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Maradona e Boca Juniors, uma história de amor

Diego Maradona morreu nesta quarta-feira (25) após uma parada cardiorespiratória em sua casa aonde estava realizando sua recuperação de uma cirurgia. Lembraremos sua inigualável carreira, que teve vários passos chave pelo Boca Juniors, o clube de seus amores, aonde viveu bons e maus momentos.

Maradona no Boca

Em 1981, Maradona era o jogador mais disputado do mundo. Pretendido pelos grandes da Europa, foi o Boca o clube que teve o gosto de tê-lo, antes da saída ao Barcelona. Pelusa vinha demonstrando desde 1976 no Argentinos Juniors, o clube que o viu nascer, que era um fora de série.

E algo habitual naquela época, mas impossível de se pensar na atualidade, o jogador pôde jogar na humilde instituição de La Paternal por cinco anos. No começo parecia que o destino de Diego seria o River: o clube de Núñez estava melhor economicamente que o rival, mas o desejo do 10 de jogar pelos xeneizes foi mais forte.

Estreou no Boca em 22 de fevereiro de 1981 diante do Talleres de Córdoba, o mesmo rival que havia dado os primeiros passos jogando pelo Argentinos. Em uma Bombonera cheia, como em todos esses dias especiais, que fazem história, Maradona entrou em campo para sua primeira partida oficial vestindo azul e ouro.

Foi uma vitória dos mandantes por 4 a 1, e Maradona fez dois gols. Diego formou uma dupla inesquecível com Miguel Angel Brindisi e mostrou seu talento desde o primeiro dia, apesar de ter chegado com problemas musculares. Uma pequena lesão o deixou fora dos gramados por um tempo curto, mas voltou da melhor maneira, em um Superclássico com o River. Em uma das imagens mais recordadas de sua primeira passagem, seu gol na vitória por 3 a 0 ficou para a história quando o 10 enganou Fillol e deixou Tarantini caído sobre a linha para fazer um golaço.

O campo enlamaçado, o 10 correndo para comemorar com sua gente e o fotógrafo que tropeçou e caiu em sua frente, em desespero para capturar esse momento mágico, formam parte de um momento inesquecível.

O que se passou até o título não foi fácil, já que o Ferro Carril Oeste deu aos xeneizes uma briga até o final. Em uma partida decisiva diante da equipe de Carlos Timoteo Griguol, Diego deu um passe extraordinário para o 1 a 0 de Perrotti, que encaminhou a equipe ao título que não vinha desde 1976.

Na penúltima rodada diante do Central, em Rosário, Pelusa falhou um pênalti e adiou a decisão para a última rodada, aonde marcou diante do Racing no 1-1, que garantiu o título. A despedida do Boca foi no começo de 1982, deixando com saldo 40 partidas jogadas e 28 gols.

Uma volta polêmica e a despedida

O retorno iria acontecer muitos anos depois. Após a suspensão por doping no Mundial de 1994 nos Estados Unidos, acertou a volta ao clube de seus amores: em 30 de setembro de 1995, em um amistoso diante da Coréia do Sul em Seul, o 10 voltou a vestir a camisa xeneize. O Apertura de 1995 teve Diego de volta aos campos argentinos e novamente Silvio Marzolini no banco como treinador. Os êxitos, porém, não estariam presentes desta vez.

Esse título quem venceu foi o imparável Vélez de Carlos Bianchi. A história, logo após o triunfo de Mauricio Macri como presidente do Boca, faria Diego reencontrar dois velhos conhecidos meses mais tarde: Carlos Bilardo como treinador e Claudio Caniggia como dupla de ataque, assim como nos tempos de seleção. Com o Narigón, a equipe disputou o título até o final, mas não pôde ganhá-lo.

Depois da saída de Bilardo, chegou a vez de Bambino Veira. Maradona, que uns meses antes havia decidido largar o futebol e entrar em um tratamento para sua dependência química, assinou um novo contrato com o Boca em abril de 1997. Foram momentos polêmicos, como outro doping depois de uma partida com o Argentinos Juniors e uma medida cautelar de um juiz que lhe deixou continuar jogando até que a contraprova desse positiva.

Em meio a tantos escândalos, finalmente, Diego se aposentaria dentro dos gramados: nada menos que diante do River, no Monumental, em uma vitória por 2 a 1. Nessa partida, que ficou marcada pelo abraço em Enzo Francescoli, o jogador que entraria no lugar de Diego seria um jovem chamado Juan Román Riquelme.

Já não vestiria mais a camisa de seu querido clube até a emotiva despedida na Bombonera, anos mais tarde. Voltaria a estar no campo como torcedor e nos bastidores como manager do clube. Quando assumiu essa função em 2005, usou a inteligência que tinha dentro de campo para colocar os olhos em Alfio Basile. El Coco foi chave para que o Boca, em pouco tempo, recuperasse a glória e vencesse cinco títulos com o novo técnico.