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Ex-Liverpool diz que seleção inglesa precisa de mais jogadores ao 'estilo Dunga': 'Temos muitos Sanchos'; tetra com o Brasil comenta

Terceira colocada no grupo 2 da Liga das Nações, a Inglaterra encara a Bélgica neste domingo (15), em Leuven, pela penúltima rodada da disputa. Para sonhar com uma vaga nas finais, o English Team precisa de uma vitória a qualquer custo em território adversário.

Na atual campanha, os ingleses, que vêm com uma seleção recheada de jovens jogadores e bastante badalada, têm duas vitórias conquistadas, ainda com um empate e uma derrota. Na quarta rodada, a última disputada, derrota em Wembley por 1 a 0 para a Dinamarca, em partida que ainda teve o zagueiro do Manchester United Harry Maguire expulso.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o ex-atacante do Liverpool e seleção Inglesa John Barnes comentou sobre a atual geração do futebol inglês e fez algumas colocações, citando seus altos e baixos. Entre elas, o fato da Inglaterra ter muitos bons jogadores de ataque, a exemplo de Jadon Sancho e Jack Grealish, mas deixando a desejar em outros setores como a defesa e meio-campo.

Para Barnes, o fato traz uma falta de equilíbrio ao time inglês, já que seus principais jogadores estão do meio para a frente em campo. Para exemplificar a necessidade que a Inglaterra tem no momento, o ex-atacante disse que, se a seleção tivesse mais jogadores ao estilo do brasileiro Dunga, tetra do mundo com o Brasil em 1994, a equipe seria mais equilibrada.

“O problema que temos na Inglaterra é que temos muitos Sterlings, Sanchos, Jacks Grealish, Maddisons, Dele Allis, muitos camisas 10 jogando como atacantes, não temos muitos Dungas. Não temos bons zagueiros, defensores, porque estamos fazendo algo parecido com aquilo que fizeram no Brasil. Queremos ter todos os melhores jogadores, então nosso equilíbrio não está correto. Todos os nossos melhores jogadores são atacantes e só podemos jogar com três deles em campo, não podem jogar cinco ou seis. Agora, nós precisamos começar a cultivar, respeitar e desenvolver mais Dungas, meio-campistas defensivos. Ele ganhou uma Copa do Mundo e conseguiu aquilo que queria, precisamos de mais Dungas”, começou por dizer Barnes.

Por outro lado, para o ex-jogador dos Reds, a Inglaterra também demonstra alguns pontos altos, o principal deles a a consistência.

“Quando você fala sobre consistência, a Inglaterra é o país mais consistente do mundo. O que significa que, quando jogam contra times que deveriam vencer, eles vencem. Mas, quando jogam contra o Brasil, Alemanha, França, Bélgica, podem perder, mas maximizam seu potencial. A Inglaterra não perde para Costa Rica, El Salvador. Às vezes o Brasil, França, Bélgica, perdem para países como a Islândia. Com a Inglaterra isso não acontece. O que você pede para o seu time fazer? A Inglaterra não é a melhor, mas maximiza seu potencial e tenta ir às quartas-de-final, semifinais, e, com sorte, quem sabe à final. Para a Inglaterra vencer, o time tem que ser perfeito...para a Inglaterra vencer a Copa do Mundo, ganhando de uma Bélgica ou França, esses dois países precisam fracassar de algum jeito, o que pode acontecer porque estamos falando de futebol. Estou feliz com o que a Inglaterra vem fazendo, não espero que vença a Copa do Mundo, mas sei que chegarão até às quartas de final, semifinais, talvez na final”, concluiu.

DUNGA COMENTA DECLARAÇÃO DE JOHN BARNES

Também em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o capitão da Seleção Brasileira na conquista do Tetra, nos Estados Unidos, comentou a declaração dada por Barnes e se mostrou prestigiado pelo reconhecimento que recebeu do ex-jogador.

“Fico feliz de ter o reconhecimento de um futebol tradicional como o inglês. Travamos batalhas fantásticas em Wembley com a Inglaterra, e um jogador inglês ter o reconhecimento pelo meu futebol sem dúvida nenhuma me deixa fuito feliz", começou por dizer Dunga, que também comentou sobre a falta de equilíbrio presente nas seleções do Brasil e Inglaterra, citadas por Barnes.

“O que eu vejo é que nós estamos perdendo a nossa escola, a Inglaterra está perdendo a sua escola, a Itália está perdendo a escola dela, e a gente está copiando um futebol que muitas vezes nós já fizemos lá no passado, só que com as nossas características. A gente traz tudo de fora sem contextualizar se serve para nós ou não. No futebol de hoje, queremos todos treinadores estrangeiros. Tá, legal, é bom, treinador estrangeiro, mas poxa, só o treinador? Então vamos trazer tudo de fora então porque o campo é uma parte do futebol, e o futebol é um todo. O que está acontecendo hoje no Brasil? A gente importou, não tem mais o número 10, que era o nosso número 10, a gente não tem mais o 8, a gente não tem mais o 5, a gente não tem mais o ponta, e a gente fez tudo uma coisa parecida com a Europa, que é toque, toque, toque. E o nosso futebol não é só isso. Nosso futebol é drible, o nosso futebol é velocidade, fazer a bola ter velocidade no jogo, não a velocidade do homem, mas a velocidade da bola", prosseguiu.

"O que ele (John Barnes) falou era um pouco da minha função no meio-de-campo, organizar para ter equilíbrio, ter essas inversões de um lado para outro, para quê? Quando se fazia a inversão, ela tinha um objetivo, só que nós nunca colocamos nos livros isso, nós só falamos. Você vê, nossos treinadores nos colocaram para jogar e nunca falaram. Hoje, o que eu vejo no futebol, o nosso futebol é um pouco uma chacota, que os caras ficam falando aí que ‘ai, o futebol brasileiro’, não. Qual era a intenção a minha característica no futebol brasileiro? Era roubar a bola mais rápido e a bola chegar mais rápido aos nossos atacantes, com inversão de lado para que o nosso atacante tivesse o um contra um, e aí no um contra um os nossos atacantes eram muito fortes e continuam sendo fortes ainda. Só que nós importamos aqueles dois toques, dois toques, dois toques, dois toques, e toque, toque, toque, e a característica do jogador brasileiro é o drible. Quando os europeus falam da forma do Brasil jogar, era justamente isso. Nós tínhamos equilíbrio no meio-de-campo, tínhamos a velocidade, a bola rápida, e hoje o que todo mundo fala que é moderno, nós fazíamos pressão no adversário lá na frente", finalizou.

*A entrevista com John Barnes foi organizada por Apostagolos