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Ex-Cruzeiro revela proposta da Europa e explica por que preferiu Red Bull Bragantino

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Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o zagueiro Fabrício Bruno falou sobre como foi a saída do Cruzeiro, as ofertas que recebeu de outras equipes e por que foi para o Red Bull Bragantino.

O defensor desabafou sobre os problemas que viveu na Toca da Raposa antes de ir para o clube paulista.

"Não me arrependo do que fiz, fui profissional e tinha que pensar na minha família. A única saída que tive foi ir para a Justiça. O Cruzeiro me devia 4 meses em carteira e 10 meses em imagem", disse.

"Foi uma situação difícil e tive que pensar no meu lado pessoal. Alguns me chamaram de ingrato e mercenário, mas foi ao contrário. Sou muito grato e abri mão de todo dinheiro que tinha para receber e ainda indenizei o clube em R$ 500 mil. Só queria seguir minha carreira", explicou.

Veja a entrevista de Fabrício Bruno:

Como você começou no futebol?
Comecei jogando em escolinhas de Burité-MG. Eu era baixinho e atacante, mas cresci demais e perdi um pouco daquela agilidade e virei volante e depois zagueiro (risos).

Como foi a chegada ao Cruzeiro?
Eu estava com 16 anos e fui almoçar com meu pai. Não aparecia um clube grande, disse que ia largar a carreira porque precisava de dinheiro e queria ser independente. Ele falou para jogar meu último Campeonato Mineiro sub-17 e dar o meu máximo que ele iria me ajudar. Jogamos dois jogos contra o Cruzeiro e me chamaram.

Fale sobre a base no Cruzeiro...
Fiz uma semana de teste e passei. Joguei torneios na Holanda e nos EUA antes de subir para o time de cima com o [técnico] Deivid, em 2016. Eu tinha 19 anos e ainda tinha mais um ano de juniores.

Como foi?
Eu trabalhei com o Deivid e depois com o Paulo Bento, que foi um cara que me ajudou muito. Tenho contato até hoje, tenho boa relação. Era muito jovem e ele foi muito criticado por alguns torcedores, mas quem estava lá viu que ele era muito competente. Ele não ia conseguir implantar o estilo dele do dia para a noite. Futebol no Brasil é feito de resultado. Quando o Mano chegou eu não joguei mais.

Você disse que o Dedé era uma inspiração para você...
Sim, ele sempre me orientou. Era o cara que mais tive contato entre os zagueiros e que mais me ensinou.

Como surgiu a Chapecoense?
Em 2016, o Mancini me chamou para jogar no Vitória, mas eu completei 7 jogos no Brasileiro e não pude ir. No ano seguinte, ele foi para a Chape e me convidou. Foi um ano de reconstrução depois do acidente e topei o desafio. Foi uma das decisões mais acertadas da minha vida.

O que mais te marcou nesse período?
A cidade abraçou o time na reconstrução. Não é fácil recomeçar do zero como eles fizeram. Tive um ano de 2017 muito especial, joguei muito bem e foi marcante. Em 2018 tive lesão e fiquei oito meses parado, infelizmente.

E a volta ao Cruzeiro em 2019?
Foi complicada. Tinha terminado a temporada de 2018 em alta e valorizado. Tinha o Bahia e outro time de Série A atrás de mim. O Cruzeiro não sabia o que fazer comigo porque o elenco já tinha Dedé, Léo, Murilo e Manoel. Fiquei 15 dias sem saber o que fazer. Falei com o Itair e voltei para Chape. Mas o Manoel foi para o Corinthians, e pediram a minha volta.

Quando você voltou já tinham muitos problemas políticos no Cruzeiro...
Foi um ano de aprendizado. Eu já tinha vivido a luta contra o rebaixamento pela Chape. Quando o Cruzeiro se colocou nessa situação eu falava que não era fácil sair porque a pressão era muito maior. O clube nunca tinha caído. Entrávamos pressionados pela torcida, pelos resultados e nada dá certo. Consegui fazer uma sequência boa de 10 jogos, a maior que tive lá. Sou grato ao Mano, Abel e Rogério. Só não tive tanto contato com o Adílson.

O que foi preponderante para a queda do Cruzeiro?
Foram muitos fatores. Quando as coisas estão erradas fora de campo não tem como darem certo dentro de campo. Tem horas que a bola bate na trave e não entra. Aliado com a pressão a gente não conseguia obter os resultados

Como era a relação com o Rogério Ceni?
A relação era boa, é um excelente profissional. Nos 47 dias que trabalhou nunca repetiu um treino. Era muito qualificado para todo o grupo. Ninguém tinha problema com ele. O Rogério tinha um estilo de jogo mais europeu e na pressão que a gente vivia a mudança era muito radical em relação ao estilo do Mano. Essa mudança aliada com a pressão teve os resultados negativos.

Por ser uma cria do Cruzeiro, como o rebaixamento te impactou?
Para falar a verdade, a ficha ainda não caiu. Acho que só vai cair quando começar a Série B. Por eu ser cria, me doeu muito. O processo todo foi muito turbulento.

E a saída do Cruzeiro? Clube chegou a fazer alguma proposta de redução salarial para você ficar?
Não me arrependo do que fiz, fui profissional e tinha que pensar na minha família. Não chegou nenhuma proposta para mim. A única saída que tive foi ir para a Justiça. O Cruzeiro me devia 4 meses em carteira e 10 meses em imagem.

Como foi esse processo?
Tudo começou quando o Celtic, da Escócia, veio conversar comigo e fui passar para o Cruzeiro junto com meu representante. Ainda não era uma proposta oficial. Eles não quiseram me negociar, era só acertar os valores. Mas eu começaria a temporada como reserva. Já estava com 24 anos. Foi uma situação difícil e tive que pensar no meu lado pessoal. Alguns me chamaram de ingrato e mercenário, mas foi ao contrário. Sou muito grato e abri mão de todo dinheiro que tinha para receber e ainda indenizei o clube em R$ 500 mil. Só queria seguir minha carreira.

Foi essa negociação que te motivou a sair?
Se tivessem me liberado naquela época a situação teria saído de uma outra forma. Não era a minha venda que iria salvar a saúde financeira do clube, mas queria com esse dinheiro da venda pudesse ajudar a pagar os funcionários e os meninos da base. Quem está lá em cima tem uma condição melhor, mas quem está lá embaixo não tem. Eu tentei conversar a todo momento para não acontecer isso. Não tive outra saída a não ser acionar a Justiça.

E como foi isso?
Entrei na Justiça, mas a situação ficou difícil porque a minha rescisão não saiu logo. Estava com audiência marcada para o dia 6 de fevereiro. O Celtic voltou a negociar, mas eles não poderiam ficar nesse imbróglio na Justiça porque poderia ter uma mudança a qualquer momento. O Cruzeiro pediu R$ 500 mil para eu rescindir e ficar livre no mercado. A causa era ganha para mim, mas queria seguir minha vida e virar a página. Como posso ser mercenário se abri mão de receber meu dinheiro e ainda indenizei o clube?

Quais clubes vieram atrás de você e por que escolheu o Red Bull Bragantino?
Eu tinha algumas opções. O Abel Braga me ligou convidando para o Vasco, o Rodrigo Caetano falou com meu empresário para ir ao Internacional. Eu tinha trabalhado com o Thiago Scuro no Cruzeiro. Ele já tinha tentando me contratar outras vezes, mas não tinha acontecido. Ele me ligou, explicou como seria e escolhi o Red Bull pelo projeto. Tenho um sonho de jogar fora do Brasil e o Thiago veio com um plano de carreira para mim. É uma porta muito grande. Aceitei o desafio e estou bastante feliz.

Como tem sido para você?
Eu demorei um pouco para chegar por causa dos problemas e na primeira semana já estreei contra o Oeste. O grupo é muito bom para se trabalhar, o clube tem uma estrutura fenomenal. Eu me machuquei faz um mês e estou me recuperando.