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Conheça Ndidi, o menino do amendoim que jogava escondido do pai e passou a brilhar graças ao Milagre de Dammam

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Efeito impossível? Ndidi, do Leicester, faz chute mais impressionante dos últimos tempos em casa (0:15)

Volante do time inglês abusou da qualidade nessa finalização - Instagram @lcfc (0:15)

Contar a história de Wilfred Ndidi é contar mais uma história de um menino africano que conheceu uma nova oportunidade na vida através dos campos de futebol. Só que, para que o menino conseguisse sonhar com o mundo da bola, Ndidi foi desde cedo desafiado a driblar a forte marcação que o pai exercia dentro de casa.

Filho de um militar e de uma vendedora de frutas, o pequeno Ndidi não tinha tempo, condição financeira e nem apoio do pai para jogar bola. A vida era dividida entre os estudos e a feira, onde ele era conhecido como o menino do amendoim.

A banca não tinha só amendoim. Ndidi vendia de tudo um pouco e, se as vendas fossem rápidas, ele dava ainda um jeito de lavar um carro para levar dinheiro para casa e alimentar o sonho de comprar uma chuteira.

As constantes viagens de seu pai eram vistas como a possibilidade de jogar mais futebol, e ele aproveitava. Muito. Entre a vida na escola, a necessidade na feira e os campos de futebol, não é preciso ser muito esperto para perceber o que o menino preferia. E ele passou a se destacar.

Aos meninos nigerianos era contada a história de uma façanha: a Copa do Mundo para jogadores até 20 anos, realizada na Arábia Saudita, em 1989. Nigéria e Mali eram os representantes africanos. Mali foi muito mal e não saiu da fase de grupos, mas a Nigéria estava bem e conquistou a vaga para o chamado Milagre de Dammam.

Classificada em segundo do grupo que teve Portugal como líder, a Nigéria foi para a disputa eliminatória contra a seleção de segundo melhor ataque da competição, a União Soviética.

O primeiro tempo terminou com um tranquilo 2 a 0 para os soviéticos. A conta ficou ainda maior e chegou a 4 a 0. A Nigéria esboçou a reação e diminuiu aos 16 minutos do segundo tempo. O segundo gol saiu e o que se viu depois é contado de geração em geração no país africano. Em dois minutos a Nigéria marcou o terceiro e o quarto, que foi muito bonito. A disputa foi para os pênaltis, e a Nigéria avançou.

E não é que Nduka Ugbade, o herói e autor do quarto gol da seleção nigeriana, gostou de ver Ndidi treinar? Ugbade deve ter contato outras tantas histórias daquela seleção, e Ndidi passou a fazer parte da vida do ídolo.

Ndidi conquistou o seu lugar na Nath Boys Academy, uma escolinha de futebol em Lagos, e depois na Bélgica, defendendo o Genk. O entusiasmado garoto de 20 anos não sabia que o Leicester, que fazia campanha de título na Premier League, já observava seus passos.

Ele chegou ao Leicester e já está na sua terceira temporada por lá. O menino do amendoim, que jogava futebol escondido do pai, é titular do time de Brendan Rodgers e também da seleção de seu país. Titular da seleção que Ugbade um dia defendeu.

Logo após a estreia na Copa do Mundo da Rússia em 2018, chateado com a derrota, Ndidi pegou o telefone e buscou consolo ligando para o ídolo que um dia ofereceu a ele a oportunidade de não precisar mais vender amendoins.