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Herói de vitória histórica do Água Santa foi cornetado ao voltar para terra natal: 'A turma do Corinthians tá com raiva de você'

Aplausos, pedidos de foto e muitos tapinhas nas costas. Foi assim que Dadá Belmonte, 23, deixou a Arena Inamar, em Diadema, em 22 de fevereiro desse ano. Ele foi o autor de duas assistências nos dois gols da vitória de virada do Água Santa sobre o Corinthians. Algo marcante na carreira. Tão marcante a ponto de ser “cornetado” em sua terra natal ao regressar por causa da quarentena.

“Os amigos me receberam e falaram ‘O que foi que você fez? A turma do Corinthians tá com raiva de você. ‘Cê’ acabou com eles’. Eu ia falar o que?”, disse à reportagem, aos risos. “A cidade tem muito flamenguista e corintiano, né? Mas foi bom”, disse Dadá, por telefone.

A cidade dele fica no interior de Pernambuco, a pouco mais de cinco horas da capital Recife, e se chama São José do Belmonte. Ele está lá há duas semanas, morando com os pais e respeitando a quarentena pelo novo coronavírus, embora ainda não tenham casos na região.

O curioso é que a partida com o Corinthians não o tornou mais popular. Dadá já tem um público cativo na cidade e que sempre acompanha os passos dele pelo mundo da bola. Afinal…

“São José do Belmonte só teve dois jogadores profissionais. Eu e o atacante Jeorge Hamilton, do Motoclub. Então fica fácil para eles seguirem. A gente até tem um grupo de WhastApp que mistura a família, os amigos e sempre tem um novo entrando. Muitos elogiam, incentivam, mas existem também aqueles que gostam de dar uma criticada”, disse o jogador.

Em Diadema, os dois passes dele o tornaram um dos xodós da torcida. Dadá relembrou duas histórias daquela partida. Um diálogo com os companheiros sobre Fagner e palavras de incentivo que recebeu do técnico Pintado na saída de campo, após o fim do jogo.

“O pessoal me falou que eu tinha de estar atento, que jogar com o Fagner é difícil. Ele não oscila. Ataca e defende bem. Mas eu fui bem, e o pessoal me elogiou. Disse que tava pronto para qualquer batalha depois daquela partida”, disse Dadá, para, em seguida, falar do treinador.

“O Pintado é um cara que não tem o que falar. Ele ajuda todo mundo. Quando ele chegou, o grupo virou. Ele é um paizão. Depois do jogo disse que eu fui bem demais e falou ‘Tem de continuar assim, vamos pra frente, vamos até chegar em um time grande”, relembrou.

Vida mudou

Coincidência ou não, a vida de Dadá mudou. O Náutico manifestou interesse no jogador e ele assinou um pré-contrato para defender o Timbu até o final do ano.

A ida para a equipe de Recife é a realização de um sonho de garoto de Dadá. Ele revelou que sempre gostou do clube, era torcedor e teve duas tentativas de jogar lá frustradas.

“Em 2018, eu tava no Salgueiro e o pessoal do Náutico se interessou por mim, mas não deu certo. Eu vim pro Água Santa no ano passado e eles apareceram de novo, mas não deu certo. Aí eu fui emprestado para Ponte. Neste ano, eu falei pro meu empresário: pode vir time de Série A, não importa, eu quero ir para o Náutico. E ele disse que daria certo”, disse Dadá.

“O Náutico é um time que eu já admirava antes de ser profissional. A gente sempre acostumado a ver os grandes na capital, e eu gostava do Náutico. É um desejo que eu já tinha o desejo. Quando deu certo, meus pais falaram: ‘Tá vendo como chegou seu dia de vestir a camisa que você queria’. Eu estou ansioso para me apresentar, jogar. Não deu por causa da quarentena”.

Enquanto espera, Dadá segue uma programação de treinos encaminhada pelo preparador físico do Náutico. Ele ainda tem dúvidas sobre o futuro. Não sabe se terá de jogar o término do Campeonato Paulista com o Água Santa --até porque é incerto a retomada do Estadual-- ou se já ficará para a jogar a Série B do Campeonato Brasileiro. De qualquer forma, está empolgado.

“Esperei tanto para acontecer. O começo desse ano foi bom pra mim. Mas ainda tem muito mais para vir. Só esperar passar essa quarentena para voltar a jogar”, disse.