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Carona com motoboy aleatório, susto no avião e jeitinho brasileiro no hotel; as histórias do Corinthians campeão mundial

Após mais de dez dias concentrados, treinando, jogando e, acima de tudo, conquistando o mundo no Japão, histórias não faltam. E assim foi com o Corinthians em 2012.

Mas o primeiro perrengue aconteceu antes mesmo de saírem do Brasil, conta Wallace. Com a torcida fechando o aeroporto de Guarulhos e também bloqueando a Rodovia Ayrton Senna desde de manhã para dar boa sorte para o time, o zagueiro quase não chegou ao treino e perdeu a viagem.

"Estava tudo travado. O treino estava marcado para às 16h e eu tinha saído de casa às 13h. Eu fiquei parado perto da entrada da Ayrton Senna, na Av. Aricanduva, e estava com a mala e uma mochila nas costas. E não fluía. Eu desci do táxi e fiquei sinalizando para os motoboys, até que um me reconheceu e parou. Aí eu falei: "Cara, me leva até o CT do Corinthians que eu te dou uma grana, se não, vou chegar atrasado." Faltava uns 20 minutos para começar o treino e logo em seguida a gente já ia sair para o aeroporto. Cheguei lá com o motoboy, com o capacete fechado, ninguém reconheceu. Aí tirei e o porteiro liberou a passagem."

Chegando lá, Wallace presenteou o homem que o salvou com uma camisa do Corinthians e mais R$ 50.


Quando falamos de sustos no Mundial de 2012, a primeira lembrança é de Cássio salvando o Corinthians das investidas de Fernando Torres, Moses e cia. Entretanto, o maior susto aconteceu no avião, e isso poucos sabem.

Antes de chegar no destino final, o elenco parou em Dubai, onde ficou alguns dias treinando. Na segunda perna da viagem, já no Oriente, veio o momento de preocupação.

"Eu estava dormindo e acabei acordando com o movimento. Poucas horas depois da gente ter decolado, descobriram que a porta não estava fechada do jeito certo. Aí a gente viu os comissários de bordo se movimentando para tudo que é lado, e a gente sem entender nada. Aí quando chegamos, nos informaram que uma parte da porta não estava fechada e colocaram toalhas, se não me engano, para preencher", relembra Wallace.


No hotel, antes da decisão, quem passou perrengue foi um grupo de torcedores - até que usaram o famoso 'jeitinho brasileiro'.

Wallace lembra que viu tudo de perto, pois estava no saguão... E acabou caindo na risada ao ver a cena.

"Tinha uma placa dizendo que não aceitavam mais brasileiros. E aí tinha um grupo vestido com camisas do Corinthians e eu tive que rir. Foi puro improviso brasileiro. Tinha um segurança com a plaquinha dizendo que não entrava mais brasileiros devido ao excesso, e aí eles falaram: "Nós não somos brasileiros, somos corintianos". Aí o segurança: "Corintianos? Então pode entrar".


Paolo Guerrero sempre será lembrado como o grande herói da conquista, marcando tanto na semi quanto na final contra o Chelsea.

Wallace lembra bem como estava o peruano durante a viagem. "O Guerrero é bem tranquilo, estava tranquilo a viagem inteira também, sossegado. Ele já era bem experiente, não era nenhum menino. E a qualidade dele não precisa dos meus comentários, extremamente difícil".

Entretanto, o zagueiro faz questão de 'tirar uma casquinha' e zoar seu ex-companheiro, com muito bom humor. "E ele é um cara muito frio né, e além de frio é bastante largo né, porque a bola acaba sobrando para ele muitas vezes também quando ninguém espera. E ele é um cara batalhador, então as oportunidades surgem para ele com mais clareza do que para outros".