Um dia após ser demitido pelo Cruzeiro junto com o técnico Adílson Batista, o executivo de futebol Ocimar Bolicenho fez duras críticas ao conselho gestor do clube celeste, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.
Segundo o antigo dirigente, a saída do treinador era quase certa desde a última quinta-feira, depois da derrota para o CRB pela Copa do Brasil. Diversos veículos de imprensa chegaram a noticiar a saída do técnico, que não se concretizou naquele dia.
Nos bastidores do “cai-não cai”, uma conversa em grupo de Whatsapp, forma que os gestores usavam para tomar a decisão, que acabou vazada a jornalistas.
"Eu e o Adílson não sabíamos de nada. Foi uma coisa bastante grave. Ele deu o treino pela manhã e na hora do almoço foi comunicado que existia uma conversa de que o conselho gestor já tinha demitido o Adílson. Eu procurei o Carlos Ferreira (interlocutor de futebol) e disse que se isso tivesse ocorrido eu também estava fora porque estavam tomando uma decisão sem a minha participação", disse Bolicenho, à ESPN.
"Ele me garantiu que não era uma decisão tomada, que ainda estava sendo discutida. Eles discutem isso por um grupo de Whatsapp, porque não conseguem estar permanentemente reunidos pessoalmente. Ele me explicou que estavam fazendo uma votação, e a maioria das pessoas estava se posicionando pela troca do Adílson naquele momento", recordou.
Adílson chegou a postar uma foto almoçando com Ocimar e membros da comissão técnica, se preparando para o treino da tarde, enquanto a decisão não era tomada.
"Alguém do conselho deve ter antecipado para os jornalistas, que soltaram a informação. Se eu fiquei chateado, imagina o Adílson que foi alvo do tiro? Dou razão para ele. Nós ficamos sabendo pela imprensa", explicou.
No domingo, após derrota do Cruzeiro para o Coimbra, por 1 a 0, Adilson acabou, de fato, demitido e disparou contra a situação atual do clube, usando a palavra “bagunça” para descrever o cenário que encontrou e pedindo um “presidente urgente”.
Sobre a queda do técnico, Ocimar Bolicenho disse que a permanência da última quinta acabou sacramentada por volta de 15h, mas que o futuro de Adilson ficou sacramentado de acordo com o resultado seguinte, o jogo contra o Coimbra no Campeonato Mineiro.
"Quando me falaram que a votação estava em curso, só fui saber do resultado final na sala com o Adílson quando o Carlos trouxe a informação que ele permaneceria. Ele trouxe a notícia que isso não estava mais valendo e que o Adílson estava no cargo até o jogo da volta da Copa do Brasil contra o CRB-AL. Dependendo dos resultados poderia acontecer alguma mudança", disse.
Depois de quinta-feira, Ocimar diz que o ambiente piorou no clube até a derrota para o Coimbra. "Ficou horroroso, um clima muito chato. Disseram que o Adílson ficaria, mas condicionado aos resultados de domingo e quarta-feira. Depois da derrota para o Coimbra nós imaginávamos o que iria acontecer".
"Depois do jogo, o Carlos Ferreira, único membro do conselho gestor presente, disse que havia decidido pela demissão do Adílson. Cinco minutos depois, ele voltou e me comunicou que eu estava demitido também", explicou.
