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Santos x Grêmio: Vanderlei já sofreu dois anos com desemprego, piada em treino e dormiu no chão antes de jogar a Libertadores

Titular do Grêmio desde o começo do ano, Vanderlei teve uma passagem marcante de cinco temporadas pelo Santos, adversário nesta quarta-feira na Vila Belmiro, pelas quartas de final da Conmebol Libertadores. Na partida de ida, as equipes empataram em 1 a 1.

O jogo, que será realizado às 19h15 (de Brasília), terá transmissão ao vivo do FOX Sports e acompanhamento em tempo real, com vídeos de lances e gols, do ESPN.com.br.

Antes de ter uma carreira consolidada, porém, o goleiro de 36 anos não teve um começo dos mais fáceis. Formado nas categorias de base do Londrina, ele foi mandado embora do clube paranaense quando tinha apenas 19 anos.

"Eu estava naquela transição da base ao profissional, mas não cheguei a jogar no time principal. Tínhamos vários goleiros da mesma idade e quase do mesmo nível. Como os outros eram da cidade e eu ia ter que morar no alojamento eles me dispensaram", disse o arqueiro, ao ESPN.com.br, em 2017.

Desempregado, Vanderlei voltou para Porecatu (PR), sua cidade natal, e passou a se exercitar sozinho para manter a forma.

"Eu precisava treinar, ficava mandando currículo para lá e para cá, mas nada acontecia. Eu jogava no amador e nas peladinhas que me chamavam. Eu passava para treinar de manhãzinha às seis e meia naquele calor e o pessoal zoava: ‘Vai trabalhar vagabundo! Vai arrumar emprego e larga esse tal de futebol (risos)’. Mas quando a gente tem um sonho precisa perseverar e acreditar para dar certo", afirmou.

A espera de Vanderlei durou praticamente dois anos até que surgisse uma nova oportunidade.

"Tinha um grande amigo meu chamado Nei que me ajudou muito. Ele me dava chuteiras e luvas porque eu não tinha condições de comprar. Ele mandou meu currículo para a Paraguaçuense na última divisão do Campeonato Paulista (4ª Divisão). Eu fui treinar por lá. É raro acontecer isso porque se recolocar depois de tanto tempo é muito difícil", analisou.

As condições da equipe de Paraguaçu Paulista, porém, não eram as ideais.

"Fiquei um mês e meio dormindo no chão. Não tinha alojamento, era uma casa só e não tinha estrutura. Acabei não sendo inscrito porque o clube não tinha dinheiro para me transferir da federação paranaense para a paulista. Eles também não me pagaram, não recebi um real", lamentou.

Ascensão no Paranavaí

Vanderlei voltou a treinar sozinho, mas não por muito tempo. Ele recebeu uma ligação de um ex-colega de trabalho que mudou sua vida.

"O treinador de goleiros do Paraguaçuense foi para o Olímpia-SP e me convidou para jogar por lá. Cheguei lá como terceira opção, mas o titular se machucou e o segundo não foi tão bem", recordou.

"Como era muito novo não queriam que eu jogasse, mas o treinador me bancou. Eu entrei e logo no segundo jogo eu fui o melhor em campo e até peguei pênalti. Depois, não saí mais", recordou.

Após jogar a Série A2 do Paulista de 2005 e 2006, além da Copa Paulista, ele foi levado pelo técnico Ivo Secchi ao Paranavaí-PR.

Em 2007, o goleiro foi um dos grandes destaques da equipe comandada por Amauri Knevitz, que conquistou o Paranaense em cima do Paraná Clube.

O atacante que virou goleiro

Apesar da carreira consolidada debaixo das traves, Vanderlei pensou em jogar em outra posição. Nas partidas com os amigos durante a adolescência, ele alternava entre atacante e goleiro.

"Como todo jogador eu comecei na frente e depois fui lá pra trás. Só que eu fui me destacando no gol com 12 ou 13 anos no meio dos adultos no amador. Eu já era bem alto e ver um goleiro tão novo era bem raro. Vi que tinha jeito para isso e dei sequência", relatou.

Enquanto jogou na várzea, Vanderlei fez diversos testes em clubes, mas sem sucesso. A primeira chance apareceu no Atlético Londrinense. Logo em seguida, ele foi ao Londrina, no qual finalizou a base.

Após ser dispensado do time paranaense e ficar dois anos parado, ele passou por Olímpia-SP e Paranavaí-PR antes de chegar ao Coritiba, em 2007.

Depois de quase oito temporadas no Alto da Glória, o arqueiro chegou ao Santos, em 2015. Após quatro temporadas como titular e destaque da equipe, com dois títulos do Paulista e os vices da Copa do Brasil e do Brasileiro, ele perdeu espaço com a chegada do técnico Jorge Sampaoli, que contratou o goleiro Éverson porque queria um goleiro que jogasse bem com os pés.

Insatisfeito com a reserva, ele foi para o Grêmio em 2020, no qual já fez 46 jogos e venceu o Estadual.