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Em meio a apagão que já dura dias no Amapá, Santos está 'ilhado' e quase incomunicável dentro de CT

O Amapá vive uma situação de calamidade pública nesta semana após o "apagão" que dura desde a noite da última terça-feira em 13 das 16 cidades do estado. Um incêndio que atingiu uma subestação de energia na capital Macapá causou a falta de abastecimento, eletricidade e água para 85% da população - estimada em 861,7 mil pelo IBGE.

Além disso, por causa do aumento de casos e internações devido a COVID-19, o governo estadual decretou na quinta passada a suspensão de atividades esportivas em todo o estado por sete dias.

Com tudo isso, nesta sexta, a CBF decidiu adiar o jogo do Santos - único representante amapaense no Campeonato Brasileiro - contra o São Raimundo-RR do próximo domingo para 18 de novembro pela 11ª rodada do grupo A-2 da Série D, a quarta divisão nacional, por "força maior diante da impossibilidade logística e operacional na cidade de Macapá/AP".

O Santos, porém, demorou muito até ser notificado do adiamento.

O ESPN.com.br entrou em contato com Willian Matos, diretor do Peixe da Amazônia, durante a tarde desta sexta-feira. No entanto, por causa das dificuldades de conexão, a conversa durou algumas horas.

Por via direta, não foi possível completar a ligação. Por chamada via aplicativo de mensagens, o som metalizado e o delay impediram o diálogo. Então, por troca de mensagens, foi possível falar com Willian Matos, mas as respostas demoraram a chegar.

"A grande maioria dos jogadores está no clube, no centro de treinamento, mas estamos treinando apenas um turno, pois os atletas estão sem o descanso devido perante essa situação. Todos eles estão sem comunicação, familiares ligando, nunca tínhamos vivenciado um momento desses", contou o dirigente.

"Não conseguimos contato (com a CBF) pela falta de internet, mas estamos falando com a FAF para tentar adiar. Não temos informações alguma", chegou a dizer Willian Matos no final da tarde.

Questionado se havia pensado em mudar de estado para poder atuar, o diretor foi claro: "Essa logística é muito complicada, e graças à nossa estrutura, ainda estamos bem. Fora do estado, não vamos ter campo a disposição".

"Fora que ainda estamos aguardando os exames de COVID-19 que até agora não foram feitos. Tenho vários atletas para voltar essa rodada, mas ainda não foram feitos", revelou.

O Santos-AP teve 11 jogadores de seu elenco com resultado positivo para o coronavírus na semana passada, e eles não atuaram no empate sem gols com o Baré-RR na última rodada.

Ao final, por áudio, o dirigente fez um desabafo: "O clube está de olhos vendados, estamos sem comunicação com a CBF, sem comunicação geral... Nós estamos fazendo de todo o possível para manter o elenco, mas é complicado. Estamos tentando. Nós nem sabemos se vai ter jogo ou não, tem decreto do governo do estado dizendo que não pode ter prática esportiva. São várias situações que deixam um ponto de interrogação para nós. Todo esse problema da pandemia, agora todo esse problema da eletricidade.... Estamos incomunicáveis".


Em contato com a reportagem, um diretor da Federação Amapaense de Futebol (FAF) explicou que o adiamento foi acertado após conversa entre o diretor de competições da FAF e seu par na CBF, Manoel Flores.

A federação, porém, ainda não havia notificado o Santos-AP.

Enviei o link com a confirmação do adiamento a Willian Matos por volta das 20h (de Brasília) e perguntei se ele já estava sabendo. "Não", foi a resposta.

"Só para você ver, nós não sabíamos. A gente estava sem internet, e soube pela tua notificação e agora a TV Amapá noticiou. Para você como está a nossa vida, a gente não sabe de nada", agradeceu o diretor.