Messi está em guerra com o Barcelona. O argentino não se reapresentou para testes no clube neste domingo e força uma saída sem custos. Entre os interessados em contratá-lo está o Manchester City, talvez o favorito a contar com o jogador para a próxima temporada. Mas a possível contratação não é unanimidade entre todos na Inglaterra.
Embora o reencontro com Pep Guardiola pareça coisa de filme, o futebol é prático e a realidade não funciona como um romance. Essa é a opinião do colunista Jonathan Wilson, do respeitado jornal inglês The Guardian. No último sábado, ele publicou uma coluna na qual argumenta por que a transferência pode não ser uma boa ideia para o clube.
"Uma reorganização defensiva é mais urgente para as ambições de título do clube do que a adição de um gênio artilheiro", resumiu Wilson.
"Enquanto o futebol se tornou mais questão de recuperar a bola do que mantê-la, questões legítimas começaram a ser levantadas se Guardiola ainda está na vanguarda tática do jogo. Ressalvas começaram a ser expressadas sobre Messi também. Brilhante como ele é - essa foi a 11ª temporada seguida na qual ele marcou 25 ou mais gols na liga, bem distante de todo o resto que ele faz - será que ele deixa um time desequilibrado?", questiona o colunista.
Para Wilson, Messi não é mais um grande marcador neste ponto de sua carreira, algo que pode prejudicar o Manchester City e seu estilo de pressionar os adversários logo na saída de bola.
"Talvez o Messi possa encontrar nova energia com um novo desafio, mas o Barcelona é o arquétipo de um time de pressão e posse. Se ele não marca cerrado lá, provavelmente é porque ele não é mais capaz de fazer isso. Acomodar uma figura que oferece tão pouco em termos de trabalho defensivo iria requerer uma significativa reorganização", analisa.
Messi traria gols, assistências e uma clara contribuição ofensiva para a equipe de Guardiola - algo que o próprio jornalista admite em sua coluna. Entretanto, os pontos ofensivos podem não ser suficientes.
"Atacar não é o problema do City. Eles foram o melhor ataque da Premier League na última temporada. Eles marcaram quatro ou mais vezes em 11 de seus 38 jogos. O problema deles, cada vez mais, é sem a bola. É aí que Jurgen Klopp e a escola alemã encontraram uma vantagem", explica.
"Por que nos últimos quatro anos, tanto o Barcelona como a Argentina começaram a fracassar de maneiras similares? E um atleta de 33 anos que corre tão pouco pode mesmo valer grande parte de R$ 720 milhões por ano?", questiona.
"Messi não vai fazer o City melhor defensivamente, pelo contrário", aposta Wilson. "Num momento que a prioridade do City tem que ser refazer sua pressão e reduzir sua vulnerabilidade ao contra-ataque, a adição de um brilhante, mas idiossincrático talento ofensivo, ainda que dramaticamente satisfatória, parece uma complicação desnecessária", conclui.
