Após vencer a Venezuela na última sexta-feira (13), a Seleção Brasileira se manteve na liderança das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo e, nesta terça-feira (17), tem compromisso contra o Uruguai, no Estádio Centenário, em Montevidéu. A partida é válida pela quarta rodada da classificatória.
E quem opinou sobre o atual momento vivido pelo grupo comandado por Tite foi o ex-atacante do Liverpool e seleção inglesa John Barnes. Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o ex-jogadore falou dos desafios que o técnico brasileiro terá com a Amarelinha, principalmente no que diz respeito à disputa da próxima Copa do Mundo, em 2022 no Catar.
Para Barnes, Tite terá sucesso na disputa do seu segundo mundial à frente da seleção se, antes de chegar até lá, conseguir colocar algumas coisas em prática, o que inclui encontrar o equilíbrio no time e ter pulso forte para conseguir administrar os seus principais jogadores, entre eles Neymar, que foi cortado das partidas contra a Venezuela e Uruguai por conta de uma lesão, mas segue como o principal nome do Brasil.
“Todos os técnicos brasileiros são bons tecnicamente, mas precisam de alguém forte que os ajudem a ter disciplina, é disso que precisam. Quando chegaram na final da Copa do Mundo da França (1998), tinham Dunga, Mauro Silva, que não eram jogadores como Zico, mas foram para a final porque eram fortes. E o técnico disse: é disso que precisamos, de um Dunga. Técnicos assim gostavam de jogadores desse estilo. Se você tem um técnico forte, que pode dar conta dos Neymares do time, que não dirá que Neymar pode fazer o que quer e dirá que ele tem que jogar pelo time. Se você tem um técnico forte, é aí que o Brasil irá bem. Se você tem os jogadores, organização, com disciplina e humildade. Porque, no passado, na última Copa do Mundo, foi como: ‘vamos jogar o nosso futebol bonito de novo’. Sim, se pode jogar um jogo bonito e forte, assim quando tinham Romário, Ronaldo, Dunga e tinham equilíbrio. Em certo momento, voltaram atrás e disseram: vamos jogar o futebol charmoso. E isso não vai funcionar. Se Tite for muito forte com todos, conseguir administrar Neymar”, começou por dizer.
“Fui ver uma partida do Brasil contra a Argentina, no Emirates Stadium, há uns quatro anos atrás. E o Neymar era a super estrela, ele pegava a bola com o goleiro, pegava a bola na lateral-direita, na ponta esquerda, centroavante, fazia o que queria. E você não pode ter isso”, prosseguiu.
Em relação ao camisa 10 do Paris Saint-Germain e seleção brasileira, Barnes acredita que Neymar precisa ter mais humildade para com os seus companheiros de time, uma vez que, na sua visão, o ex-Santos e Barcelona ‘joga para si mesmo’ na Amarelinha. O ex-atacante inglês ainda fez questão de frisar que, tecnicamente, ele é o melhor jogador do mundo e ainda tem condições de ser oficialmente proclamado como tal.
“Neymar pode ser o melhor jogador do mundo. Sem dúvidas, com Cristiano Ronaldo e Messi com a idade que eles estão...acho que o Neymar, quando estava no Barcelona, e tinha que atuar ao lado de Messi, foi fantástico porque jogava na sua posição. Quando vai para outro clube (PSG), o foco todo é dele, faz coisas demais. Potencialmente, ele é o melhor jogador do mundo, mas precisa reconhecer que não pode ser tudo à sua volta. Porque até mesmo quando Messi era o melhor jogador do mundo, não jogava sozinho, jogava com seus companheiros de time também. Acho que Neymar joga muito para ele mesmo. Fisicamente, tecnicamente, ele é o melhor do mundo, mas acho que precisa colocar sua cabeça no lugar e ter mais humildade com o time e seus companheiros”, comentou.
Por último, Barnes ainda falou sobre o Mundial de 2022 e deixou claro que, sim, o Brasil será um dos favoritos para a disputa no Oriente Médio.
“Na próxima Copa do Mundo, o Brasil será (favorito) porque não tem um time tão velho, com Neymar, Richarlison. O mundo ama o Brasil e, no Catar, eles amam o Brasil. Todos de lá vão querer que o Brasil vença. Então, dedos cruzados”, concluiu.
*A entrevista foi organizada por Apostagolos.
