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'Ele só sai se quiser': presidente do Fortaleza abre o jogo sobre contrato de Ceni, direitos de transmissão, bilionário russo e a importância da Copa do Nordeste

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Alta média de gols e pontaria em alta: como estava a Copa do Nordeste antes da parada? (0:43)

Competição volta nesta semana após paralisação (0:43)

Marcelo Paz ainda não sabe se poderá tentar um novo mandato como presidente do Fortaleza, no fim de 2021.

Ele cumpre atualmente seu segundo termo, mas o primeiro foi apenas uma continuação do mandato de Luis Eduardo Girão, que renunciou ao cargo em novembro de 2017 - em outubro de 2018, Paz venceu o pleito que disputou.

“Precisa ver como vai ser esse ponto, é uma questão estatutária e não sabemos se contaria como uma terceira eleição (o que é vetado) ou segunda”, disse Paz, em entrevista ao ESPN.com.br.

O que ele já sabe, por outro lado, é quem será o técnico do clube, no que depender de sua vontade, pelo tempo que seu mandato vigorar.

“Rogério (Ceni) só sai do Fortaleza quando ele quiser”, afirmou.

Assim que assumiu a presidência do clube, o dirigente foi a São Paulo fechar a contratação do então ex-técnico do Tricolor Paulista.

“Foi meu primeiro ato de gestão. A situação surgiu quando eu ainda era diretor de futebol e o (Antônio Carlos) Zago era o técnico. A tendência era o Zago continuar, mas ele voltou para Caxias do Sul (para dirigir o Juventude) e a gente ficou sem treinador. Na hora, pensei no Rogério”, revela.

Outra convicção de Paz diz respeito à crescente importância da Copa do Nordeste para os clubes da região, competição pela qual o Fortaleza reestreia nesta terça-feira, contra o América-RN, em Salvador, às 20h.

Com 14 pontos, o time co-lidera o grupo A com o Bahia e já está garantido na próxima fase da disputa.

“Contando todos os estaduais e regionais, a Copa do Nordeste é a competição que tem mais times das séries A e B. E, coincidentemente, essa presença maior nas duas principais séries aconteceu depois da criação da Copa”, disse.

“Isso tem certamente a ver com a competição regional, porque os clubes passam a ter um pouco mais de dinheiro. Mas, claro, tem a ver também com a gestão. Os clubes nordestinos têm boas gestões, e o povo é muito apaixonado por futebol. Quando o time vai bem, tem público, e a Copa ajuda a dar mais força”, afirma.

Juntamente com Guilherme Bellintani, do Bahia, e Robinson de Castro, do Ceará, Paz forma uma tríade de jovens gestores que vem se destacando na região e no país.

“A gente se fala bastante. Quando vamos tratar de pautas nacionais e da região, a gente troca ideia. É uma relação profissional e gentil. O Guilherme e o Robinson tem relação muito boa comigo, assim como o presidente do Santa Cruz, Constantino Júnior, e o Paulo Carneiro, do Vitória, que é de uma outra geração, mas que também dialoga com a gente”, diz.

Paz assumiu o clube na Série C. Conquistou o Brasileiro da Série B, Campeonato Cearense e a Copa do Nordeste de 2019, ano em que registrou o maior superávit de sua história: R$ 3,4 milhões.

Na Série A da última temporada, o clube teve a segunda maior média de público, atrás apenas do campeão Flamengo e à frente de times como Palmeiras, Corinthians e São Paulo. Com isso, o clube faturou R$ 11 milhões com bilheteria no ano

Veja abaixo outros pontos principais da entrevista concedida pelo presidente Marcelo Paz:

ESPN - Hoje é possível afirmar que a Copa do Nordeste é mais importante que os estaduais para os clubes da região?

Marcelo Paz - Eu concordo. A Copa do Nordeste tem nível técnico bem maior que os estaduais, desperta mais atenção do público e historicamente tem melhores médias de presença nos jogos, além das premiações por fase disputada. No nosso estadual, esse valor é zero. No Cearense, não há qualquer premiação.

ESPN - Nem mesmo para o campeão?

Paz - Sim, e eu falei justamente porque pouca gente sabe disso. As premiações da Copa do Nordeste ajudam a diminuir um pouco a distância orçamentária para os clubes de São Paulo e do Rio. E o campeão da Copa do Nordeste entra nas oitavas da Copa do Brasil, como nós, neste ano, o que diminui a pressão de calendário. E é por tudo isso que entendo ser uma competição mais interessante.

ESPN - Hoje, é difícil falar do Fortaleza sem falar do Rogério Ceni. Mas, para começar a falar do técnico, o senhor viu que ele foi flagrado pelos microfones de uma transmissão falando um termo chulo nesse fim de semana?

Paz - Vi sim e dei muita risada!

ESPN - Rogério e Fortaleza se encaixaram, não é?

Paz - Sim. E é por isso que ele só sai do Fortaleza quando ele quiser. Ele tem uma formação pessoal e profissional acima da média, o que faz muito bem para o clube. Mas o Fortaleza, me parece, também faz muito bem a ele. Não somos um clube de grande orçamento, mas a gente gosta muito trabalho dele e trabalha sério para dar as melhores condições possíveis para ele fazer um bom trabalho. Enquanto eu estiver aqui, como presidente, ele vai ser o técnico do clube.

ESPN - O que o Rogério trouxe de tão especial para o Fortaleza?

Paz - É o conjunto. O profissionalismo é uma marca dele. Mas seu cuidado com o Fortaleza vai além de treinar o time, ele se preocupa com o bem estar do clube. Quando vai discutir uma contratação, se interessa pela questão econômica, não quer simplesmente que contratem. Quer entender como vai ser o contrato, a forma de pagamento, o impacto no caixa. É um cara que conhece muito de futebol, não só de escalação e montagem, mas sabe tudo de logística, fisioterapia, qualidade do gramado, nutrição, tudo ele conhece e com tudo ele se preocupa. Ele é diferenciado, sem dúvida alguma, e acredito que ele também goste muito do clube.

ESPN - Como foi a conversa quando ele pediu para se desligar do Fortaleza e assumir o Cruzeiro em 2019?

Paz - Foi muito franca e não foi fácil. Era uma decisão muito complicada pra ele. Tentei persuadi-lo a não ir, mas ele tinha dado a palavra. Ele foi muito transparente. Foi uma conversa longa e sem mágoa ou chateação. Ficou aquele sentimento de que infelizmente ele escolheu ir, mas havia uma multa, que foi paga e ele saiu pela porta da frente.

ESPN - E para retornar? Imagino que tenha sido uma conversa ainda mais franca.

Paz - A conversa com ele é sempre muito franca, ele é muito honesto, e a gente já se conhece. Não foi fácil também. Quando eu disse a ele “Rogério vamos voltar?”, ele pensou um pouco antes de aceitar. Assim que desligamos o Zé Ricardo, fiz contato com ele e corri o risco de ele não aceitar. Minha primeira opção era o Rogério. Houve algumas conversas longas até ele aceitar, pois ele tinha receio, já que tinha saído em alta daqui. Mas ele voltou com a mesma condição de antes. A dúvida era mais questão de foco mesmo, se era o melhor momento para voltar ou se era momento de segurar e pegar outro clube no ano seguinte.

ESPN - Como está a ansiedade de retomar a participação em uma competição de porte maior que o Estadual, com a questão da pandemia?

Paz - Para ser sincero, fazer jogo é mais simples do que treino, porque tem suporte da federação. No treino, é só o clube. Vai ser um laboratório. A CBF fez contato com o nosso supervisor de operação de jogo, ele que teve mais contato. Eu acredito no rigor das outras equipes. Da nossa, a gente controla. Jogamos três vezes pelo estadual e tivemos zero problema, com jogadores todos testados, foi uma experiência positiva. Não vejo os jogadores com medo, sempre que tem um álcool-gel, as pessoas usam, haverá medição de temperatura ao entrar no estádio, todo o controle.

ESPN - O Fortaleza esteve em Brasília com o presidente Jair Bolsonaro, para falar da MP 984 e das questões dos direitos de TV. O clube integra aquele grupo dos oito times em litígio com o a Turner…

Paz - A questão da TV no futebol mundial é de extrema importância. Pode ver que em todas as grandes ligas, A TV é a fonte de receita principal e não pode ser ser desprezada nunca, é sempre fundamental para o planejamento econômico dos clubes, e tudo nos clubes parte do planejamento econômico. Se não há um cumprimento do que está estipulado nos contratos, há muito prejuízo. Especificamente sobre a Turner, porque a questão ainda está em discussão, eu prefiro não falar, mas tenho a esperança de que tudo será resolvido da melhor forma.

ESPN - O Fortaleza recebeu a aproximação de um investidor estrangeiro (o bilionário russo Ivan Savvidis, proprietário do PAOK, da Grécia). Em que pé está essa questão?

Paz - Houve contato em 25 de fevereiro, pré-pandemia. A gente estava pronto para ouvir, porque uma questão como essa, uma possibilidade de um aporte grande, sempre interessa. Mas, não houve mais contato desde então.

ESPN - Como imagina que vai ser o restante da temporada, com times tendo cronogramas de treinos bem diferentes uns dos outros?

Paz - O Brasileiro é o principal campeonato do ano, e como a gente já começou a jogar, vamos chegar no campeonato com lastro maior de jogos e minutagem. Será um calendário bastante apertado, não vamos chegar preparados, mas com um condicionamento melhor. Por outro lado, a “perna pode pesar” mais à frente, com muitos jogos quarta e domingo, com viagens.