Ivan Rakitic está de volta ao Sevilla após seis anos de Barcelona. Para muitos pode parecer um movimento que indique uma baixa na carreira, afinal ele foi descartado pelo técnico Ronald Koeman e pelo presidente Josep Maria Bartomeu para participar do projeto de reerguer o clube catalão. Nada disso. O croata vai reencontrar a cidade onde se apaixonou e foi correspondido.
A história começou em 2011, quando Rakitic, então com 21, foi contratado do Schalke 04 para o Sevilla como uma joia da Bundesliga. Chegou inseguro. Não falava o idioma. Não conhecia nada da cultura espanhola nem da cultura da Andaluzia.
Não fosse a escolha do irmão dele por um hotel em Sevilla essa história poderia não estar sendo contada agora.
Tudo porque Rakitic se apaixonou à primeira vista --e quem diz isso é ele mesmo-- pela garçonete que atendia no bar do local. A paixão foi tamanha que fez ele traçar o próprio o futuro.
“Já era tarde e meu irmão recebeu uma ligação de um representante de um grande clube da Europa. Ele sabia que eu havia deixado o Schalke e estava em Sevilha para assinar um novo contrato. Perguntou se poderia enviar um avião para me tirar de lá e fecharmos negócio. Meu irmão me consultou, afinal eu estava inseguro. Mas eu olhei a garçonete e respondi que não, que cumpriria a minha palavra. E acrescentei: vou me casar com ela”, disse o jogador, em depoimento adaptado do “The Players Tribune”, em 2017.
A garçonete se chamava Raquel Mauri e não dava confiança a Rakitic. Ela só entendia espanhol. O que facilitava ainda mais para dar os “foras”. E olha que Rakitic era fluente em inglês, alemão, além do próprio croata e dialetos. Mas nada sabia do idioma de Raquel.
O croata conta que morou por três meses no hotel e o motivo era bem particular. Era uma forma de ver Raquel todos os dias. Ele sempre dava um jeito de tomar um café ou “Fanta Laranja. Era o que eu sabia falar e podia usar pra me comunicar com ela”.
Quando aprendeu espanhol, passou a convidá-la para sair e sempre ouvia desculpas, como “hoje não posso”, “tenho compromisso”, “preciso dormir cedo” etc. De tanto insistir, ele conseguiu arrancar uma confissão dela.
“Você é um jogador de futebol. Você pode se mudar para outro país no próximo ano. Lamento, mas não.”
Rakitic diz que jamais pensou em desistir. Mas passou a crer que ela não devia conhecer muito de futebol, podendo achar que ele fosse um atleta mediano, do tipo que os clubes negociam sem pensar muito e que vive mudando de cidade a cada janela de transferências. Isso o fez focar em melhorar o próprio desempenho, buscar mais destaque e visibilidade.
Mesmo quando deixou de morar no hotel, comprando um imóvel em Sevilha, Rakitic dava um jeito de passar todos os dias para tomar um café. O croata chegou a compartilhar a história com amigos e um deles o ajudou a mudar a história. “Dedurou” que Raquel estava de folga tomando um café com a irmã. Foi a oportunidade que ele viu para finalmente ter tempo de conversar com ela e sair.
Ao chegar ao local, a convidou para jantar e disse que dessa vez ela não poderia dizer não.
Estendeu o convite para a irmã e conseguiu depois de praticamente seis meses de tentativas --afinal, ele chegou em Sevilha em 27 de janeiro e o convite foi aceito em 20 de agosto-- a realizar o mais profundo desejo. Desde então estão juntos.
Mas o time de Rakitic aumentou. Hoje, além dele e Raquel, vieram duas filhas.
“Fui um jogador bom no Basel e no Schalke, mas sempre senti que estava faltando alguma coisa. Quando conheci minha esposa, senti como se realmente tivesse algo por que jogar, e minha carreira foi para outro nível depois disso. Tivemos muitos anos especiais em Sevilha. Em 2013, fui nomeado o primeiro capitão estrangeiro do clube desde Maradona. Foi uma honra muito especial para mim, especialmente por causa do quanto o clube significava para o avô da minha esposa”, disse.
O croata teve outro motivo que o ligava à cidade e ao clube: Robert Prosinecki.
Ele tinha o alemão, de origem croata, como ídolo desde a infância, quando deixou o país natal muito cedo para morar na Suíça. Os pais dele entendiam que lá eles teriam uma vida mais segura, longe da guerra.
Prosinecki teve uma carreira sólida no futebol defendendo muitos clubes, entre os quais Real Madrid, Barcelona e Sevilla. Foi campeão da Copa dos Campeões pelo Estrela Vermelha, entre outros inúmeros troféus que levantou numa carreira gloriosa.
“Portanto, poder jogar na Espanha como ele fez e ser nomeado capitão do Sevilla foi simplesmente incrível”, disse Rakitic, inspirado na trajetória do ídolo., que agora está de volta para continuar sua história de amor.
