Quando Neymar entrar em campo nesta terça-feira, às 16h (de Brasília), contra o RB Leipzig, terá pela frente o último passo antes de colocar o PSG na primeira final de Champions League de sua história. Estará diante, porém, também daquela que é sua maior parceira comercial.
A relação entre Neymar e Red Bull teve início em 2010, quando o brasileiro ainda atuava pelo Santos e o clube alemão tinha apenas um ano de fundação. Desde então, a parceria só cresceu, e a agenda entre patrocinado e marca já foi motivo de discussão com a direção parisiense.
O maior abalo na relação entre Neymar e PSG aconteceu no meio de 2019, na tentativa de retorno frustrado do jogador ao Barcelona. Em julho daquele ano, sem qualquer acerto com o ex-clube, o astro era esperado para se reapresentar na França, mas não apareceu.
O motivo? Um conflito de agenda, que, na versão do estafe de Neymar, o PSG já tinha conhecimento – algo que o clube negou. O jogador estava no Brasil para participar de um torneio organizado... pela Red Bull, em parceira com seu Instituto: o Neymar Jr’s Five.
O evento, uma competição de futebol de cinco, aconteceu normalmente e só depois Neymar retornou ao PSG, ainda reforçando o desejo de se transferir em conversa que teve com Leonardo – o dirigente foi outro que manifestou descontentamento com a não apresentação.
Só que aquela turbulência não pararia por aí: na mesma ocasião, em um vídeo promocional gravado pela patrocinadora, Neymar respondeu qual foi a “melhor sensação da carreira” citando justamente o gol que eliminou o PSG contra o Barcelona na histórica goleada de 6 a 1.
A escolha pelo tento de Sergi Roberto, com assistência sua, naquelas oitavas de final na Champions de 2016/17, claro, repercutiu mal na França, o que fez até o pai de Neymar defende-lo publicamente. "Meu filho é atleta do PSG, mas não pode simplesmente ignorar sua história; história essa que o fez chegar ao clube francês", escreveu ele, na ocasião.
Já a história entre Neymar, PSG e Red Bull ainda tem a festa de aniversário do craque, em fevereiro de 2019, quando se recuperava de lesão no pé direito. Mesmo afastado dos campos e de muletas, o brasileiro celebrou no que era compromisso com a empresa de energéticos.
Como revelou o UOL, o contrato do brasileiro com a patrocinadora previa uma comemoração para até 500 pessoas, com a empresa pagando parte da festa – que teve espaço para outros parceiros comerciais do jogador e show da cantora sertaneja Marília Mendonça.
Bem antes do PSG, o começo da relação de Neymar com a Red Bull incluiu viagem a Salzburgo, onde a companhia tem outra equipe de futebol, o RB Salzburg. O brasileiro conheceu jogadores e também viajou ao complexo da Red Bull Racing, equipe de Fórmula 1 da marca.
Entre os principais nomes que tem patrocínio pessoal da Red Bull, Neymar é o único jogador de futebol. A maior parte dos apoiados pela marca é ligada ao universo dos esportes radicais.
Tanto para Neymar, quanto para Red Bull, a partida desta terça é crucial para seus atuais projetos. No PSG, o camisa 10 foi contratado justamente para liderar a mudança de patamar do clube no cenário europeu – na Champions, até 2020, só fracassos. A marca, por sua vez, tem planos cada vez mais ambiciosos no futebol e pode viver seu auge com a final europeia.
Há uma década, aliás, quando nasceu o “casamento” de Neymar com a patrocinadora, a Red Bull já tinha um clube de futebol no Brasil. No ano passado, a marca assumiu o Bragantino, com o qual chegou a primeira divisão nacional, disputando a Série A nesta temporada.
No caso alemão, o RB do nome do Leipzig não significa Red Bull, mas sim RasenBallsport. É que, pelo estatuto da Federação Alemã de Futebol, é vetado uma empresa batizar uma equipe, a não ser que seja dona há mais de 20 anos – como a Bayer com o Leverkusen.
