Presidente do Cruzeiro entre 2018 e 2019, Wagner Pires de Sá afirmou que os 565 Euros (algo equivalente a R$ 2.642,00 em maio de 2018) gastos em uma casa de entretenimento adulto em Portugal foram em um jantar entre ele, dois dirigentes da equipe e três empresários locais. A quantia foi debitada no cartão corporativo do clube e apareceu no relatório de auditoria da empresa Kroll.
“Lá em Portugal, assim como no Brasil, tem casa noturna que tem nome fantasia tal, e na atividade da empresa é outro. Foi um restaurante que nós fomos, com um dos maiores empresários do mundo. Fomos jantar. Deve ter sido R$ 500, R$ 600, R$ 1.000. Não é isso. Éramos, num total, três brasileiros, mas uns três portugueses. Estávamos lá [na Europa] tentando vender jogador e trazer o Lucas Silva, que veio até de graça para nós. É restaurante”, disse Pires de Sá ao “GloboEsporte.com”.
A reportagem revela que os 565 euros foram gastos na casa noturna "Club de Espetáculos Tamariz", na cidade do Porto. O texto diz que o “estabelecimento está registrado como BónusMelodia Unipessoal LDa, cuja atividade fim é "estabelecimento de bebidas com espaço de dança”.
“Ele funciona como restaurante. É um dos bons restaurantes que temos lá. Fomos lá jantar, foi uma recepção dada, e depois fomos embora. Quando você entra no restaurante, você não lê o contrato do restaurante, você não vê a atividade dele. Pode ser que à noite tenha música, tenha shows, aí eles colocam lá. Eles colocam tudo que pode ter, mesmo que não façam. Os gastos foram só com comida. Se você fosse ver na Europa, uma mulher [de programa] lá é mil dólares, dois mil dólares. Foi só comida. Só um jantar”, afirmou o ex-presidente.
A Kroll foi contratada para fazer uma devassa nas contas do Cruzeiro. A auditoria feita pela empresa tem analisado documentos, transações financeiras e comunicações eletrônicas dentro do clube e descobriu R$ 39,2 milhões de pagamentos irregulares ou suspeitos.
Entre eles, estão gastos de R$ 80.777,18 nos cartões de crédito corporativos emitidos em nome de quatro dirigentes. De acordo com a auditoria, os gastos ocorreram em estabelecimentos como "lojas de eletrônicos, lojas de roupas, clínicas de saúde, bebidas alcoólicas, resorts de luxo e casas noturnas de entretenimento adulto".
O documento também revela que o Cruzeiro pagou um total de R$ 8.521.311,80 a empresas vinculadas a dirigentes e/ou familiares e R$ 6.068.078,33 a empresas vinculadas a 52 conselheiros, mesmo que o Estatuto Social do clube vede esse tipo de relação.
A auditoria descobriu que o Cruzeiro também assinou contratos de intermediação de atletas sem que a participação dos intermediários fosse registrada na CBF, o que fere o Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol. Esses contratos originaram 13 comissões que somaram mais de R$ 13 milhões.
O clube também feriu o Regulamento de Registro da CBF e o documento equivalente da Fifa ao oferecer direitos econômicos de jogadores em garantia do pagamento de dívida em, ao menos, dois contratos.
