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Orlando Duarte, a 'Enciclopédia do Esporte', morre aos 88 anos vítima de COVID-19

A palavra “enciclopédia” podia até não estar presente na capa dos tantos livros que Orlando Duarte publicou ao longo da carreira, mas casava perfeitamente com o trabalho do jornalista esportivo, que tinha 88 anos e dedicou mais de 50 à profissão nas mídias impressa, radiofônica e televisiva, fosse como repórter, comentarista ou chefe de redação.

Mas o homem de tantas histórias não resistiu. Diagnosticado com COVID-19, morreu na manhã desta terça-feira (15), em São Paulo.

Duarte estava internado há cerca de três semanas, segundo o jornalista Milton Neves. Há pouco mais de um ano, ele lutava contra uma outra doença: o Mal de Alzheimer. Foi quando se afastou definitivamente da mídia, cuidando da saúde ao lado da mulher Conceição.

"Orlando foi bravo, foi um lutador, foi forte demais e morreu à revelia. Ele não queria morrer. De um tempo para cá, ele foi fazer alguns exames e pegou COVID-19. Ele foi muito bem cuidado e foi um gigante, ainda mais nessa hora e morreu com classe. Não reclamava de nada. Não achava nada ruim", disse Conceição, viúva do jornalista, especialmente para a ESPN Brasil.

Natural de Rancharia, interior de São Paulo, Duarte construiu uma carreira bastante sólida como comunicador. Foi repórter, locutor, comentarista, cronista, escritor e executivo de grandes empresas da comunicação. Para muitos, o verdadeiro pai da memória do esporte brasileiro.

Trabalhou nos jornais “A Gazeta Esportiva”, “A Gazeta”, “Mundo Esportivo”, “A Gazeta Esportiva Ilustrada”, “O Tempo”, “Última Hora” e “Diário da Noite”. Foi comentaristas esportivo nas rádios Bandeirantes, Jovem Pan, Trianon e Gazeta. Desempenhou a mesma tarefa em canais de televisão, como a TV Cultura, Jovem Pan UHF, SBT, Globo, Bandeirantes e Gazeta.

Foram mais de 30 livros publicados por ele, obras que tornaram-se brigatórias dentro de redações esportivas e faculdades de jornalismo. Fazem parte da lista de Orlando Duarte biografias de personalidades do esporte, enciclopédias das Copas do Mundo e das Olimpíadas, histórias de equipes como Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo e até a Portuguesa, clube pelo qual nutria verdadeira paixão.

O jornalista Joseval Peixoto e o próprio Milton Neves chamavam Orlando Duarte de “O Eclético”. Apelido justo para um homem que cobriu 14 edições da Copa do Mundo e dez Olimpíadas.

Das passagens que poucos sabem, ele era um dos jornalistas que mais acompanhou o Santos de Pelé. Esteve presente, como correspondente de "A Gazeta Esportiva" em diversas excursões do time para a Europa, África, América Central, do Norte e do Sul durante a década de 1960.

Muitas das histórias que se perpetuaram daquele esquadrão saíram dos relatos do jornalista. Ele tinha orgulho em dizer que era herdeiro de Thomaz Mazzoni, o primeiro grande jornalista esportivo do Brasil, responsável pelos registros dos primórdios do esporte no país.

Orlando Duarte se despede deixando a mulher Conceição, seis filhos e seis netos.

“Como diz Roberto Carlos: ‘São tantas emoções’.. Eu vivi a maior parte de minha vida, nos campos esportivos. Eu amo o esporte. Fiz Olimpíada, Copa do Mundo, torneio de tênis, boxe, automobilismo, enfim, tudo, porque sempre vivi o esporte. Para mim, esporte é uma coisa linda, onde o homem ou a mulher coloca toda a sua força pelo resultado. Os dramas, os choros, as alegrias, tudo isso é muito bonito no esporte. O esporte é para sociólogos, psicólogos, jornalistas e para todo o mundo. Porque é sempre um desafio, você não sabe nunca o que pode acontecer numa partida de qualquer esporte”, disse Orlando Duarte, em entrevista ao site “Literatura na Arquibancada”, em 2012.