Carpini detona falta de paciência com novos técnicos brasileiros e critica 'proteção' aos estrangeiros 'supervalorizados'

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Carpini vê treinadores estrangeiros 'supervalorizados' no Brasil, cita exceções e desabafa após derrota do Fortaleza (1:39)

Comandante do Fortaleza e considerado um dos principais técnicos brasileiros da nova geração, Thiago Carpini desabafou, em entrevista à ESPN, ao falar sobre a mudança de cenário no futebol de clubes do Brasil, que passaram a contar, cada vez mais, com treinadores estrangeiros.

Ao ser questionado sobre como enxerga essa valorização de técnicos de outros países, Carpini fez uma "mea culpa", mas criticou a falta de paciência com profissionais brasileiros e a proteção que determinados treinadores estrangeiros recebem.

"Eu acho o que se deve a essa mudança é um pouco da culpa da nossa classe. Em algum momento perdemos o tempo de algumas mudanças do futebol e procurar se modernizar um pouco mais. É necessário. As coisas mudam o tempo todo, não só o futebol. Daqui 10 anos pode ser que seja outro futebol e eu também vou precisar acompanhar essa evolução. Então acho que a gente tem um pouco de culpa nisso. Não sou contra a chegada de estrangeiros. Acho que todo profissional qualificado é bem-vindo", disse, em entrevista após derrota por 1 a 0 para o Athletic, na 11ª rodada da Série B.

Carpini cita três estrangeiros com trabalhos que "merecem destaque": Abel Ferrreira, no Palmeiras, Juan Pablo Vojvoda, no Fortaleza, e Jorge Jesus, no Flamengo. Os demais, sem citar nomes, são "supervalorizados" na visão do comandante do Leão.

"A única coisa que me incomoda é a super valorização dos estrangeiros com pouco resultado. Se você tirar o trabalho do Vojvoda no Fortaleza, do Abel no Palmeiras, do Jorge Jesus no Flamengo, são trabalhos que merecem destaque. Não vou citar os que não merecem, não vem ao caso, mas acho que são supervalorizados, as vezes super protegidos em alguns momentos, não só por contratos, mas por todo contexto, porque todo mundo tem culpa nisso. Então acho que esse é o equilíbrio. Essa paciência com o treinador brasileiro", analisou.

O treinador do Fortaleza cita dois jovens treinadores para falar sobre a qualidade dos profissionais brasileiros: Rafael Guanaes, técnico do Mirassol, classificado às oitavas de final da CONMEBOL Libertadores, e Alex, ex-meia que comanda o Athletic na parte de cima da tabela da Série B.

"Tem muito jovem bom por aí, olha o trabalho que faz o Guanaes no Mirassol, o próprio Alex, são tantos treinadores bons dessa nova geração. Agora precisamos dar oportunidades a eles, assim como damos para os estrangeiros, mas as vezes tem coisas que pesam um pouco diferente, essa onde de estrangeiros. Acho que tem lugar para todo mundo. As pessoas competentes se estabelecem", finalizou.

Desde que foi campeão da Supercopa do Brasil com o São Paulo, na temporada de 2024, Carpini passou pelo Vitória, Juventude e Fortaleza. Já são 32 jogos comandados no Leão do Pici, com 18 vitórias, 10 empates e quatro derrotas.

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