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Belletti conta 'bastidores' de Ronaldinho contra o Real Madrid e relembra aplausos no Bernabéu

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De 'joga em mim que resolvo' a 'não precisa nem voltar para marcar': Belletti conta bastidores de Ronaldinho contra o Real Madrid (1:37)

Brasileiro fez história no El Clasico e chegou até a ser aplaudido em pleno Santiago Bernabéu. Maior clássico da Espanha - e talvez do futebol - acontece neste sábado, às 11h, com transmissão da ESPN Brasil e do ESPN App (1:37)

No próximo sábado (24), uma das maiores rivalidades do futebol mundial promete parar o fim de semana. No Camp Nou, Barcelona e Real Madrid se enfrentam em mais um tradicional El Clásico, válido pela sétima rodada da LaLiga, e que terá transmissão ao vivo e exclusivo da ESPN Brasil, a partir das 11h.

Se tratando de um dos maiores clássicos do mundo, fica até difícil contar nos dedos o número de grandes jogos protagonizados por Barça e Real. Mas, com toda a certeza, o El Clásico do dia 29 de novembro de 2005 tem cadeira cativa nos melhores momentos dessa rivalidade.

Nesse dia, o Barcelona não só venceu o seu maior rival por 3 a 0 no Santiago Bernabéu, como também viu Ronaldinho Gaúcho, autor de dois gols na partida, ser aplaudido de pé pela própria torcida merengue, que deixou a rivalidade de lado por alguns instantes e se rendeu ao camisa 10 brasileiro.

Campeão de muitos títulos importantes ao lado de Ronaldinho no Barcelona, o ex-jogador Belletti, pentacampeão do mundo com a seleção brasileira em 2002 e que hoje atua como diretor de negócios internacionais no Cruzeiro, concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br e lembrou desse e de muitos outros momentos marcantes do camisa 10 no clube catalão.

Segundo o ex-lateral, não foi somente naquele 3 a 0 que o craque brasileiro chamou a responsabilidade para si e resolveu jogos importantes pelo Barcelona. Era comum ver Ronaldinho, ainda nos vestiários, pedir aos seus companheiros que tocassem a bola para ele dizendo que ‘resolveria o jogo’. Porém, por trás de toda essa autoconfiança, havia um segredo.

“Vamos pensar que o que traz sempre essa confiança para um jogador ou para um time, no geral, é o quanto você se prepara não só para esse jogo, mas para a temporada inteira. E nós chegamos num momento das temporadas, sempre na maioria das vezes num El Clasico, jogados em momentos em que estamos no auge físico e técnico na temporada. Então tira-se proveito disso, cada um com a sua qualidade técnica, com a sua personalidade e o autoconhecimento nos favorece nessa hora. O Ronaldinho, não é só nesse jogo que ele falava isso. Ao mesmo tempo que ele dizia: joga a bola em mim que eu vou resolver, como aconteceu essa vez, nós falávamos para ele: não precisa voltar para marcar, aqui atrás a gente resolve e a gente confia em você para resolver na frente”, começou por dizer Belletti.

“Essa confiança que nós da defesa tínhamos para enfrentar os melhores atacantes do mundo, isso também passava confiança suficiente para ele tentar as jogadas dele. É aí que está o trabalho em equipe. Você sabe o talento que você tem no seu melhor jogador, mas para ele usar o talento que tem e ter a confiança para usá-lo, a gente ali atrás tem que passar essa confiança a nível de falar com ele, mas a nível técnico dentro do campo também. No bastidor era isso, um passando muita confiança para o outro, se preparando muito intensamente para todos os jogos, mas para o El Clasico também, para chegar dentro do campo, entrar e fazer bonito”, prosseguiu.

Vestindo a camisa do Barcelona, Ronaldinho teve a oportunidade de disputar oito vezes o El Clásico e marcou seis gols sobre o arquirrival do seu ex-clube, além de ter feito jogadas que ficaram marcadas na história. Em relação aos jogadores merengues, que muitas vezes sofreram nas mãos de R10, Belletti deixou claro que nunca houve ‘medo’ por parte deles de enfrentar o camisa 10, mas sim muito respeito para com ele e o próprio Barça.

“Você não fala em medo nesse nível de jogo, você pode falar em respeito para com os adversários. Do mesmo jeito que nós tínhamos muito respeito com esse Real Madrid dos Galácticos, você pode ter certeza que eles também tinham muito respeito com relação a todo o time do Barcelona e, claro, também com o Ronaldinho pela fase que ele estava vivendo, o momento técnico e físico dele provavelmente foi o melhor que ele teve na história. E aí sim, essa forma de respeito é quando o time que vai enfrentar um cara como o Ronaldinho Gaúcho, o técnico fala mais sobre as jogadas dele, existe uma marcação, mas tem a cobertura também na hora de encarar no 1 x 1, não deixar a bola chegar nele, ou, se chegar nele, fazer a marcação um pouco mais forte. Medo? Nesse nível não existe, mas respeito sim”, disse.

Por último, Belletti ainda justiçou porque, na sua opinião, o El Clásico é o maior clássico entre duas equipes no futebol mundial e lembrou que, antes mesmo de vestir a camisa blaugrana, quando ainda atuava pelo Villarreal, parava para ver os confrontos entre Barça e Real.

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1:15

'Nós sabíamos que ele era o cara que ia decidir': Belletti conta como Ronaldinho 'liderava' o Barcelona também no vestiário

Ex-lateral falou da relação de Gaúcho com os companheiros no vestiário catalão. Maior clássico da Espanha - e talvez do futebol - acontece neste sábado, às 11h, com transmissão da ESPN Brasil e do ESPN App

“Quando eu fui jogar na Espanha, no Villarreal, eu mesmo, jogador de futebol, pentacampeão do mundo, defendendo o Villarreal, parava para assistir o clássico em casa, não fazia mais nada. Quando fui jogar o meu primeiro El Clásico, que foi em 2004, percebi que a semana que antecedia o clássico não mexia só com a cidade Barcelona, só com o país Espanha ou só com a Europa, era a nível mundial. A imprensa do mundo inteiro estava em Barcelona para assistir aquele jogo. E o nível técnico dentro de campo, foi um Barça x Madrid contra os Galácticos do Real Madrid na época, e nós tínhamos Ronaldinho, Deco, Eto’o, eles tinham Beckham, Ronaldo, Figo, Zidane, e isso engrandeceu ainda mais o jogo, e aí sim, na hora que eu joguei, e ainda bem que nós vencemos por 3 a 0 aquele jogo, ao final de tudo isso eu também pude entender que, sim, hoje eu considero o maior evento esportivo mundial”, finalizou.