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Por que Grêmio decolou sem Luan, mas Luan não decolou longe do ex-time no Corinthians?

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Era para ser um conto de fadas. Mas até agora, a história de Luan no Corinthians não teve muito encantamento.

O meia-atacante de 27 anos, melhor jogador da Copa Libertadores de 2017, pelo Grêmio, corintiano de nascença, chegou ao Parque São Jorge a preço de ouro para realizar um sonho em 2020.

Só que até agora, o ano do Alvinegro vem sendo um pesadelo. No qual o camisa 7 tem conseguido interferir muito pouco.

O corintiano mais supersticioso deseja que essa maré comece a virar neste domingo (22), justamente quando Luan voltará a encarar seu “ex”, às 20h30, na Neo Química Arena, pelo Campeonato Brasileiro.

No primeiro reencontro, Luan foi discreto no empate em 0 a 0, em 15 de agosto. E o Grêmio não mostrou sentir qualquer falta do jogador.

Começou voando

A estreia de Luan na Florida Cup, em janeiro, foi promissora. Um gol logo aos 10 minutos de jogo, cobrando falta. Aos 30, ele fez o segundo da vitória por 2 a 1 sobre o New York City.

Mas talvez, tristemente, tenha sido esse o ponto alto do jogador pelo Timão até agora.

Pela primeira fase da Libertadores, até fez um gol, mas não impediu a desclassificação ante o Guaraní do Paraguai.

Na campanha do vice-campeonato Paulista, nem sempre foi titular e mostrou baixa intensidade em muitos momentos.

No Brasileiro, até agora, entrou em campo 14 vezes, somando um gol e uma assistência.

Desde a chegada de Vágner Mancini, engatou uma sequência de partidas como titular - foi banco apenas na estreia do treinador, contra o Furacão, fora de casa - 1 a 0.

Mas Luan não engrena.

Para Renato Rodrigues, comentarista dos canais ESPN, o problema não é tático e nem necessariamente de Luan.

“O posicionamento dele no Corinthians é parecido com o da época de Grêmio. Ele sempre joga atrás dos atacantes”, explica.

“O que acontecia de diferente no Grêmio é que o time jogava com dois pontas que davam suporte para ele, que até foi falso 9 em alguns jogos”, diz.

“No Corinthians, ele não tem esses pontas que o auxiliam. Quer dizer, até tem, mas não com a qualidade necessária”, pondera.

Três assistências

Luan soma apenas três passes para gol no ano, ficando muito atrás de Fagner (8) entre os jogadores do Corinthians.

De acordo com dados do Truemedia, software de análise de desempenho e estatística exclusivo da ESPN, o meia tem índice de acerto de passe até bom, acima de 80%.

Mas na hora de bater a gol, decepciona. Dos 58 chutes que tentou, apenas 14, menos de 25%, acertaram a meta.

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Os quatro gols que fez no ano pelo Timão o colocam atrás de Boselli (6), quase sempre reserva, na comparação.

Parece até que o Luan do Grêmio era outro jogador. Pelo menos o dos primeiros anos como profissional.

Sem saudade

Luan joga campeonatos brasileiros pelo Grêmio desde 2014, quando foi promovido dos juniores do Tricolor. Mas já vinha mostrando uma queda de rendimento e perdendo muitos jogos por lesão.

E talvez isso explique porque a sua saída não foi tão sentida. A verdade é que Luan já vinha ausente de muitos jogos, e Renato teve de encontrar alternativas ao longo das temporadas.

Seu melhor ano pelo clube em números foi em 2017, quando somou 15 gols e 7 assistências - excluindo o Gauchão - no ano em que seu time conquistou a América.

Mas já naquela época, Luan sofria com uma inflamação crônica na planta da pé, uma fascite plantar que o fez perder compromissos do time com certa regularidade.

Em 2017, atuou em 20 dos 38 jogos do time na Série A. Tanto no fim de 2018, quanto no fim de 2019, o jogador terminou a temporada fora de combate.

Duas temporadas atrás, perdeu 20 dos 38 jogos do Grêmio no Brasileirão. Na última temporada, em que teve uma fratura por estresse no pé direito, ficou ausente de 18. Perdeu inclusive a reta final da Libertadores.

Por essa razão, apesar da importância do atleta, que fez quatro gols e seis assistências no Nacional, o técnico Renato Gaúcho não se importou tanto em negociar o meia com o Corinthians.