<
>

Renan Lodi vendeu latinhas para poder treinar; hoje, brilha contra o Liverpool na Champions League e joga na seleção

play
Felipe destaca personalidade de Renan Lodi e vê futuro para lateral na seleção brasileira (1:31)

Dupla passou a atuar junta nesta temporada no Atlético de Madrid (1:31)

Desde que chegou ao Atlético de Madrid, Renan Lodi tinha a difícil missão de substituir o ídolo Filipe Luís. Em pouco tempo, porém, o jovem tomou conta da lateral-esquerda e virou um dos destaques da equipe comandada por Diego Simeone.

O brasileiro foi eleito pela Uefa o melhor jogador da vitória colchonera por 1 a 0 sobre o Liverpool, em partida válida pela ida das oitavas de final da Champions League.

Renan ajudou a anular as principais jogadas dos Reds feitas por Arnold e Salah.

O jogador de 21 anos revelado pelo Athletico-PR vive a expectativa de derrubar o atual campeão do torneio no jogo de volta, que será realizado nesta quarta-feira, em Anfield.

O lateral tem 38 jogos (34 como titular) pelo Atlético de Madrid, marcou um gol e deu três assistências.

Em entrevista ao ESPN.com.br, Renan lembrou as dificuldades que viveu na infância até conseguir ser jogador e os sonhos na Europa.

Veja a entrevista de Renan Lodi:

Como foi sua infância? Você chegou a trabalhar, fazer algum tipo de serviço fora do futebol?
Foi um pouco complicada. Eu não tive a presença da minha mãe. Morava com meu pai e meus avós. Meu avô e minha avó foram fundamentais na minha criação. Vivi em um ambiente muito simples e que poderia ter tomado caminhos errados. Mas optei pelo futebol e lutei pelo meu sonho. Na infância eu vendia latinhas, para poder pagar a passagem e ter como chegar para treinar em outra cidade.

E o que você mais gostava de fazer na infância?
Eu costumava soltar pipa e jogar bola na rua de casa. Eram as coisas que eu mais gostava de fazer e que me davam prazer.

Você foi criado pelos avós? Conte sobre isso e a importância deles na sua vida?
Posso dizer que fui criado por eles. Então a importância dos meus avós é absurda. Eram eles quem faziam de tudo para me dar dinheiro para que eu pudesse treinar, principalmente quando eu não conseguia latinhas para vender. Meu avô foi o cara que mais acreditou no meu potencial e sempre fez o impossível para que tudo desse certo.

Você começou em escolinhas. Fale sobre os primeiros passos na bola.
Comecei em uma escolinha de futsal, em Serrana (SP), depois fui para o Meninos da Vila, em Ribeirão Preto (SP). Fiz teste no Corinthians e no Santos. No Corinthians até fui aprovado, mas tinha que ir toda segunda-feira e para mim era difícil por conta da distância. Acabei voltando para a escolinha e fiquei mais 1 ano. Depois disso fui para Curitiba, no Trieste. De lá acabei indo para o Athletico Paranaense e fiquei mais de sete anos.

Quem eram seus ídolos no futebol?
Quando eu era pequeno os ídolos eram Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Robinho. Hoje posso dizer que meus ídolos são Filipe Luis, Alex Sandro, o Thiago Silva, Marquinhos, Coutinho, o Neymar. São jogadores que sempre admirei e que hoje estou podendo conviver na seleção.

Você sempre foi lateral?
No meu início eu era atacante. Quando cheguei ao Athletico Paranaense, comecei a atuar como lateral-esquerdo. Peguei gosto pela posição, aprendi a jogar ali e posso me considerar um lateral de origem.

Como surgiu o Trieste na tua vida?
É um clube formador em Curitiba e me acompanhou em um teste quando estava em Ribeirão Preto. Fui pra lá e fiquei por sete meses. O Alessandro Brito, um observador do Athletico na época, me observou durante um bom tempo. Assim que completei 14 anos, fui para lá. O Trieste e o Athletico Paranaense tinham uma parceria e me transferi para o CT do Athletico.

Como foi sair de casa tão cedo?
Ficar longe dos meus avós foi muito difícil, do meu pai, dos meus amigos. No início senti muita falta deles, mas tive que superar. Eu sabia que para realizar meus sonhos, precisava passar por esses obstáculos. Foquei sempre no que eu queria para a minha vida, para poder me tornar um jogador profissional e ajudar a minha família.

play
2:02

Bertozzi analisa convocação de Tite, espera Lodi como titular e diz que Fred poderia ter sido lembrado

'A lista é boa, mas tem alguns pontos que gritam', falou o comentarista durante o BB Debate

Como foi na base? Venceu títulos, viajou pra torneios na Europa?
Ganhei muitos títulos. Pude fazer gols contra o Coritiba em finais estaduais e isso fica marcado até hoje. Ganhei títulos na Europa também. O clube sempre se preocupou em completar a formação dos jogadores com esses torneios fora do Brasil e para mim foram experiências que me ajudaram muito. Pude ver, desde cedo, a realidade do futebol internacional.

Como virou profissional? Lembra da estreia?
Lembro que estávamos indo para a Arena assistir a um jogo e me ligaram falando que o Paulo Autuori queria eu começasse a treinar com o time profissional. Eu era muito novo, mas sempre trabalhei esperando essa oportunidade. Fiz a estreia conta o Grêmio, em Porto Alegre. Apesar do nervosismo antes de começar o jogo, acredito que deixei uma boa impressão e as coisas começaram a mudar na minha vida.

Quais momentos mais marcantes no profissional do Furacão?
A minha estreia contra o Grêmio. Na semana seguinte, já tivemos o clássico Atletiba e eu pude jogar novamente. Foi na Vila Capanema e ganhamos de 2 a 0. Então foram minhas primeiras experiências no time principal, muito novo, que foram especiais. Contra o Coritiba corri tudo que podia, me esforcei ao máximo e quando fui substituído, a torcida começou a gritar meu nome. Isso não tem preço. Tem também os jogos de títulos, que não tem como saírem da memória. Primeiro o Paranaense, com o time de Aspirantes, e depois a Sul-Americana, por tudo que envolveu a nossa campanha e o jogo final. São momentos inesquecíveis.

Como surgiu o Atlético de Madrid?
Chamar a atenção de um gigante europeu não é fácil. Quando apareceu essa possibilidade, fiquei muito feliz. Mas acredito que tudo que fiz no Athletico despertou esse interesse. Sempre com a ajuda do Athletico Paranaense e dos meus companheiros, que me fizeram estar aqui hoje. O Paulo Autuori, o Fernando Diniz e o Tiago Nunes são treinadores que confiaram no meu trabalho e me ajudaram muito. Tem a ajuda de muita gente para que eu pudesse chegar até o Atlético de Madrid.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou quando foi para a Europa?
O mais complicado foi a saudade que sentia de todo mundo. Da minha noiva, até ela vir para cá, da minha família e dos meus amigos. Não tive tanto problema com língua e estilo de jogo, foi mesmo essa distância de pessoais importantes que sempre fizeram parte do meu dia a dia. Mas assim como foi quando saí a primeira vez de casa, era um obstáculo que eu tinha que superar. Era a chance que eu sempre sonhei e não podia perder.

Como é trabalhar com o Simeone?
Não tem nem o que falar dele. É um dos melhores treinadores do mundo. Um cara competitivo, que gosta das coisas corretas e quer sempre o melhor dos jogadores. Ele me ajuda muito todos os dias, me dá conselhos sempre pensando no meu crescimento e tenho certeza que só vou evoluir com ele. A minha evolução desde que cheguei à Espanha tem muita participação dele.

Foi difícil adaptar? Qual a história mais diferente que viveu aí?
Ainda estou me adaptando. Tenho muita coisa pela frente, mas acredito que estou trilhando bem o meu caminho. Nesses anos que tenho de contrato por aqui, espero seguir evoluindo. O clube me dá todas as condições para crescer pessoalmente e profissionalmente. Então quero aproveitar cada chance como se fosse a última, porque muitos jogadores sonham em estar aqui. A cada treino e a cada jogo, vivo intensamente e tento desfrutar de tudo.

Como lidou com peso de substituir o Filipe Luís?
Ele é nota mil. Um cara humilde, do bem, que sempre quer ver os outros tendo o sucesso que ele teve. Ele me passou algumas coisas importantes que eu ia ter pela frente no Atlético de Madrid, sempre fala de mim em entrevistas e estará sempre no meu coração. Sempre foi um ídolo e espero continuar escrevendo a linda história que ele tem aqui no clube. Claro que é uma responsabilidade grande, mas ele sempre me deixou tranquilo para que isso não fosse um peso. Só posso dizer que é ainda mais ídolo agora.

Como é estar na seleção? Já esperava?
Estar na seleção é um sentimento de muita alegria. É o ápice para qualquer jogador, um sonho de criança que se realizou. Tenho que seguir trabalhando no Atlético de Madrid para poder continuar servindo a seleção brasileira. Carregamos nossa bandeira e poder representar o país é um sonho que estou vivendo. A cada nova convocação, é um filme que passa na cabeça e uma responsabilidade a mais.

Como foi estrear na Champions ? Você já deu assistência para o Morata e tudo mais...
Foi também um momento muito especial na minha vida. Uma emoção muito grande. Jogava no videogame e assista sempre na televisão. Em pouco tempo poder atuar como titular do Atlético em uma Champions, diante de grandes jogadores, me deixou muito feliz. Poder dar uma assistência foi marcante, claro, mas preciso seguir evoluindo para estarmos sempre entre os melhores do mundo. Temos agora mais uma etapa muito difícil pela frente e vamos focados no nosso objetivo.