Marcus Rashford posicionou-se publicamente com uma emocionante carta para que o governo repense a ideia de não manter um vale alimentação que havia criado para crianças carentes que dependiam das refeições escolares.
A medida foi aplicada em meio à pandemia do coronavírus, mas o governo decidiu não mantê-la durante o período das férias de verão.
Com isso, o atacante do Manchester United escreveu uma carta fazendo um apelo para que a decisão seja reconsiderada e citou o seu próprio exemplo, falando da importância da contribuição da comunidade a famílias mais humildes.
“Entenda: sem a gentileza e generosidade da comunidade que eu tinha ao meu redor, não haveria o Marcus Rashford que você vê hoje: um negro de 22 anos que teve a sorte suficiente de fazer uma carreira jogando um jogo que eu amo”, diz trecho da carta do jogador da seleção inglesa.
“Isso não é sobre política. Isso é sobre humanidade. Olhando a nós mesmos no espelho e sentindo que fizemos tudo o que pudemos para proteger aqueles que não podem, por qualquer razão ou circunstância, se protegerem. Afiliações políticas à parte, não podemos todos concordar que nenhuma criança deveria ir para a cama com fome?”, afirma.
“A pobreza alimentar na Inglaterra é uma pandemia que pode durar gerações, se não formos corretos agora. Enquanto 1,3 milhão de crianças na Inglaterra estão registradas para ter refeições escolares gratuitas, um quarto dessas crianças não recebe apoio desde que o fechamento das escolas foi ordenado.”
“O governo adotou uma abordagem 'do que for necessário' para a economia - hoje estou pedindo a vocês que estendam esse mesmo pensamento para proteger todas as crianças vulneráveis em toda a Inglaterra.”
A decisão do primeiro-ministro Boris Johnson foi mantida, rejeitando o apelo do jogador.
"O primeiro-ministro entende as questões que enfrentam as famílias no Reino Unido, e é por isso que o governo anunciou um valor adicional de 63 milhões de libras para autoridades locais para beneficiar famílias que estão com dificuldade para conseguir comida e outros itens básicos", disse o porta-voz do primeiro-ministro.
An Open Letter to all MPs in Parliament...#maketheUturn
— Marcus Rashford (@MarcusRashford) June 14, 2020
Please retweet and tag your local MPs pic.twitter.com/GXuUxFJdcv
"O primeiro-ministro irá responder a carta de Marcus Rashford o mais breve possível. Ele está usando seu perfil de uma forma positiva para destacar algumas questões muito importantes."
Porém, Rashford segue focado em seu propósito. "Não fomos vencidos ainda, permanecemos fortes pelas 200 mil crianças que ainda não tiveram uma refeição para comer hoje e sigam retweetando #maketheUturn”, escreveu em sua conta no Twitter.
