Danilo Soares chegou ao Hoffenheim ao longo de 2016, meses após Julian Nagelsmann ter assumido o comando da equipe aos 28 anos, virando o técnico mais novo da história da Bundesliga.
“Me espantei um pouco pelo fato dele ser tão novo. É um cara muito inteligente e vi coisas nos treinos dele que nunca tinha visto antes aqui na Alemanha”, conta o jogador, atualmente no Bochum, ao ESPN.com.br.
Mais espantoso que sua precocidade é o talento. Nagelsmann estreou em fevereiro de 2016, evitou o rebaixamento do vice-lanterna naquela temporada e fez o time terminar o primeiro turno da Bundesliga 2016-17 na terceira colocação e invicto. Acabou eleito o treinador do ano pela Federação Alemã.
O Hoffenheim terminaria aquela temporada na quarta colocação, seu melhor desempenho na história, e que seria superado já em 2017-18, quando Nagelsmann levou o time ao terceiro lugar, à frente do Borussia Dortmund.
Agora em sua primeira temporada à frente do RB Leizpig, o técnico de 33 anos coleciona mais um grande trabalho. O time terminou na terceira posição da Bundesliga e está na semifinal da Champions League, fase em que enfrenta o PSG, nesta terça-feira, às 16h (de Brasília).
Mas o que tem de especial esse treinador tão promissor e com tantos feitos expressivos?
“Ele montava vários tipos de treinos que obrigavam os jogadores a pensar. Tinha que tomar decisões rápidas e pensar antes mesmo de receber a bola, você precisava saber onde vai tocar a bola. Isso para mim, que estava voltando de lesão, era complicado, me faltava tempo de reação e explosão”, conta Danilo Soares, que trabalhou com Nagelsmann por seis meses.
“É muito importante você dominar o idioma alemão para entender as instruções que ele dá nos treinos pela complexidade. A maior parte do tempo ele falava em alemão, mas algumas vezes em inglês também. Se você não compreender, é um segundo que pode mudar um jogo”, afirma o lateral-esquerdo de 28 anos.
Direto ao ponto
O RB Leipzig mostrou nos últimos anos a capacidade de letalidade em campo. Em poucos segundos é capaz de atravessar o campo e marcar, sobretudo com Timo Werner, que foi vendido ao Chelsea.
Tal objetividade é vista também no trabalho de Nagelsmann.
“Ele não pedia opinião dos jogadores. Sempre passava o que queria para a gente. Ele falava com o grupo técnico dele, que era bem jovem também e muito competente. Eram pessoas que ele tinha confiança porque trabalhavam na base do clube com ele”, conta Danilo.
“Quando chegava na preleção, ele já passava o que queria. Não perguntava o que a gente achava ou o que era melhor fazermos. Era muito claro no que queria. Alguns treinadores dão liberdade para dizer 'acho melhor fazer de outro jeito', mas com ele não era assim".
Sem ‘resenha’, mas com história para contar
Outra marca do treinador, segundo Danilo, é o foco no trabalho, sem ficar de conversa pessoal ou brincadeira com seus jogadores.
“O Julian, na minha época, evitava muito ficar com os jogadores fora do campo. Não era de ficar na ‘resenha’. Acho que era a forma dele manter o respeito com os caras por ser mais novo. Não se envolve tanto com o jogador. No Brasil, tem muito treinador ‘paizão’ que te abraça, conversa e quer saber da tua vida pessoal. Ele não era assim. Não procurava saber isso. Ele chegava para você e te passava o que queria dentro de campo. Se você não fizer, outro fará. Para ele manter esse respeito, ele mantém um pouco a distância dos jogadores. Dentro do campo ele fala, explica os buracos no campo para fazer as jogadas e te dá instruções para colocar em prática a ideia dele.”
Isso, no entanto, não impediu que Danilo Soares vivesse um causo com técnico.
“Mesmo ele sendo um cara sério teve uma história engraçada. Eu fiquei com muita vontade de ir ao banheiro na hora da preleção em vídeo. Eu segurei até onde deu, mas chegou uma hora que eu falei: ‘Treinador, preciso ir ao banheiro fazer xixi. Não consigo segurar, senão vou fazer nas calças’. Quando eu voltei ao banheiro e acabou o vídeo, a galera toda caiu na risada. Até hoje me zoam por causa disso.”
E no campo, como é a postura de Nagelsmann?
“Nos jogos ele fala bastante, orienta. Não chega a ser enérgico como Jürgen Klopp, mas tem os seus momentos quando algo dá certo ou errado. Ele vibra. É um cara bem emocional.”
E, convenhamos, Julian Nagelsmann tem muitos motivos para vibrar em menos de cinco anos de carreira.
