<
>

'Poço sem fundo': documentário sobre Iniesta repassa depressão no Barcelona e preocupação de Guardiola

Andreas Iniesta tinha acabado de conquistar o primeiro triplete pelo Barcelona, mas, mesmo assim, tudo que fazia nas férias de verão na Espanha era ficar deitado. Procurava dormir o mais cedo possível, muitas vezes sem comer nada, e não tinha ânimo para levantar. Ele estava no “fundo do poço”, algo dito pelos pais do jogador, quando descobriram que ele sofria depressão.

A revelação dessa impressionante história faz parte do documentário “El Heroe Inesperado, Andrés Iniesta”, da Rakuten TV, que será lançado em breve, segundo reportagem do “Mundo Deportivo” desta quinta-feira.

A obra cinematográfica apresenta a trajetória de Iniesta no futebol, abordando os momentos de glória e também a crise de depressão que ele sentiu após a extraordinária temporada de 2008/09, quando conquistou LaLiga, a Copa do Rei e a Champions League, e também após a Copa do Mundo de 2010, quando marcou o gol do inédito título para a seleção da Espanha.

“A noite que percebei que ele estava muito mal foi quando ele me disse se podia se deitar ao meu lado, à meia-noite. Ele dormia no andar de cima e nós, no andar de baixo. O mundo caiu sobre mim”, diz María Luján, mãe de Iniesta, em depoimento ao documentário.

“A mãe dele já havia percebido que ele não vinha bem. Achou estranho porque ele ia se deitar muito cedo e não comia, e aquilo de querer dormir na nossa cama, aos 25 anos, não era normal", diz José Antonio. Ele relata que perguntou ao filho se o filho estava bem. “Não estou, pai".

Foi aí que a família decidiu envolver o técnico Pep Guardiola. Ligou para o irmão do treinador, Pere, e contou a situação. Todos começaram a trabalhar juntos para tirá-lo do “fundo do poço”.

Esposa de Iniesta desde 2012, Anna Ortiz também havia notado o namorado ausente nas férias. Seu amigo Sesi e sua irmã Maribel também. Mas, como Piqué ressaltou no documentário: "Por causa do jeito reservado de Andrés, não percebemos a magnitude da situação, comentamos mais tarde, que poderíamos ter ajudado mais, mas ele era muito reservado".

“Os dias passam, você não melhora, percebe que não tem vitalidade, tudo está ficando nublado ou preto. Comecei a treinar, mas não estava me sentindo bem. A lesão não melhorou [ele jogou a final da Liga dos Campeões de 2008-09 com infiltrações). E depois de Dani Jarque. Foi como um tiro muito poderoso que me fez cair de novo porque não estava certo”, diz Andrés.

Dani Jarque era amigo de infância de Iniesta e chegou a jogar pelo Espanyol, a outra equipe de Barcelona, mas morreu muito cedo, aos 26 anos, vítima de um infarto, durante uma viagem do time para a Itália. A fatalidade foi em agosto de 2009, e Iniesta não lidou bem com a notícia.

Guardiola revelou que não sabia como lidar com a depressão de um dos mais importantes jogadores do elenco. Era a primeira vez que o jovem treinador se deparava com um caso assim.

O Barcelona procurou oferecer a ajuda possível, disponibilizado a psicóloga do clube para atender Iniesta. Todos perceberam que a situação tendia a melhorar porque o jogador ficava ansioso para as sessões de terapia. Costumava chegar até uma hora antes para ser atendido.

Iniesta superou a doença, ficou mais próximo dos familiares, se casou e joga ainda no Japão. A esposa dele diz no documentário que “ele se deu conta que a vida é algo além do futebol, que é estar ao lado de quem gosta. A depressão o ajudou a pensar mais em si mesmo e a desfrutar das pequenas coisas que você não nota quando está no auge”.