<
>

Grêmio: Tetê a Renato Gaúcho e Romildo após título no Shakhtar: 'Devem colocar a cabeça no gelo'

Tetê deixou o Grêmio sem jamais jogar no profissional rumo ao Shakhtar Donetsk pouco depois de completar 19 anos, em fevereiro de 2019, vendido por 15 milhões de euros (R$ 63 milhões na cotação da época). No último sábado (20), ele saiu do banco de reservas, fez dois gols em 18 minutos, ajudou o time ucraniano a virar sobre o Oleksandria por 3 a 2 e, com o triunfo, sagrar-se tetracampeão nacional (2017, 2018, 2019 e 2020). Acertou ao sair tão cedo do Brasil? Foi preterido na equipe gaúcha? Ele mesmo responde.

"Acho que o jogador não precisa falar, basta mostrar dentro de campo o rendimento dele", afirmou, a princípio, em entrevista exclusiva à ESPN Brasil.

Mas Mateus Cardoso Lemos Martins, o Tetê, gaúcho de Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre, tinha muito mais a dizer sobre como foi sua saída do Grêmio, como se deu todo o processo com Romildo Bolzan Júnior e se houve algum contato com Renato Gaúcho. "Acho que tudo isso é para botar a cabeça no gelo e pensar um pouco", disse ele, em relação a presidente e técnico.

Mas antes de entrar nos detalhes sobre a dupla, o guri explicou a sua participação decisiva no jogo que rendeu a taça do Campeonato Ucraniano ao Shakhtar, de outros 11 brasileiros, entre eles, Dentinho, Dodô, Taison, Alan Patrick, Marcos Antônio, Marquinhos Cipriano e Fernando. Do banco de reservas, quando o time perdia por 2 a 1, ele deu um "sinal" ao técnico português, Luís Castro, de que estava "pronto".

Entrou aos 12 minutos do segundo tempo. Marcou aos 15 e aos 33. E essa não foi a primeira vez que o atacante fez dois gols em partida valendo título, no ano passado, na final da Copa da Ucrânia, já tinha feito o mesmo nos 4 a 0 sobre o modesto Inhulets Petrove.

"Pode esperar um Tetê mais dedicado ainda, não é porque eu fiz dois gols decisivos que eu vou parar, a minha carreira está só começando. Procuro sempre evoluir. Especialmente a parte física, foi uma coisa que me tocou muito por aqui, é diferente. No Brasil, tem mais espaço. Aqui é tudo junto, você dribla um, já tem outro, o espaço é mais curto", disse.

A adaptação ao futebol internacional foi facilitada pela presença de outros 11 brasileiros no elenco, além da comissão técnica portuguesa. A cria gremista elogiou bastante o companheiro de clube de quem é mais próximo: "O Dentinho, que é um cara que tem bastante moral, jogou e fez história no Corinthians, um cara que me ajuda bastante aqui, me dá muitos conselhos, isso foi muito bom para mim."

Grêmio, Romildo, Renato...

O sucesso rápido no Shakhtar, que lhe rendeu a indicação ao Golden Boy [Garoto de Ouro], premiação concedida pelo jornal italiano Tuttosport ao melhor jogador sub-21 em atividade na Europa (Messi, Agüero, Isco, Pogba, Sterling e Mbappé são alguns que já levaram a honraria), evidencia a dúvida sobre as razões por não ter sido aproveitado no Grêmio - que pelos seus 60% dos direitos econômicos embolsou R$ 42 milhões com o negócio (na cotação da época), os outros 40% eram de atleta e empresário.

Tetê detalha tudo abaixo, citando Romildo Bolzan e Renato Gaúcho.

"Eu estava pedindo uma oportunidade para jogar no profissional. Como eu estou provando aqui, eu já estava pronto para jogar no profissional e as coisas não aconteceram. Eu e o Pablo [Bueno, empresário do atleta] conversamos com o presidente pedindo uma oportunidade. Mostramos a proposta, ele achou que não era verdade. A projeção [de jogar no time principal] era para daqui dois anos, aí eu teria então uma chance no profissional com 20, 21 anos."

"E poderia passar o tempo, tem jogador que surge com 20 e poucos, 23 anos, e não tem mais espaço na Europa. A proposta do Shakhtar era boa para mim e para o clube também, então, a gente optou por vir para cá. Está dando tudo certo! Estou jogando! Para quem dizia que eu não estava pronto, acho que tudo isso que está acontecendo é para eles botarem a cabeça no gelo e pensarem um pouco", afirmou.

Questionado se chegou a ter contato com Renato Gaúcho, técnico que é conhecido por promover os atletas da base ao elenco principal, Tetê disse que nunca teve a chance de conversar com o treinador. "Nunca nem fui procurado", disse.

E o que o atacante teria falado ao técnico se tivesse sido procurado?

"Acho que o jogador não precisa falar, basta mostrar dentro de campo o rendimento dele. Ele foi uma das pessoas que disse que eu não estava pronto, agora vem tudo à tona", respondeu.

Renato Gaúcho respondeu, em fevereiro de 2019, sobre Tetê não ter tido chance no profissional; assista

Tetê finalizou falando sobre estar entre os seis brasileiros que figuram na lista dos 100 concorrentes ao prêmio do veículo italiano. "Essa premiação do Golden Boy foi algo muito especial, porque estar entre os melhores do sub-21 do mundo é algo impressionante, então, acredito que meu trabalho está sendo recompensado. Eu continuo fazendo o meu trabalho."