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Champions League: Tetê, ex-Grêmio, não toma refrigerante desde os 12 e vale R$ 275 milhões

Mateus Cardoso pode ser um nome desconhecido para a maioria das pessoas. Mas agora quando Tetê pega a bola e parte para cima dos adversários, ele já é conhecido.

“Desde garoto eu jogava bola na rua e amo o futebol. Quero estar sempre vivendo isso. Eu já nasci com a bola debaixo dos braços”, comenta o jogador em entrevista ao ESPN.com.br.

Aos 19 anos, Mateus Cardoso, ou simplesmente Tetê, deixou o Grêmio em fevereiro de 2019 para embarcar em um sonho na Europa. Saiu de futura promessa para realidade no Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. E que realidade. Contra o Manchester City, pela Champions League, Tetê foi eleito o melhor em campo, em um jogo que teve craques como De Bruyne, Agüero, Sterling e outros em campo.

“Jogar a Champions é uma experiência única e um sonho de garoto. Pude ajudar a equipe e estamos no caminho certo para as coisas acontecerem”.

O crescimento foi tanto na Ucrânia em pouco tempo, que gigantes do futebol já estão interessados no seu futebol. E o Shakhtar não libera por menos de 50 milhões de euros (R$ 275 milhões). O Grêmio ainda detém 15% em uma futura venda do jovem.

Mas de onde surgiu Tetê, que tem Pelé como ídolo, não toma refrigerante desde os 12 anos, já deu chapéu em Kannemann e é conhecido por “Furacão”?


O apelido “Furacão”

Com oito anos, Tetê já estava no Grêmio. De Alvorada, cidade próxima a Porto Alegre, o menino despontou e foi descoberto na rua mesmo.

“Eu comecei jogando na rua e na frente da minha casa tinha um campo. Estava jogando e o Pablo Bueno (empresário do jogador até hoje) me descobriu porque o pai dele e o meu são amigos de infância. Meu pai falava de mim, o Pablo me viu e me levou ao Grêmio”.

Passou toda a categoria de base já encantando com dribles plásticos e o potencial de ser uma nova estrela do Tricolor Gaúcho.

Até que um jogo mudou toda a sua história.

Tetê infernizou a defesa do Figueirense na Copa do Brasil Sub-17 de 2017. Fez três dos cinco gols do time gaúcho nos dois jogos.

“Fiz dois gols numa das partidas, dei chapéu e caneta. Depois do jogo, na entrevista, fui chamado de ‘Furacão’. Gostei do apelido”.

E o “Furacão” seguiu dando trabalho aos defensores. Num dos treinos da base gremista contra o plantel principal, um lance chamou a atenção de todos.

“Dei um chapéu no Kannemann”.

Apesar disso, não atuou pela equipe principal do clube gaúcho.


“Eu me inspiro em Pelé”

Todos jovens atletas têm ídolos. Craques que fazem modelar o jogo, uma inspiração para o futuro na carreira.

Com Tetê não é diferente. E o seu ídolo é “só” o “rei do futebol”.

“Meu ídolo é o Pelé, porque dentro e fora de campo é uma pessoa humilde. Ele não dava dribles para humilhar e sim o que precisava fazer. Era uma pessoa respeitada e parou uma guerra. Assisto direto os vídeos dele antes dos jogos. Desde pequeno meu pai falava sobre o Pelé, me apaixonei por ele, pela pessoa e pelo jogo dele. Ainda não tive a felicidade de conhecê-lo, mas logo isso vai acontecer. Eu quero encontrá-lo”.

E a inspiração em Pelé fez até Tetê colocar no seu arsenal de dribles, um bem característico da lenda do futebol.

“Gosto de fazer nos treinos e jogos um drible dele que é tabelar com a perna do adversário e pegar a bola na frente. Esse drible é muito marcante e acho muito legal mesmo! Já fiz várias vezes”.


Refrigerante, nem pensar!

Pergunte a qualquer criança se elas gostam de tomar refrigerante. A grande maioria delas vai ficar com “água na boca” e falar que sim.

Mas foi na infância, aos 12 anos, que Tetê mudou seu comportamento. Largou o refrigerante e as "porcarias". Passou a comer de forma regrada e saudável. Uma ação incomum para jovens.

“Nós cuidamos da alimentação dele desde pequeno. Ele não come besteiras como bolacha, salgadinho, hambúrguer, pizza, e não bebe refrigerante desde os 12 anos. Ele bebe muita água e come comida de atleta mesmo”, comenta Pablo Bueno, empresário do jogador. Tetê vive com Pablo desde a infância.

“Nosso corpo é a nossa ferramenta de trabalho e precisamos cuidar dele para sempre ter bons resultados em campo”, complementa Tetê.

O jogador trabalha em um turno no Shakhtar Donetsk e no inverso tem um próprio técnico para melhorar a parte física e técnica.


Nesta quarta-feira (11), Tetê e o Shakhtar seguem sua batalha para se classificar às oitavas de final da Champions League. Os ucranianos recebem a Atalanta, em casa, a partir das 14h55 (hora de Brasília).

Uma vitória classifica os ucranianos ao mata-mata. Tetê e seus dribles vão encantar mais uma vez e ajudar o Shakhtar a vitória?