera o argentino num dos maiores clubes do futebol mundial. E para Marcos Senna, o fato de o hoje vice-presidente do Boca Juniors ter tido vasta experiência dentro dos gramados pode ajudá-lo na nova função.
“Campo é uma coisa, gestão é outra, não sei como ele se preparou para isso, provavelmente deve ter se preparado, tem uma vantagem de ter sido jogador. A parte prática ele sabe, agora vem a teórica. Vamos esperar para ver se essa teórica vai bem, vamos ver quando acabam os campeonatos, se passam os anos, vamos ver se ele será esse Riquelme que era em campo agora como gestor”, prosseguiu.
Por último, questionado se Riquelme teria espaço na seleção brasileira, caso tivesse nascido no Brasil, Senna revelou que o argentino foi um dos grandes talentos com quem teve a oportunidade de jogar ao lado.
“Acho que sim (teria espaço na Seleção Brasileira), o Riquelme foi um dos grandes talentos que eu vi jogar com a camisa 10, ele jogava com a 8, mas era o típico meio-campo que marcou. É o tipo do jogador que vai ser lembrado para a história do futebol e isso é para poucos, mundialmente. Então eu acredito que, se ele fosse brasileiro, é o tipo de jogador que os torcedores iriam querer ver atuando com a seleção brasileira”, finalizou.
Após eliminar o Internacional nas oitavas da Libertadores, na última semana, o Boca entra em campo nesta quarta (16), no El Cilindro, em clássico argentino contra o Racing pelo jogo de ida das quartas de final da competição continental.
