Volta para a defesa, ajuda o ataque e abre o jogo e o time adversário pelo lado direito. Adama Traoré, utilizando força e velocidade, é indispensável e um dos grandes responsáveis por mais uma boa campanha do Wolverhampton na Premier League.
Ele, hoje com 24 anos, começou cedo na base do Barcelona. Filho de malineses, o menino teve bastante dificuldade na infância e viu a criminalidade ao lado. Cresceu perto de armas e drogas. Junto com seu irmão Moha Traoré, que atualmente defende o Hércules, da terceira divisão espanhola, era assediado com frequência por gangues, mas a família sabia a dureza que tinha sido chegar até à Espanha.
O pai de Adama saiu de Mali vivendo a esperança de ter uma vida melhor. Depois de conseguir um emprego, ele percebeu que dava para tentar viver o sonho e pediu para a sua esposa vir também. Já em Barcelona, os filhos nasceram. Adama e Moha Traoré, de 25 anos, souberam valorizar o esforço dos pais e tinham em mente que o esporte poderia dar uma boa resposta.
Os primeiros toques na bola já fizeram despertar os olhares do mundo do futebol e aos nove anos, Adama Traoré começou no Barcelona. Foram longos anos de crescimento e amadurecimento.
Tata Martino, então treinador do time principal, não teve dúvidas e mandou chamar o menino de 17 anos para treinar com a equipe. Messi estava machucado e os reservas imediatos também, era preciso preencher o banco.
Já perto do fim do jogo, a placa subiu. Neymar sairia e entraria Adama Traoré. O Barcelona bateu o Granada por 4 a 0, e aqueles minutos já serviram para garantir a vaga dele entre os suplentes para o jogo da Champions League, contra o Ajax – foi a estreia dele na principal competição internacional de clubes da Europa.
Subir para o profissional é uma coisa, permanecer é outra. Adama não conseguia sequência, mas já tinha mostrado qualidade. O jovem jogador já declarou que a saída do Barcelona poderia ter sido de outra forma. De lá para Birmingham. Os tempos de Aston Villa não foram os melhores. Além de dificuldades de adaptação, as lesões passaram a fazer marcação mais cerrada.
O Villa caiu, e Traoré voltou a ter chance na Premier League quando foi para o Middlesbrough. A força e a velocidade continuaram chamando a atenção, e Adama ganhava espaço na seleção de base da Espanha.
Nuno Espírito Santo percebeu que o ‘projeto Wolves’ seria o ideal para Adama Traoré, e ele cresceu muito no time. Cresceu tanto que teve o seu nome lembrado pela seleção principal da Espanha, na época ainda dirigida por Robert Moreno, para a disputa de jogos eliminatórios para a Eurocopa.
Os dias têm sido muito bons para o time do coração de Robert Plant, do Led Zeppelin. A temporada 2017/2018 marcou o retorno à Premier League; a 2018/2019 trouxe os Wolves para a disputa da Liga Europa.
Olhando para o campo, para o desempenho dos principais jogadores e para o crescimento de Adama Traoré, que brilhou intensamente nos dois jogos contra o Manchester City de Pep Guardiola na atual temporada (2019/2020) - dois gols nos 2 a 0 do turno, em Manchester, e um gol e uma assistência na supervirada em casa, no returno -, não é absurdo pensar em uma vaga para a próxima Champions League quando a Premier League voltar - a equipe é sexta colocada com 43 pontos, cinco a menos que o Chelsea, quarto e primeiro na zona de classificação para a disputa europeia.
Porque o Wolverhampton de hoje é bem parecido com Adama Traoré: é forte e rápido.
