Luiz Felipe Scolari concedeu longa entrevista ao jornal inglês "The Guardian", publicada nesta segunda-feira. Além de revelar momentos da conquista da Copa do Mundo de 2002 pela seleção brasileira, o treinador lembrou a proposta que teve para assumir a Inglaterra e também a saída conturbada do Chelsea.
Após derrotar o English Team no Mundial de 2002, pelo Brasil, e na Eurocopa de 2004, já por Portugal, Felipão foi procurado pela FA (Federação Inglesa, sigla em inglês) para assumir a equipe então dirigida pelo sueco Sven-Goran Eriksson. E só não assumiu aquela equipe de Beckham, Lampard e Gerrard por um motivo.
"Eles queriam que eu assinasse contrato antes da Copa do Mundo. Esse era o impasse. Teria sido uma situação estranha: eu treinando Portugal e enfrentando a Inglaterra. Eu seria técnico de Portugal, mas com contrato assinado com outro país? Não seria certo. Se fosse outra situação, eu iria com o maior prazer", disse Felipão.
O sonho de trabalhar na Inglaterra se realizou no meio de 2008. Após terminar o ciclo de cinco anos em Portugal, Scolari foi contratado pelo Chelsea. Começou bem, inclusive levando os "Blues" à liderança da Premier League, mas o trabalho se perdeu na medida que o relacionamento com algumas estrelas se deteriorou.
Na entrevista ao "The Guardian", Felipão lembrou os problemas que teve principalmente com Anelka e Drogba, os principais atacantes do elenco. Com o primeiro, a discordância foi de ordem tática. Já com o marfinense, a questão foi por barrar uma ida dele à França, durante recuperação de uma cirurgia.
"Nosso departamento médico pensava que deveríamos liberar Drogba para se recuperar de uma cirurgia em Cannes, no meio do verão. Ele pensava que ele deveria ficar em Londres. Eu também adoraria ir para Cannes no meio do verão. Eu ficaria lá por um ou dois meses, só curtindo", disse o treinador.
"Quando ele voltou, eu tentei adaptar um esquema em que Drogba e Anelka jogariam juntos. Anelka era o artilheiro do campeonato. Tivemos uma reunião, e o Anelka disse que só jogava em uma posição. Então, foi um pouco de falta de companheirismo, de respeito, de ao menos tentar jogar com Drogba. Eles eram ótimos, mas um deles precisava fazer algo diferente, de voltar quando perdêssemos bola. Foi ali que mudou", explicou Felipão.
"Nós já nos encontramos desde então, Drogba e eu. A última vez foi na Rússia, em 2018. Falamos abertamente sobre isso. Não houve má intenção dele ou do Anelka, mas aconteceu e por isso eu perdi uma das grandes chances da minha vida. Queria continuar trabalhando na Inglaterra. Eu trabalharia em qualquer clube, porque lá é maravilhoso", admitiu.
O Chelsea foi a primeira e única chance de Felipão em um grande clube europeu. Ao deixar o Chelsea, Felipão viveu uma experiência de duas temporadas no Bunyodkor, do Uzbequistão. Depois, voltou a trabalhar no Palmeiras, no Grêmio e na seleção brasileira, além do Guangzhou Evergrande, da China.
