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George Best: o ídolo do Manchester United que tinha 'mágica nos pés e um botão de autodestruição na alma'

Um dos grandes jogadores da década de 1960 e ídolo do Manchester United, George Best completaria 74 anos nesta sexta-feira (22/5).

Best foi conhecido como um dos melhores pontas que o futebol já teve. Sua velocidade e controle de bola, aliado aos dribles, o transformaram rapidamente em um astro nos campos ingleses.

Virou um dos primeiros popstars do futebol e foi peça fundamental nos Red Devils na conquista de títulos após o trágico acidente de Munique, que vitimou oito jogadores e três membros do estafe do clube em fevereiro de 1958.

Ele também teve uma queda meteórica após problemas com alcoolismo e sintomas de depressão. Depois de 11 temporadas no United, passou por outros 17 clubes entre 1974 e 1984.

Entre as idas e vindas na relação tortuosa e prejudicial com a bebida, faleceu em 25 de novembro de 2005. Tinha 59 anos.

Sua vida é retratada no documentário "George Best: All By Himself", produção da série 30 for 30 que está disponível no ESPN App.

Você pode ver todas estas produções e muitas outras quando e onde quiser no ESPN App.

ASCENSÃO

Best estreou no Manchester United, aos 17 anos - e já como titular.

Dois anos depois, se tornou uma superestrela, após dois gols em uma vitória por 5 a 1 sobre o Benfica na então Copa dos Campeões. Apelidado de "O Quinto Beatle", virou febre na Inglaterra.

Virou também alvo dos jornais e tablóides, era seguido por fãs e assinou contratos para propagandas de produtos variados, algo impensável para um jogador de futebol à época.

A glória máxima veio em 1968, aos 22 anos, quando conquistou com o clube a antiga Champions League e foi eleito o Bola de Ouro pela revista France Football.

Mas a noite do título europeu foi também a noite em que tudo começou a mudar para sempre.


QUEDA

"Ele sempre disse para mim que, no auge de tudo aquilo, no chuveiro, depois da final da Copa dos Campeões, ele imediatamente se sentiu deprimido, porque achou que nunca mais vivenciaria algo assim"Bill McMurdo, empresário

O relato do empresário Bill McMurdo ao documentário indica o outro lado da personalidade de Best. E que pioraria após Matt Busby se aposentar e virar dirigente do clube.

O United decaiu, e Best também. Seus problemas com a bebida aumentaram. Ele chegou a sumir do clube, e os tabloides viram uma oportunidade ímpar de explorar suas festas e frases explosivas.

O "porquê" da relação com a bebida tem algumas explicações. Mas talvez o próprio Best tenha a melhor resposta. Em trechos de entrevistas recuperadas pela produção do filme, ele diz:

"Uma vez que a diversão do futebol não existia mais, eu comecei a procurar alternativas para substituir a emoção que sentia com o futebol. (...) Eu acho que eu me acostumei tanto a ser o número um, que eu fiquei com medo que não conseguisse mais ser o número um."


O ADEUS

Depois de lampejos e rodar por várias equipes, Best ainda apareceria várias vezes na imprensa. Suas frases ficaram famosas. Os problemas com o álcool, também.

Fez um transplante de fígado no começo dos anos 2000, mas, após um certo tempo e contra a recomendação médica, voltou a beber.

Após a sua morte, inúmeras homenagens surgiram. Na Irlanda do Norte, milhares de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre. Em Manchester, inúmeras homenagens ao jogador que defendeu a equipe 470 vezes e fez 179 gols.

Sobre a sua vida, a narração de uma reportagem inglesa sobre sua morte - e reproduzida na produção do 30 for 30 - traz uma definição que pode ser a mais precisa.

"O garoto de Belfast que veio para o Manchester United com mágica nos pés e um botão de autodestruição na alma, morreu um pouco antes das 13h de hoje."