Eliminatórias: o que mudou na seleção peruana desde a final da Copa América

Após 464 dias da final da Copa América, Brasil e Peru voltam a ficar frente a frente por um jogo oficial. As duas seleções enfrentam-se às 21h (de Brasília) desta terça-feira, em Lima, pela segunda rodada das eliminatórias sul-americanas da Copa do Mundo de 2022.

Desde a decisão no Maracanã, muita coisa mudou... Bem, nem tanto no lado dos peruanos,

Isso porque, 17 dos 23 atletas que estiveram na campanha do vice em solo brasileiro fazem parte do selecionado atual do técnico Ricardo Gareca, que segue no cargo. São eles: Pedro Gallese, Luis Abram, Aldo Corzo, Anderson Santamaría, Miguel Araujo, Miguel Trauco, Christian Cueva, Jefferson Farfán, Raúl Ruidíaz, Carlos Cáceda, Renato Tapia, Andy Polo, Carlos Zambrano, Luis Advíncula, André Carrillo, Yoshimar Yotún e Christofer Gonzáles.

A conta poderia chegar a 20, caso o ídolo e capitão Paolo Guerrero não estivesse lesionado, e se Edison Flores e Alexander Callens não estivessem impedidos por seus clubes de viajar em meio ao cenário de pandemia, DC United e New York City, respectivamente. O caso é o mesmo de Yordy Reyna, outro que joga no DC United.

Dessa forma, são apenas três mudanças por questões técnicas no elenco. O goleiro Patricio Álvarez e os volantes Jesús Pretell e Josepmir Ballón, que já não estavam entre os principais nomes na Copa América. Enquanto os dois primeiros não atuaram um minuto sequer da competição, o último havia sido chamado ao torneio após o corte do lesionado Paolo Hurtado. Ballón só totalizou 33 minutos em campo ao entrar na parte final de duas partidas diferentes.

Em relação ao time titular da final da Copa América e o da primeira rodada das eliminatórias, contra o Paraguai, a linha defensiva é idêntica, com o goleiro Gallese, os laterais Advincula e Trauco e os zagueiros Abram e Zambrano. Os volantes Tapia e Yotún também seguem, assim como o meia Cueva e o atacante Carrillo, que inclusive fez os gols no empate por 2 a 2 em Assunção.

Cueva, no entanto, é dúvida para o duelo de terça, após ter sentido dores musculares na coxa direita contra os paraguaios.

Saíram apenas Flores e Guerrero, algo que não foi uma opção de Gareca. Ruidíaz, que entrou no segundo tempo da final de um ano atrás, ficou com a vaga do capitão no último confronto. Porém, ele será desfalque no próximo compromisso, já que testou positivo para COVID-19.

A grande “novidade” foi a presença de Pedro Aquino, que esteve na pré-lista da Copa América, mas ficou de fora do torneio por questão física. Ele atuou em amistosos depois da competição e começou a partida de sexta-feira.

Aquino, aliás, é um dos seis nomes que fazem parte do elenco atual e que não estiveram na Copa América.

O goleiro José Carvallo ganhou a posição que antes era de Patricio Álvarez, que se envolveu em uma polêmica extracampo recentemente. O lateral-esquerdo Marcos López esteve em todas as convocações depois da Copa América, enquanto o atacante Alex Valera vive o clima de sua primeira convocação - ele não entrou no primeiro jogo e ficará de fora do segundo por também ter testado positivo para COVID-19. O meia Sergio Peña chegou a entrar nos minutos finais contra o Paraguai, enquanto o volante Wilder Cartagena retornou à seleção após um ano e meio.

Além disso, há os casos de David Dioses, Matías Succar, Christian Ramos e Aldair Rodríguez, que foram convocados e não fizeram parte dos relacionados para a partida contra o Paraguai - os dois últimos, aliás, deram positivo para coronavírus, fizeram a contraprova, testaram negativo e foram relacionados pelo técnico Ricardo Gareca.


Peru está melhor, pior ou igual?

Opinião de Julio Vizcarra, do jornal El Comércio:

Em comparação ao plantel que esteve na última Copa América, esta seleção peruana, em nível, é inferior à equipe que jogou a final com o Brasil. Se bem que se mantém quase o mesmo time, fato que lhe dá vantagem, já que é um elenco que se conhece e sabe perfeitamente a ideia do técnico Ricardo Gareca. O Peru que começou as eliminatórias perdeu jogadores-chave como Paolo Guerrero, artilheiro e capitão, lesionado jogando pelo Internacional, e Edison Flores, titular na seleção, que não recebeu a permissão de seu clube, o DC United, da MLS.

Além dessas baixas, vários destes titulares não tiveram tempo de jogo em seus clubes. Na defesa, Carlos Zambrano jogou duas partidas com o Boca Juniors pela Copa Libertadores. Seu companheiro na zaga, Luis Abram, não teve tempo de jogo com o Velez, da Argentina. Enquanto o lateral-esquerdo Miguel Trauco não é levado em conta no Saint-Étienne, da França. Christian Cueva chegou há pouco tempo no futebol turco, e Jefferson Farfán está sem clube desde o fim da temporada passada na Rússia (o Lokomotiv não renovou seu contrato) e se recupera de uma lesão.

A esta situação se soma o fato de que desde o torneio no Brasil não houve nenhuma aparição importante na seleção peruana. A melhor notícia foi a ida de Ricardo Tapia ao Celta de Vigo, no qual é titular. Portanto, a maior fortaleza deste Peru é o coletivo, que soma muitos minutos de jogo e com o mesmo técnico.


Resultados entre Copa América e eliminatórias

5 jogos amistosos (uma vitória, um empate e três derrotas)

  • Peru 0 x 1 Equador (campo neutro)

  • Brasil 0 x 1 Peru (campo neutro)

  • Uruguai 1 x 0 Peru

  • Peru 1 x 1 Uruguai

  • Colômbia 1 x 0 Peru (campo neutro)