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Vidic, ex-Manchester United, saía 'arrebentado' dos jogos e parou porque 'não aguentava mais'

Reportagem originalmente publicada dia 21/02/2016


O ex-zagueiro Nemanja Vidic marcou época no Manchester United em oito temporadas. Contratado em 2006 do Estrela Vermellha, o defensor era um símbolo de raça dentro do campo.

O sérvio colecionou atuações, gols, títulos e, além de tudo isso, lesões e mais lesões. Não era raro vê-lo "arrebentado" e sendo carregado do gramado pelos médicos.

Segundo o zagueiro brasileiro Juan Jesus, companheiro do sérvio na Inter de Milão - seu último clube antes de se aposentar, em janeiro de 2016 -, a sequência de lesões foi um dos motivos para Vidic pendurar as chuteiras aos 34 anos.

"Ele sofreu muito com contusões, ainda mais na coluna, estava se recuperando de cirurgia e é complicado por causa da idade. Ele queria voltar a jogar, é um cara muito profissional, sempre lutou pelo time e a gente via o Vidic treinar todo dia e se esforçando, mas ele decidiu parar porque não aguentava mais. Na despedida ele agradeceu a todos no clube", contou, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

"Jogar na Premier League era guerra sempre. Ele estava sempre machucado, com cortes ou marcas roxas porque o juiz deixava o jogo correr. Eles não paravam os jogos, deixavam tudo mais atrativo para o torcedor", completou.

Amigo do sérvio, Juan diz que ele era um excelente conselheiro e, mesmo falando pouco, era certeiro em suas palavras. Sua liderança, outro ponto que marcou sua carreira, era visível a todos também na equipe italiana.

"Foi uma experiência muito boa, a gente aprende muito com ele. Sempre via ele na TV quando era menor pelo Manchester, tem uma qualidade incrível. Só acrescentou no meu trabalho. Ele me pedia pra aproveitar cada momento, porque a carreira no futebol passa muito rápido. Dizia para viver tudo o que pudesse da forma mais intensa. Se quisesse crescer como jogador, teria que buscar isso no momento, porque depois poderia ser tarde demais. Isso me marcou demais, por ouvir de um cara que fez tanto e estava no final da carreira", lembrou.

Champions League: da felicidade à tristeza

Campeão de tudo no Manchester United, Vidic levantou seu troféu mais importante da carreira, em 2007/08. Os "Diabos Vermelhos" bateram o Chelsea nos pênaltis e se sagraram campeões da Uefa Champions League e depois do Mundial de Clubes daquela temporada.

Mas um ano depois, o zagueiro teve a grande tristeza de seus 16 anos de futebol profissional.

"Ele falou que um dos momentos mais tristes foi a perda da Champions de 2009, porque era a segunda final consecutiva e faz muito tempo que uma equipe não vence a Champions duas vezes seguidas. Foi um desgosto porque ele queria ganhar de qualquer forma", revelou Juan Jesus.

Um dos maiores desafios de Vidic foi marcar Lionel Messi. Eleito o melhor do mundo seis vezes pela Fifa, o argentino do Barcelona torna quase impossível a missão de roubar a bola de seus pés.

"Ele contava que marcar o Messi era a coisa mais difícil que tinha, porque era o jogador mais complicado. O Messi era o cara mais difícil de marcar porque é imprevisível, nunca se sabe exatamente o que ele vai fazer. Além disso ele é pequeno, mas muito forte e mesmo quando você dá uma chegada nele, o cara não cai (risos)", disse.