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Cruzeiro: ex-cartola explica como até Alexandre Mattos no Atlético-MG influenciou em sua saída

Demitido junto com o técnico Adílson Batista, o executivo de futebol Ocimar Bolicenho afirmou, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, que vinha passando por um processo de "fritura" dentro do Cruzeiro.

Segundo o antigo dirigente, a relação com Alexandre Mattos, que o indicou para o cargo e recentemente assumiu o futebol do Atlético-MG, foi fundamental para isso.

Além disso, a saída de Pedro Lourenço – dono do “Supermercados BH”, parceiro do clube, e responsável por avalizar sua contratação - do Conselho Gestor deixou a situação ainda pior para o executivo.

"Se eu soubesse com quem estava lidando, se conhecesse as pessoas, eu teria saído junto com o Pedro. Mas sou da opinião que precisamos conhecer as pessoas. E foi um pedido do Pedro para que eu ficasse mesmo depois da saída dele. Talvez eu tenha errado aí. Eu sou um cara otimista e achei que poderia ajudar ao clube, mas não foi assim", lamentou, à ESPN.

Ele acredita que tenha ficado em uma "guerra" entre as diversas alas políticas do clube.

"Parece que eu estava aqui só por indicação do Alexandre Mattos. Esquecem que tenho um currículo e trabalhei em outros clubes. Isso foi desconsiderado quando o Alexandre foi para o Atlético-MG no momento no qual eu estava fragilizado", disse.

Ocimar relata um episódio ocorrido durante uma entrevista à Rádio 98FM de Belo Horizonte logo em sua primeira semana como executivo do Cruzeiro.

"A primeira pergunta foi feita sobre um jogador chamado Rômulo, da base do Cruzeiro. Ele pertencia ao Desportivo Brasil e tinha opção de compra. Eu estranhei porque todas as perguntas eram sobre por que não contratei o Rômulo. Eu disse que não o conhecia e falei com a comissão técnica que também não o conhecia. Ele não tinha jogado", contou.

"Uma das pessoas dessa ala estava disposta a investir no Rômulo e conversou comigo. Só que a forma deles investirem era do jeito antigo no clube, com os valores malucos que o Cruzeiro operava até 2019. Eu disse que não interessava nesses valores. Acho que a partir disso, uma ala ficou inimiga porque não sei se tinha interesse em trazer o Rômulo ou se tinha interesse em fazer um bom negócio para os investidores.”

“Depois, houve uma fomentação forte nas redes sociais em cima da história do Alexandre Mattos. Quando ele foi para o Atlético-MG agravou", afirmou.

Contratado no começo do ano pelo Cruzeiro, Ocimar lamentou o pouco tempo de trabalho na diretoria.

"O Cruzeiro me deu poucos recursos para montar um time e me deu muito mais volume de trabalho interno para regular algo que estava fora da curva. Acredito que 50 dias é um tempo muito curto para estabelecer qualquer estratégia ou determinar processos. O Cruzeiro tem 3 sedes muito distantes e departamentos que funcionam separados e que interferem no futebol. Não tive as ferramentas que gostaria para reconstruir o Cruzeiro, tentei fazer com o que tinha e saio com cabeça erguida. Tudo que esteve ao meu alcance procurei fazer".