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Flamengo: Aposta de Domènec na lateral ajudou a desgastar relação de Rodrigo Caio com São Paulo

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Domènec Torrent explica formação tática do Flamengo: 'Nós jogamos com quatro zagueiros' (0:24)

Técnico do Fla falou sobre a opção feita para a partida contra o Atlético-GO (0:24)

A inesperada derrota do Flamengo para o Atlético-GO por 3 a 0, em Goiânia, teve outra surpresa: a escalação de Rodrigo Caio na lateral-direita no lugar de Rafinha pelo técnico Domènec Torrent. Atuar nesse setor já fez o defensor se revoltar no São Paulo.

Há dois anos, Rodrigo Caio entrou em atrito com a comissão técnica do clube paulistano, especialmente com o treinador o uruguaio Diego Aguirre, justamente por ser contrariado e escalado na lateral.

O defensor tentou resolver a situação internamente, mas, muito desgastado e alvo frequente de críticas dos torcedores, acabou expondo o problema ao programa “No Ar com André Henning”, do Esporte Interativo, em 2018.

“[Na época,] O Arboleda voltou da seleção [equatoriana] e, com desgaste, não treinou. Ele colocou o Anderson Martins para treinar o tático e não me colocou. Fiquei louco da vida. Na hora que acabou o treino perguntei para o Raí [diretor executivo do São Paulo] o que tinha acontecido, disse que ali eu entendia que era algo pessoal, porque uma coisa dessas não se faz. Falei para o Raí e para o Lugano que não iria jogar mais de lateral, porque eu não iria ajudar, iria atrapalhar”, disse Rodrigo Caio.

"Se machucassem todos os laterais e precisasse de mim, tudo bem. Mas tinha o Araruna para jogar ali [na lateral]. Contra o Palmeiras eu joguei de lateral-direito, estava bem, mas saí no intervalo. A culpa é de quem por que perdeu? Do Rodrigo, como sempre. Esse era meu pensamento quando eles começaram a me colocar de lateral. Vai dar uma coisa errada e a culpa vai ser minha”, completou.

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A exposição acabou sendo decisiva para que aquela temporada fosse a última dele pelo São Paulo, apesar de ele ser cria da base e estar a sete anos no time profissional. Ele mesmo sentia que deveria sair. Tanto que chegou a afirmar no “Bola da Vez”, da ESPN Brasil, no início do ano passado, que estava “chegando a hora de sair, de procurar novos ares”.

No Flamengo, ele não tem nada para reclamar até a noite da última quarta-feira (12), pelo menos. É titular da defesa e conquistou inúmeros títulos, entre os quais o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores no ano passado.

Mas a escolha dele para o lugar de Rafinha gerou inúmeras manifestações contra Torrent, ainda em início de trabalho no Flamengo. Muitos especialistas também atribuíram o revés ao improviso. Defensivamente, o time estava bagunçado.

“Não jogamos com três zagueiros, jogamos no 4-3-3. Quatro zagueiros, um volante, dois meias e três atacantes. Nós começamos com 4-3-3 e mudamos no segundo tempo para o 4-2-3-1. Mas jogamos com quatro zagueiros”, disse o treinador catalão, na entrevista pós-jogo.

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“Quando perdemos, perdemos todos. Não perde um jogador. Perde o técnico e perdem os jogadores. Eles ganharam as segundas bolas, jogaram em um ritmo mais alto. Nós jogamos em um ritmo baixo, mesmo no segundo tempo contra o Atlético-MG. Mas com Rafinha ou outro jogador, quando perdemos, perdemos todos”, acrescentou, defendendo a escolha de Rodrigo Caio.

Rafinha foi poupado pela comissão técnica por apresentar desgaste físico, uma vez que no último domingo, na derrota para o Atlético-MG, ele jogou já no sacríficio.

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Nos bastidores, o lateral é alvo do Olympiacos, da Grécia, que ofereceu 2,8 milhões de euros (R$ 17,9 milhões na cotação atual) de salários por dois anos de contrato. A oferta não agradou ao jogador, mas novas conversas devem acontecer até sexta-feira (14).

De qualquer modo, sem Rafinha, a opção de Torrent para lateral-direita, sem ser Rodrigo Caio, era João Lucas, 22, que soma apenas 12 jogos pelo Flamengo em dois anos de clube.