<
>

Real Madrid: Luxemburgo conta como tirou Sergio Ramos da lateral para virar um dos maiores zagueiros do mundo

play
Sergio Ramos, 34 anos: um presente de aniversário a um dos maiores zagueiros do planeta (2:00)

O astro espanhol é o grande pilar da defesa do Real Madrid há muitos anos (2:00)

Sergio Ramos completou 34 anos nesta semana e é seguramente um dos melhores zagueiros do mundo atualmente. Desde 2005 no Real Madrid, o defensor continua escrevendo uma história bonita nos merengues.

Mas tudo isso poderia não ter acontecido não fosse por Vanderlei Luxemburgo...

"Eu conversei com ele: ‘O meu camarada, o teu negócio aqui é vir para dentro, que aqui é teu espaço’. Ele aceitou jogar como zagueiro e foi embora", revelou o treinador em entrevista ao ESPN.com.br.

O técnico comandou o Real Madrid por apenas uma temporada, período em que coincidiu com a chegada de Sergio Ramos ao clube merengue, vindo do Sevilla, por 27 milhões de euros (R$ 155 milhões na cotação atual).

“O presidente queria contratar jogadores espanhóis e precisávamos de um lateral ou zagueiro. O nome que pintava na Espanha era o Sergio Ramos, só que jogava como lateral”, relembrou Luxemburgo.

"O Vanderlei tinha um trabalho muito bom de scouting e analistas no Real. É um timaço que o clube tem fora de campo. Quando mostraram o nome do Sergio, o Vanderlei aprovou na hora a contratação. Era uma grande aposta para o futuro", revelou Paulo Campos, auxiliar de Luxa no time espanhol.

Na negociação com o Sevilla, o Real Madrid fechou também a contratação de Júlio Baptista.

“(Sergio) Era um trabalho para a temporada seguinte. Só que quando ele chegou para mim, percebi que era muito bom tecnicamente. Faltava alguma coisa no apoio ao ataque, um passe melhor ou cruzamento. Mas a volúpia dele, a voluntariedade dentro do jogo eram boas para ser zagueiro. Independentemente da estatura, ele tinha um tempo de bola muito bom", comentou Luxemburgo

“Com excelente saída de bola, boa agressividade, bom combate direto, tempo de bola defensivo e ofensivo. Tinha tudo para se tornar o que se tornou”, adicionou

A concorrência na posição de zagueiro era muito grande. Mesmo assim, Sergio Ramos manteve seu trabalho e começou a conquistar a confiança no clube.

"Para jogar no começo era difícil para ele, porque disputava posições com veteranos como Michel Salgado, na lateral, Helguera, na zaga, e Gravesen, como volante. Por isso, no começo ele era mais aproveitado na lateral do que na zaga. Mas ele jogou bastante conosco, o Vanderlei deu muita cancha para ele no começo", salientou Paulo.

Para o ex-auxiliar de Luxemburgo, o zagueiro da seleção espanhola tem uma leitura de jogo superior a dos demais, o que lhe coloca sempre em vantagem no momento de um cruzamento para a área.

"Ele não é tão alto, mas tem um tempo de bola extraordinário e é muito inteligente. Sua impulsão vertical é absurda, e parece que a bola sempre vai justamente onde ele está, mas é ele que sabe onde a bola vai estar e pula na direção dela. A verdade é que ele antevê as jogadas e sabe o que vai acontecer. Isso é técnica altamente desenvolvida", explicou.

Referência para os mais jovens

Com um currículo consolidado de quatro títulos da Champions, cinco campeonatos espanhóis e mais troféus de Mundial de Clubes, Copa do Rei, Supercopa da Espanha e da UEFA, Eurocopa e Copa do Mundo, Sergio Ramos serve de referência para os jovens.

"O Sergio sempre soube que treinando forte e sendo multi-função uma hora ia abrir uma brecha e ele ganharia a posição por merecimento. A gente sabia que isso aconteceria e, quando aconteceu, não foi surpresa nenhuma, tanto que ele é titular no Real Madrid há mais de uma década. Hoje em dia, ele ajuda os mais jovens e é a inspiração para eles", afirma Paulo Campos.

Já Luxemburgo relembrou o período e a convivência com um ainda jovem Sergio Ramos, longe de ser badalado como hoje.

“Ele era bem tranquilo e morava no mesmo condomínio que eu. Estava sempre junto com os brasileiros, não me deu nenhum problema. Tem alguns espanhóis que eram mais resistentes, mas ele não. Era um cara bem alegre e se dava bem todo mundo. Um rapaz do bem”.

Com Júlio Baptista, não deu certo!

Vanderlei Luxemburgo tentou com as duas contratações vindas do Sevilla mudá-los de posição. Com o ex-lateral Sergio Ramos deu certo, mas no caso de Júlio Baptista, não teve resultados positivos.

“O Julio eu achava que tinha que ser volante. Falei para ele: ‘Vou te colocar de volante, porque só tenho (Thomas) Gravesen, e você vai disputar a Copa do Mundo. Mas ele não quis jogar como volante, preferiu disputar posição com Zidane. Deu errado para ele”, relembrou.

O jogador acabou ficando de fora da lista de Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

*Reportagem publicada originalmente dia 16 de dezembro de 2019