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Cristiano Ronaldo, a evolução: salto no Manchester United, auge no Real Madrid e '9' na Juventus

Cristiano Ronaldo tem sido um artilheiro prolífico e uma força dominante em países como Inglaterra, Espanha e Itália durante sua ilustre carreira. Mas como o seu estilo de jogo mudou ao alcançar o sucesso com Manchester United, Real Madrid e Juventus?

Nota: Estatísticas e dados são medidos por 90 minutos via Opta e StatsBomb e com base nos jogos disputados por Cristiano Ronaldo antes da paralisação do futebol europeu em março.

Os primeiros anos (2002-06)

Cristiano Ronaldo estreou profissionalmente no Sporting aos 17 anos, entrando no intervalo da derrota em casa para o Partizan na Copa da Uefa. Você poderia dizer que ele não estava totalmente desenvolvido fisicamente; era alto e muito magro, com uma camisa que sobrava bastante.

O Sporting sabia que tinha algo especial em suas mãos, mas, como costuma acontecer com jogadores jovens, havia medo de que ele se esgotasse mentalmente. Além disso, talvez, falta de clareza sobre como usá-lo da melhor maneira.

O foco estava nas habilidades mais óbvias de Ronaldo: velocidade em espaços abertos, explosão e capacidade de vencer adversários no um contra um. O resto estava para ser descoberto; ele jogou de forma mais central às vezes na base, mas foi usado quase exclusivamente aberto no time profissional, como costuma acontecer com os jovens.

Dê a ele espaço. Deixe ele respirar. Deixe-o encontrar quem realmente é.

A maioria conhece a história de como Alex Ferguson ficou determinado a contratar Ronaldo depois de um amistoso entre Manchester United e Sporting, mas o United o acompanhava há algum tempo e, como podemos dizer, esse jogo não persuadiu Ferguson a contratar o jovem de 18 anos tanto quanto o convenceu a levar Ronaldo para Old Trafford imediatamente em vez de deixá-lo por uma temporada emprestado no Sporting.

O United fechou sua contratação à frente de vários outros clubes europeus, incluindo Arsenal, Valencia, Barcelona - sim, existe um universo paralelo em que Ronaldo e Lionel Messi são companheiros de equipe e mandam o esporte há 15 anos - e Parma, que tinha um acordo verbal com o Sporting.

O Ronaldo que chegou à Inglaterra - e herdou a camisa 7 de David Beckham - era muito próximo da versão do Sporting. Um talento bruto, pronto para ser moldado e com vontade de experimentar. Ele foi encorajado a se expressar, e isso geralmente significava uma coisa: ir para cima dos adversários.

Suas corridas confusas geralmente começavam nas laterais e o levavam por todo o campo, mas sua cabeça estava muitas vezes abaixada, e isso significava que ele perderia movimentações de companheiros de equipe ou deixaria de identificar o momento de finalizar. De fato, Guillem Balague observa em sua biografia de Ronaldo que, quando ele jogava como ponta tradicional, outros jogadores do United às vezes ficavam frustrados: "Por que ele simplesmente não chuta!?!”, Gary Neville pensava cada vez que via Ronaldo dar um toque extra e deixar passar a oportunidade de chutar a gol.

O centroavante Ruud van Nistelrooy estava entre os mais irritados, se movimentando por bolas que nunca chegaram e derrotando defensores por cruzamentos que nunca vieram. Ir de Beckham a essa versão de Ronaldo não foi fácil quando você era um atacante dependente de suprimentos.

As estatísticas da Premier League de Ronaldo desse período estão limitadas a gols e assistências, mas corroboram a ideia de que ele era um trabalho em andamento. Por 90 minutos, ele teve em média 0,2 assistências e 0,26 gols sem contar pênaltis, o que não é um número ruim para a idade dele, mas que também não oferece muitas pistas sobre o que aconteceria na próxima etapa de seu desenvolvimento.

Temos estatísticas mais detalhadas - embora com uma amostra menor - para o seu desempenho na Euro 2004, onde ele tinha 19 anos e saltou de paraquedas nos anos finais da Geração de Ouro de Portugal. Ronaldo tentou mais dribles (7,79) do que qualquer outra pessoa no torneio e ficou entre os líderes em chutes a gol com 4,1.

De maneira reveladora, e ao contrário da maior parte de sua carreira posterior, ele também estava entre os líderes do torneio em desarmes e interceptações (3,29). Estar no grande palco, com a pressão de jogar por uma nação anfitriã, talvez tenha lhe dado mais liberdade do que ele encontrou no United, um time veterano que vinha de anos de sucesso.

Que o domínio comece (2006-09)

No verão de 2006, o United tomou o que seria uma decisão fatídica, vendendo Van Nistelrooy ao Real Madrid e abrindo caminho para o desenvolvimento não apenas de Ronaldo, mas também de Wayne Rooney, outro jovem atacante nascido em 1985.

Van Nistelrooy, que tinha acabado de completar 30 anos, marcou 150 gols em todas as competições durante cinco temporadas, mas, em vez de substituí-lo diretamente, Ferguson entrou na temporada 2006-07 com um corpo de atacantes cujos membros tinham perguntas a responder.

Havia Rooney e Ronaldo, respectivamente, com 20 e 21 anos, além de Ole Gunnar Solskjaer, de 33 anos, que não era titular de um jogo de liga há dois anos, e Louis Saha, que fez apenas 24 gols em dois anos e meio de clube. Alan Smith também estava lá, mas uma lesão o atrapalhara.

O United não conseguiu vencer o campeonato nas três temporadas anteriores - a maior seca do clube em 15 anos - e terminou em média 14 atrás do primeiro colocado da época. Sua única nova contratação antes da temporada de 2006-07 foi Michael Carrick, um volante; essencialmente, Ferguson estava entregando as chaves do time a Ronaldo e Rooney.

Ronaldo se tornou o ponto de foco do ataque, ou melhor, porque Rooney também era um atacante pouco ortodoxo e não tradicional, a dupla era o centro de um ataque fluido, cada um reagindo ao movimento do outro. Ronaldo começou a explorar sua capacidade no jogo aéreo, marcando oito gols no campeonato em três temporadas de cabeça e superando amplamente os gols esperados - xG -, que somaram 3,03 naquele tempo.

Ele costumava ficar na direita, mas ocasionalmente jogava pelo meio ou pela esquerda, mas, de certa forma, onde começava importava menos do que onde acabava: em todo o campo, criando incompatibilidades e causando estragos. Ao assumir uma responsabilidade mais ofensiva, ele começou a dar mais chutes e teve uma média de mais de cinco por jogo, um número que permaneceria acima no restante de sua carreira no United.

Não apenas isso, mas, para usar o termo de Neville, ele começou a "soltar a perna" à distância. Dos 527 chutes de Ronaldo nessas três temporadas, quase 60% vieram de mais de 20 metros jardas de distância. Isso continuaria sendo uma marca registrada ao longo de sua carreira, embora sua eficácia nos chutes à distância tenha diminuído ao longo do tempo. O mesmo acontece com sua habilidade em bolas paradas; nesse período, ele marcou nove gols de cobrança de falta na liga.

Para acomodar a liberdade de Ronaldo, Ferguson adicionou atacantes em 2007 (Carlos Tévez) e 2008 (Dimitar Berbatov). Embora os dois tenham ajudado a dividir a carga, crucialmente, também não eram atacantes tradicionais que poderiam atrapalhar Ronaldo. Tévez, um pouco como o Rooney da época, era muito altruísta e raçudo, e Berbatov, apesar de oferecer menos em termos de velocidade e participação, gostava de encontrar um espaço mais profundo e muitas vezes priorizava encontrar companheiros de equipe em vez de marcar seus gols.

O United conquistou três títulos consecutivos de liga e, igualmente importante, se destacou na Champions League, alcançando uma semifinal e duas finais (vencendo em 2007-08).

Embora esta matéria seja principalmente sobre suas estatísticas individuais e como ele mudou e evoluiu, você não pode esquecer que o futebol é um jogo de equipe. E não é por acaso que seus últimos três anos no United, quando ele foi encarregado de carregar a equipe, coincidiram com o melhor período de três anos na história do clube.

O melhor Cristiano Ronaldo (2009-14)

Se dependesse dele, Ronaldo teria se mudado para o Real Madrid no verão de 2008. Em vez disso, ele fez a troca um ano depois, como parte de talvez a maior (e mais cara) reforma da história. Além de seu valor (recorde para a época) de 94 milhões de euros, Kaká, Karim Benzema, Xabi Alonso e Raul Albiol também foram para o Bernabéu como parte de uma onda de gastos de 250 milhões de euros para o novo técnico Manuel Pellegrini.

O retorno de Florentino Pérez como presidente anunciou uma nova "Era Galáctica” após a de Zinedine Zidane, Luis Figo e o Ronaldo original, mas a curva de aprendizado foi acentuada. A chegada de muitas estrelas, além de várias que já estavam lá, tornou difícil criar um time titular coeso, e a tarefa foi mais difícil porque eles estavam enfrentando o Barcelona de Pep Guadiola.

O Real Madrid terminou em segundo lugar em 2009-10, mas foi um time desarticulado que caiu da Champions League nas oitavas.

Ronaldo assumiu a responsabilidade, como havia feito no United. Ele liderou a equipe em chutes e dribles, e seu tempo foi dividido igualmente em qualquer lugar do ataque: esquerda, direita e centro. Ele terminou a temporada com 33 gols; 26 deles foram marcados em LaLiga.

As coisas mudaram quando José Mourinho substituiu Pellegrini. A relação entre a dupla portuguesa passaria por altos e baixos, mas o "Special One" rapidamente encontrou Ronaldo uma posição clara como ponta esquerda, com muita licença para ir para o centro. Ele ainda finalizou muito (média de 6,91 nas três temporadas de Mourinho), mas o fez de melhores posições (seu xG por chute dobrou para 0,12).

A abordagem de Mourinho foi ter menos posse de bola do que Pellegrini, e Ronaldo prosperou com maior confiança nas transições rápidas, enquanto se adaptava rapidamente a Higuaín e Benzema, que alternavam na frente.

Higuaín era mais um atacante na área, mas tinha a técnica e a visão para colocar pontas em condições de finalizar. Benzema, como Tévez e Rooney no United, cobriu grandes áreas no ataque, correndo incansavelmente e permitindo que Ronaldo tivesse liberdade. Os dois formariam um conjunto devastador pela maior parte da próxima década.

Ronaldo ainda estava muito no centro das atenções, mas uma personalidade desproporcional como Mourinho, que costumava agir de bom grado como um escudo para a mídia, desviou alguma atenção. A vida pessoal de Ronaldo também ficou mais tranquila: ele estava em um relacionamento estável e morava com sua mãe e filhos. Ele se tornou mais preocupado em preservar seu corpo e tirar o melhor proveito dele.

Trabalhando com Valter Di Salvo, o preparador físico do clube, Ronaldo desenvolveu e adotou um programa abrangente não apenas sobre condicionamento, mas também a nutrição e o sono. Tudo foi rastreado, desde migalhas de comida até minutos de recuperação. Foi durante esse período que ele também cresceu, adicionando músculos ao seu corpo.

Seu jogo se tornou mais essencial, mais direto, mais funcional. Suas tentativas de drible caíram anualmente, de 6,26 em 2009-10 para 3,93 em 2012-13, a última temporada de Mourinho. Por outro lado, seus gols aumentaram: Ronaldo marcou em média 30 gols sem contar pênaltis no campeonato durante as três temporadas de Mourinho.

A temporada 2012-13 também foi reveladora em termos de seu papel como líder. Mourinho entrou em guerra com a mídia, jogadores e clubes adversários quando o Real terminou 15 pontos atrás do Barcelona, e Ronaldo, que antes liderava principalmente pelo exemplo, tornou-se uma voz importante no vestiário. Ele defendeu seus companheiros de equipe.

O verão de 2013 viu a chegada de Gareth Bale, cujo valor de transferência foi um pouco mais alto que o de Ronaldo, embora o clube tenha feito parte de seu contrato para que isso não fosse divulgado. Ronaldo permaneceu a peça central do time, com Bale à outra ponta. O novo técnico Carlo Ancelotti, de acordo com seu modus operandi, tentou reter partes da configuração de Mourinho enquanto adicionava seus próprios ajustes.

A ideia era dar a Bale, Benzema e Ronaldo - o trio que seria conhecido como "BBC" - ainda mais liberdade. Mesut Ozil, que era um dos que mais dava passes para Ronaldo, foi vendido ao Arsenal, enquanto Higuaín foi para o Napoli, transformando Benzema em titular absoluto.

Ronaldo tornou-se ainda mais um finalizador - pela primeira vez em sua carreira, ele chutou mais de perto do que de longe - e suas tentativas de drible aumentaram. O BBC foi apoiado por um meio-campo formado por Luka Modric, Angel Di Maria e Xabi Alonso, e essa combinação ajudou, em maio de 2015, a levar o Real Madrid a uma tão aguardada ‘La Decima’, o décimo título de Champions League da história do clube.

O nascimento de um centroavante (2014-16)

Sem dúvida, Ronaldo estava tendo a melhor temporada de sua carreira em 2013-14 - no metade da temporada de LaLiga, ele havia marcado 22 gols, além de outros nove na Champions League -, mas um problema no joelho lhe atrapalhou muito. Ele perdeu várias semanas em fevereiro e abril, além de outras três em maio, antes de voltar para a final da Champions.

Ele insistiu em jogar mesmo com lesão e sua produção permaneceu consistente, mas estava lutando e continuaria a fazê-lo na Copa do Mundo, onde marcou apenas uma vez enquanto via Portugal caindo na fase de grupos.

Enquanto trabalhava para voltar em 2014-15, seu corpo começou a mudar novamente. Ele começou a perder massa, ficando mais magro. Parte disso era para aliviar um pouco o joelho, parte para explorar melhor algumas das diferenças que surgiam em seu caminho.

Ronaldo gradualmente se tornou um centroavante de fato, forte demais para a maioria dos laterais, mas ainda rápido o suficiente contra a maioria dos zagueiros. Não foi algo que aconteceu do dia para a noite, de forma alguma. Em 2014-15, ele tentou apenas 3,62 dribles, a menor marca de sua carreira, e teve sucesso em menos da metade do tempo (1,8).

O joelho, evidentemente, ainda o estava incomodando, e isso também pôde ser visto em seu trabalho sem a bola. Ele nunca foi o mais esforçado quando estava sem a bola, mas em 2014-15 ele registrou 0,34 desarmes e interceptações a cada 90 minutos, ocupando o último lugar em LaLiga.

Mas ele se movia como um centroavante quando o Real Madrid tinha a bola. Lembre-se de que quase 60% de seus chutes foram de mais de 20 metros durante seus últimos dias no United? Agora, a proporção foi revertida e quase 60% vinham de dentro da área. Sua habilidade de finalizar e talento para antecipar os defensores fizeram toda a diferença, e ele terminou com monstruosos 48 gols em LaLiga (61 no total) em 2014-15.

A tendência continuou na próxima temporada com Rafa Benítez, com quem ele entrou em conflito e sobre quem ele foi duramente crítico depois que Benítez foi demitido em janeiro de 2016. Eles claramente não estavam de acordo, mas isso não impediu Ronaldo de ter outra temporada impressionante estatisticamente, em parte porque ele finalmente estava totalmente em forma.

Ele marcou 29 gols em LaLiga sem contar penalidades, mantendo o volume de chutes de quase seis por jogo, registrando 0,14 xG a cada partida. Ele havia refinado seus movimentos na área, desenvolvendo ainda mais um senso de onde a bola iria estar.

Ronaldo continuou a driblar menos em relação às temporadas anteriores, principalmente porque estava operando perto do gol. Ele marcou 16 vezes em competições internacionais e, depois que Zidane substituiu Benítez, o Real Madrid venceu a Champions em maio de 2016.

A vida como um ‘trintão’ (2016-presente)

Ronaldo finalmente venceu um grande torneio internacional quando Portugal derrotou a França na final da Eurocopa de 2016, mas precisou sair após 25 minutos por conta de lesão, e os agravados problemas no joelho fizeram com que perdesse não apenas a pré-temporada, mas também as primeiras semanas da temporada.

As próximas duas temporadas no Real Madrid deram a entender que o clube pretendia vencer enquanto a janela de oportunidade ainda estava aberta e, com um elenco praticamente inalterado, chegaram e venceram mais duas finais da Champions League, um tricampeonato europeu, enquanto também venceu LaLiga em 2016-17.

Nesta época, Ronaldo tinha pouco mais de 30 anos e, juntamente com muitos de seus colegas de equipe, contava com mais técnica e experiência mais que atletismo. Como equipe, muitas vezes parecia que eles estavam no controle de tudo, simplesmente se esforçando mais quando o jogo pedia. É o que você espera de um time experiente.

Ronaldo se encaixa nesse novo ecossistema. Em 2016-17, ele marcou 19 gols na liga sem contar penalidades, o menor total desde que chegara ao Bernabéu; no ano seguinte, ele fez 23, sua terceira marca mais baixa. Seus chutes caíram para 5,88 nos dois anos, menor marca desde que chegou ao Real.

Além disso, ele raramente driblou (2,39 tentativas) e, quando o fez, não foi particularmente eficaz (teve sucesso apenas 0,99 vezes). Da mesma forma, ele raramente finalizava à distância, com uma média de 43,5 tentativas por temporada, menos do que em qualquer uma da década anterior. Ele foi ineficaz quando arriscou, marcando apenas três vezes.

Não foi necessariamente um declínio, especialmente olhando para os números gerais e sua capacidade de executar quando realmente importava. Os 86 gols em todas as competições nesses dois anos foram apenas menores que a marca de Messi, e sua liderança permaneceu inquestionável, com ele entregando sempre nos momentos cruciais.

Veja suas atuações nas fases mata-mata da Champions League 2016-17: cinco gols em duas partidas contra o Bayern de Munique nas quartas de final, um hat-trick contra o Atlético de Madrid na semifinal e dois contra a Juventus na final. Naquele ano, ele também marcou cinco gols nos últimos cinco jogos de LaLiga, todos com vitórias que possibilitaram a conquista do título.

No ano seguinte, ele marcou cinco vezes nas fases finais da Champions, com o Paris Saint-Germain e a Juventus entre suas vítimas. Na Copa do Mundo, seu hat-trick no jogo de abertura contra a Espanha serviu como outro lembrete do que ele ainda era capaz de fazer.

Portugal saiu nas oitavas, e Ronaldo foi para a Juventus. Ele tinha 33 anos e, em retrospectiva, é difícil exagerar a transição que ele teve que fazer depois de nove temporadas no mesmo clube. Não se tratava apenas de se adaptar à Série A, mas também de se encaixar em um time que fora muito bem-sucedido no país, jogando de uma maneira que não era necessariamente adequada ao seu conjunto de habilidades.

O Real Madrid sob o comando de Zidane e a Juventus sob o comando de Max Allegri em 2017-18 eram times muito diferentes. O Real finalizava 4,2 vezes mais por jogo; seu xG era 30% maior; eles pressionaram muito mais e criaram mais chances pressionando. Allegri foi encarregado de fazer o estilo da Juventus se encaixar com o de Ronaldo, além de entregar resultados.

Estava longe de ser simples, então talvez não seja uma surpresa que muitos de seus números tenham caído ainda mais, uma tendência que continuou na temporada atual. Maurizio Sarri substituiu Allegri e, em teoria - como um treinador mais ofensivo -, deveria ter sido melhor para Ronaldo.

No entanto, depois de cinco anos sob o comando de Allegri, toda a equipe achou difícil a transição, e Sarri lutou para que seu novo esquadrão jogasse consistentemente da maneira que ele queria. Em retrospecto, anunciar no início da temporada que Ronaldo "não precisava se preocupar" com instruções táticas e que o resto do time trabalharia para ele, pode não ter sido uma ótima ideia para o novo chefe da Velha Senhora.

Essa combinação - uma equipe instável, mudança de comando técnico, uma filosofia que se desvia do espírito do Real Madrid - não foi fácil para Ronaldo.

Antes da paralisação da Série A em março, seus gols sem contar penalidades máximas (0,50 no ano passado, 0,60 nesta temporada) caíram para níveis nunca vistos desde o último ano em Old Trafford; o total de chutes caiu (5,36 e 5,44); e seu xG (0,60 e 0,48) caiu para níveis nunca vistos desde sua primeira temporada na Espanha. Sua proporção de chutes à distância ficou alinhada com as cinco temporadas anteriores (37,7%), mas ele marcou com pouca frequência em chutes à distância: um gol em 112 tentativas pela Juve veio além de mais de 20 metros.

Seus toques na área, por outro lado, estão bem altos (8,44 na última temporada, 13,43 este ano, o que é mais alto do que nunca para ele, exceto um ano no Real Madrid). Isso sugere que seus companheiros de equipe estão determinados a encontrá-lo, mas talvez não levem necessariamente a bola para ele, onde ele pode machucar os adversários tão frequentemente quanto no passado.

É difícil separar o estilo de jogo da Juventus e a mudança de comando técnico das próprias performances de Ronaldo, e não há dúvida de que este é um jogador diferente que, talvez compreensivelmente com a idade, não está atingindo os níveis absurdos de temporadas passadas.

A questão é como ele se adaptará a essa "nova normalidade" e se (ou quando) a Juventus estiver recuperada, ele voltará a ser algo próximo do que era, se vai se reinventar novamente ou se, em seus 30 e poucos anos de idade, o tempo finalmente vai chegar até ele.