A temporada 2019/20 na Inglaterra viu o Liverpool acabar com um longo jejum na Premier League, voltando a ser campeão depois de 30 anos. E na Championship, a 2ª divisão britânica, o tradicional Leeds United faturou a taça, conseguindo voltar à elite depois de 16 anos.
Por enorme coincidência, foi precisamente a mesma coisa que ocorreu há exatas três décadas: na temporada 1989/90, o Liverpool ganhou o Campeonato Inglês (que ainda era conhecida como Football League First Division, e não Premier League, como foi rebatizada em 1992), enquanto o Leeds festejou a Second Division.
Para celebrar a repetição histórica, a ESPN separou as histórias da temporada 1989/90 e mostra como eram Reds e Whites há 30 anos, e também o que aconteceu na sequência de suas consagrações como campeões nacionais.
O LIVERPOOL 1989/90
DESTAQUES DO ELENCO
O Liverpool de 1989/90 tinha diversos craques, sendo que alguns deles cansaram de ganhar títulos durante os anos 80 pelos Reds, como o goleiro Bruce Grobbelaar, o meia Ronnie Whelan, o winger John Barnes e o atacante Ian Rush.
Isso sem mencionar o atacante Kenny Dalglish, conhecido em Anfield como King Kenny, que ainda não havia se aposentado oficialmente como atleta e era, ao mesmo tempo, atacante e treinador do clube.
Além deles, havia bons "coadjuvantes", como os atacantes Peter Beardsley, Ronny Rosenthal e John Aldridge, autores de vários gols importantes na temporada, além dos meio-campistas Steve McMahon e Jan Molby e os zagueiros Steve Nicol, Alan Hansen, Gary Gillespie e Glenn Hysén.
Em suma: um timaço, que já havia sido multicampeão na Inglaterra e na Europa durante a década de 80, mas que ainda tinha fôlego para um pouco mais.
A CAMPANHA
No Campeonato Inglês, o Liverpool começou bem, mas depois acabou sofrendo uma série de tropeços, que derrubaram o clube para fora do top 4.
De dezembro em diante, porém, o time de Anfield emplacou uma série incrível, sofrendo apenas uma derrota (para o Tottenham) até o final do torneio.
No final das contas, os Reds foram campeões até com certa folga, terminando com 9 pontos de vantagem sobre o vice-campeão Aston Villa e ótimo saldo de gols: +41 (78 pró e só 37 contra).
O grande destaque do título foi John Barnes, que terminou como vice-artilheiro da liga (21 gols, atrás só de Gary Lineker, dos Spurs). Ian Rush, que sempre costumava decidir jogos importantes, contribuiu com mais 18.
Contra seus principais rivais, aliás, o Liverpool foi muito bem: um empate e uma vitória contra o Manchester United e dois triunfos em cima do Everton.
O título de 1989 foi ainda o 3º de Kenny Dalglish como manager do Liverpool (antes, ele havia vencido também em 1985/86 e 1987/88).
O QUE ACONTECEU DEPOIS
Mesmo tendo sido campeão inglês, o Liverpool foi impedido de disputar a Champions League na temporada 1990/91, já que a equipe foi banida de torneios internacionais depois do Desastre De Heysel, em 1985/86.
E o elenco tão vitorioso dos anos 80, já envelhecido, não conseguiu repetir no início dos anos 90 o sucesso da década anterior.
Mesmo com boa parte de geração vitoriosa ainda em ação, os Reds terminaram com o vice do Inglês, vendo o Arsenal bater campeão com 7 pontos de vantagem.
Nas outras competições, o Liverpool foi mal, caindo cedo tanto na FA Cup quanto na Copa da Liga Inglesa.
Não à toa, o time de Anfield viu algo bastante incomum no futebol europeu: três treinadores em uma mesma temporada.
Kenny Dalglish começou, Ronnie Moran assumiu após a saída do ídolo e Graeme Souness fechou o ano.
O LEEDS UNITED 1989/90
DESTAQUES DO ELENCO
O Leeds United tinha à época um belo elenco (ainda mais para o padrão da 2ª divisão), centrado principalmente em ótimas peças do meio-campo e do ataque.
No meio, os destaques eram o escocês Gordon Strachan e o galês Gary Speed, ambos lendas do futebol britânico e das seleções de seus países.
Havia ainda dois excelentes volantes defensivos: David Batty, que jogou muitos anos pela seleção inglesa, e o "carniceiro" Vinnie Jones, conhecido por jogar muito duro e também por, depois da aposentadoria, ter se tornado ator, participando de filmes famosos como "Snatch", "Jogos, trapaças e dois canos fumengantes" e da franquia "X-Men".
Já no ataque, as esperanças de gols residiam sobre o matador Lee Chapman e alguns coadjuvantes que contribuíam com tentos aqui e acolá.
A CAMPANHA
O Leeds começou a temporada com uma campanha excelente, dando a impressão que conquistaria o acesso e o título com um pé nas costas.
No entanto, do meio de novembro até a reta final, em abril, o time tropeçou bastante, permitindo a aproximação do Sheffield United.
A emoção foi enorme, e o título só foi decidido na última rodada, de maneira histórica e surpreendente.
Com uma suada vitória por 1 a 0 sobre o Bournemouth, o Leeds terminou empatado em 85 pontos com o Sheffield. No entanto, ficou com o título no saldo de gols (+27 contra +20).
E, além da taça, os Whites levaram o acesso automático à 1ª divisão, retornando à elite inglesa.
O QUE ACONTECEU DEPOIS
Na temporada seguinte, o Leeds manteve as peças mais importantes de seu elenco e mostrou que seu time era realmente de nível bem alto.
Tanto é que, mesmo tendo acabado de conquistar a promoção, a equipe fez uma campanha excelente na 1ª divisão, terminando em 4º lugar.
Ao todo, o time somou 64 pontos, terminando à frente do Manchester United e ficando atrás só de Arsenal, Liverpool e Crystal Palace.
Foi nesta temporada que Lee Chapman também provou-se um goleador de primeiro escalão, marcando 21 gols e terminando como vice-artilheiro (Alan Smith, do Arsenal, fez 22).
Nas outras competições, o Leeds foi até a 4ª rodada da FA Cup e chegou às semifinais da Copa da Liga, encerrando a temporada com resultados para lá de satisfatórios.
