Separado da zona de rebaixamento da Série B do Campeonato Brasileiro por apenas uma posição, o Cruzeiro, que acaba de demitir o técnico Enderson Moreira, justifica o adjetivo grande somente pela história gloriosa, com muitos títulos e craques de primeira categoria, porque em campo o time atual tem apresentado cada vez mais um futebol condizente com os pequenos.
O time celeste é o 16º colocado, com cinco pontos (embora em campo tenha obtido 11, é sempre bom lembrar que o time iniciou o torneio com seis pontos negativos). A única coisa que o afasta da zona de rebaixamento neste momento é o saldo de gols: zero.
O Figueirense soma os mesmos cinco pontos, mas tem menos quatro gols de saldo e é portanto o 17º.
A má fase em campo resultou em cinco partidas sem vencer na Série B, com tropeços dentro do Mineirão para a Chapecoense (0x1) e o CRB (1x1), além de derrota para o América-MG no clássico local, e a queda do treinador após seis meses no cargo.
Há outros números que mostram que a situação na competição é bem mais grave do que aparenta, considerando o tamanho do Cruzeiro em relação aos 19 concorrentes da Série B, é claro.
O time celeste é o sétimo no ranking dos que mais trocam passes, com 618,57, mas apenas o nono em aproveitamento com 79,2% de acerto dos passes. É também o sétimo em posse de bola (51,4%).
Os números são do TruMedia, a ferramenta de estatísticas exclusiva da ESPN, que mostra que Vitória, Paraná, Guarani, CRB, Oeste e Cuiabá, por exemplo, têm números melhores.
É curioso porque o Oeste é o lanterna, embora troque mais passes (636,86) e também acerte mais os passes trocados (53,7%) que o Cruzeiro, enquanto o Guarani é o 14º colocado.
Paraná e Cuiabá estão na zona de acesso, enquanto o Vitória é o sétimo na classificação.
Em termos de ofensivos, a equipe também anda abaixo da própria tradição. Tem média de 9,14 chances de gols criadas em oito rodadas, com média de 12,1 chutes ao gol. A avaliação piora se for considerado apenas a média de acerto de chutes: 3,86.
Foram apenas nove gols marcados na Série B. Não chegar a ser o pior ataque da competição porque os times da zona de rebaixamento fizeram menos. O Figueirense anotou apenas dois, por exemplo.
Mas há um claro desequilíbrio. O time não é tão bom no ataque nem na defesa, tendo sofrido nove gols em oito partidas. Somente cinco equipes sofreram mais tentos do que os cruzeirenses na competição.
“O Cruzeiro precisa entrar na competição o quanto antes, entrar de corpo e alma, sabendo das dificuldades, daquilo que vamos enfrentar e errando o mínimo possível”, disse Enderson após o jogo com o CRB, com protestos da torcida na saída do Mineirão.
Todos os números mais a situação na tabela deixam o Cruzeiro mais pressionado. Tanto que Enderson respondeu sobre demissão na última segunda-feira e foi demitido nesta terça (8). E ele ainda lidava com problemas fora de campo.
Antes do empate com o CRB, a diretoria afastou quatro jogadores (Giovanni, João Lucas, Welinton e Judivan). O primeiro deles veio ao clube por indicação do treinador.
“São questões internas do clube. No momento apropriado, quando o clube achar interessante falar, e expor isso.... Interessante a obrigação de fazer isso ao seu torcedor. Ele irá se pronunciar, através das pessoas que são responsáveis por isso”, disse Enderson após o empate com CRB.
“Acho que o torcedor merecia uma partida melhor. Precisávamos merecer a vitória, finalizar mais, ser mais agressivo. Essa é a nossa insatisfação. Torcedor está com a razão. Futebol aquém do que o grupo, na minha concepção, pode entregar”, disse.
