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Premier League: Por que a ida de Timo Werner ao Chelsea é um alerta para o Liverpool?

Timo Werner e Liverpool pareciam uma combinação tão óbvia. Ele é um atacante rápido e móvel, capaz de entrar direto no sistema de Jurgen Klopp em Anfield, além de ser um jogador, com uma cláusula de liberação de 49 milhões de libras (R$ 308 milhões) no RB Leipzig, que também faria jus à política do clube de encontrar bons valores no mercado inflado dos dias atuais.

O alemão é admirado por Klopp, e Werner elogiou bastante o técnico do Liverpool e sua equipe nos últimos meses - destacando as qualidades positivas de Klopp e do time. Mas a não ser que o Liverpool faça uma oferta de última hora para reentrar na corrida e tentar tirar Werner da mira do Chelsea, um dos talentos mais procurados do futebol europeu estará atuando em Stamford Bridge na próxima temporada, e não em Anfield.

Fontes disseram à ESPN que o Chelsea concordou em ativar a cláusula contratual de 49 milhões de libras, enquanto o interesse do Liverpool em Werner esfriou nas últimas semanas. O custo total do acordo - 200 mil libras por semana em salários em um contrato de seis anos - havia se tornado um problema para o Liverpool, mas se Werner estivesse decidido a ir mesmo para Anfield, eles poderiam chegar a um acordo.

No entanto, Werner também tinha ponderações quanto à ida para o Liverpool. Essa relutância é um sinal de alerta para os Reds sobre os desafios que agora enfrentam em termos de se estabelecerem como a força dominante no futebol inglês.

Se fortalecer no topo sempre foi um elemento crucial em manter o sucesso, mas não é fácil. Às vezes, uma equipe pode parecer muito forte, deixando alguns jogadores questionarem se preferem jogar mais minutos a vencer títulos. Tendo se tornado indispensável no Leipzig, marcando 92 gols em 154 jogos, fontes disseram à ESPN que Werner não deseja ser reserva do seu novo clube e isso é uma preocupação genuína, já que o ataque do Liverpool - Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino - é um dos mais formidáveis de todo o mundo.

Werner deu a entender seu dilema em março, quando admitiu que teria que considerar seu próximo passo com cuidado.

"No momento, no futebol profissional, existem duas variações diferentes", ele disse à Sky Sports. "O primeiro é fazer parte de uma equipe como Liverpool ou Manchester City. Eles têm boas equipes e grandes treinadores. Mas esta é a pergunta: é difícil jogar para quem já está lá. Você quer mesmo fazer parte disso? Esse é um ponto que você deve observar".

"O outro lado são equipes que precisam de grandes mudanças, porque ganharam títulos, mas não conseguem mais competir no mais alto nível. Para mim, o Manchester United é uma dessas equipes. Então, neste momento da minha carreira, me pergunto: quero fazer parte de uma nova equipe, criar algo novo ou quero ficar na minha equipe e fazer algo ótimo?"

A resposta parece ser que Werner quer ajudar a construir algo novo no Chelsea, em vez de lutar pelo direito de jogar no Liverpool e ajudar a equipe de Klopp a construir uma dinastia.

Eden Hazard tomou uma decisão semelhante em 2012 quando, depois de passar meses conversando com o Manchester City e o Manchester United, ele assinou contrato com o Chelsea, que havia acabado de vencer a Champions League depois de terminar em sexto, 25 pontos atrás do City e do United, na Premier League. City e United eram os grandes estabelecidos na época, mas poucos podem argumentar que Hazard fez a escolha errada, considerando que ele ganhou seis títulos importantes, incluindo dois títulos da Premier League, durante seus sete anos em Stamford Bridge.

Se contratar Werner, o Chelsea terá dado uma declaração de suas intenções, além de ter conseguido oferecer caminho livre para o atacante chegar e jogar, enquanto o Liverpool simplesmente não conseguiu.

O Liverpool foi justamente elogiado como líder no mercado de transferências nos últimos anos com uma estratégia de recrutamento que viu a equipe subir ao topo, acelerada pelas contratações de Mané, Salah, Virgil van Dijk e Alisson, entre outros. Mas todas essas contratações tomaram os lugares de jogadores inferiores. Eles foram contratados para jogar e mantiveram esse status desde então. Os tempos mudaram, no entanto, e há muito poucos jogadores que Klopp poderia contratar agora, que seriam considerados titulares, especialmente nas posições de ataque.

Kylian Mbappé, do Paris Saint-Germain, entraria na equipe, mas não há muitos outros. O Liverpool adoraria contratar o jogador de 21 anos, mas eles precisariam aumentar seu plano financeiro para entrar na conversa pelo jogador de 200 milhões de euros.

Como e se o Liverpool dará esse salto em frente e se fortalece enquanto está no topo é um desafio que Klopp e a diretoria do clube devem enfrentar. Eles fizeram apenas uma contratação - 7,65 milhões de libras pelo o atacante do Salzburg, Takumi Minamino, em janeiro - desde o início da temporada 2018-19, então eles precisam de sangue novo para apimentar a competição por vagas em Anfield. Mas a iminente ida de Werner para o Chelsea mostra ao Liverpool que ser o melhor nem sempre é uma vantagem no mercado de transferências.