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Copa de 2002: Como Felipão montou a seleção de 2002 e qual era sua única dúvida na lista final

Que a seleção brasileira conquistou a Copa do Mundo de 2002, todos sabem. Também não é segredo que Luiz Felipe Scolari contrariou o clamor popular por Romário e bancou a dupla Ronaldo e Rivaldo, que liderou o time rumo à quinta estrela bordada na camisa canarinho. Mas como foi o processo até a convocação para o Mundial?

O ESPN.com.br reuniu histórias e conta abaixo algumas das particularidades da formação daquela lista final com os 23 jogadores que se sagrariam campeões mundiais, na, pelo menos até 2022, última vez que o Brasil ergueu a taça Fifa.

Romário vai ou não?

Contratado em junho de 2001, para o lugar de Emerson Leão, Luiz Felipe Scolari começou o trabalho na seleção com uma lista mais conservadora, em que mesclava jogadores consagrados na Europa (Cafu, Roberto Carlos, Rivaldo), com estrelas em atividade no Brasil (Juninho Paulista, Romário) e nomes de sua confiança (Marcos, Alex, Jardel).

Mas foi a segunda convocação, para a Copa América, que mudou totalmente os rumos daquela seleção. Romário, então estrela do time, pediu dispensa para fazer uma cirurgia no olho. Scolari acatou, mas viu o jogador atuar em alguns amistosos do Vasco no exterior.

"Eu até posso entender. A cota que pagaram ao Vasco, sem Romário, estaria pela metade. Entendo. Mas era a hora de tomar uma posição em favor da seleção, fazer uma escolha entre clube ou seleção", disse o treinador, no livro "Felipão - A alma do Penta", feito em parceria com Ruy Carlos Ostermann.

Romário nunca mais foi convocado, nem mesmo quando chamou uma entrevista coletiva, em abril de 2002, para se desculpar e pedir uma nova oportunidade. O Baixinho contava com o apoio de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e de Antônio Lopes, então coordenador técnico, mas não dobrou Felipão.

A dúvida final

O Brasil de Felipão conquistou a vaga na Copa com dificuldade. Três vitórias (Paraguai, Chile e Venezuela) e três derrotas (Uruguai, Argentina e Bolívia) foram suficientes para garantir a equipe no torneio e iniciar a segunda fase do projeto: os amistosos preparatórios.

Os jogos no primeiro semestre de 2002 abriram espaço para muita gente. Gilberto Silva e Kleberson encantaram Scolari, bem como Anderson Polga, e carimbaram o passaporte. Outro que também convenceu o técnico foi Djalminha, mas não o suficiente para estar no Mundial.

Em seu livro, Felipão conta que o então meia do Deportivo La Coruña era uma alternativa interessante para a variação do esquema com três zagueiros. O que mudou foi um ato intempestivo de Djalminha, que, durante um recreativo no clube, acertou o técnico Javier Irureta com uma cabeçada, em 1º de maio.

Felipão soube disso quando já tinha a lista pronta - e com o nome do talentoso meia nela. Esta, aliás, foi sua única dúvida na relação final dos convocados. O técnico pensou até o limite para decidir se daria uma chance a Djalminha, mas optou por outro caminho. Melhor para Kaká, o caçula de turma.

O corte de Emerson

Seis dias depois do destempero de Djalminha, Luiz Felipe Scolari foi à sede da CBF para anunciar os 23 convocados para a Copa do Japão e da Coreia. A lista final não tinha o meia do La Coruña, nem Romário, nem Alex. O meia do Palmeiras, campeão da Mercosul-1998 e da Libertadores-1999 com o técnico, foi preterido por outros nomes.

"Eu estava tão nervosa que nem me liguei que a lista foi dita por ordem alfabética. Já no começo o Alex percebeu que não estava. Acabada a convocação, a gente nem se falou. Ele saiu batendo a porta e eu desabei em lágrimas", lembra Daiane Mauad, esposa de Alex, no livro "Alex - A Biografia".

Mas Felipão seria forçado a mexer novamente. Em 2 de junho, véspera da estreia contra a Turquia, Emerson, enquanto treinava como goleiro para o caso de uma emergência, sofreu uma luxação no ombro direito e precisou ser cortado. Quando todos esperavam Alex ou até a redenção de Romário, o chamado foi Ricardinho.

"Ele não foi porque eu não o escolhi. Porque naquele momento a gente tem que examinar como é que pode acontecer alguma lesão a mais na equipe e onde é que nós íamos precisar de um jogador que compusesse mais a equipe taticamente. Então, como nós já tínhamos os meias que iam para frente, nós tínhamos que ter um meia que voltasse, que recuasse, que tivesse um pouco mais de participação defensiva, se precisasse. E aí eu escolhi o Ricardinho", explicou Felipão, em entrevista ao programa "Bola da Vez", da ESPN, em 2017.

Ricardinho assumiu a camisa 7 e se integrou ao elenco que fez história, ao vencer a primeira Copa do Mundo realizada no continente asiático. Sem Romário, sem Alex, sem Djalminha e outros tantos que ficaram pelo caminho, mas com Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho super entrosados, o Brasil conquistou o penta com 100% de aproveitamento.

E se tivesse voltado para casa sem a taça? Melhor não pensar...