<
>

Napoli x Barcelona: como Maradona trocou os problemas na Espanha para ser idolatrado na Itália

Diego Armando Maradona é, sem sombra de dúvida, o maior elo entre dois times que disputam a partir desta terça-feira uma vaga nas quartas de final da Champions League.

O maior ídolo argentino vestiu as camisas de Barcelona e Napoli, uma seguida da outra, entre o início da década de 1980 e a largada dos anos 1990. Brilhou em ambos, mas com intensidade bem maior na Itália, onde até hoje tem status de divindade com a torcida.

O ESPN.com.br lembra abaixo a passagem do craque pelos dois clubes, que se enfrentam nesta terça, no San Paoli, em Nápoles. A segunda partida, marcada para o Camp Nou, é no dia 18 de março.

Barça: expectativa, lesões e saída em baixa

Maradona desembarcou no Camp Nou no começo da temporada de 1982, mas poderia ter ido bem antes, já que o Barcelona o monitorava desde os 16 anos. Em 1979, por exemplo, a AFA barrou uma ida para a Europa para mantê-lo no país até a Copa do Mundo de 1982.

Para comprar a então promessa, o Barça abriu os cofres e pagou 7,6 milhões de dólares, recorde na época. Maradona estreou em 4 de setembro de 1982, com derrota para o Valencia, e passou exatos 700 dias como jogador do clube, até a despedida em 5 de maio de 1984, também com derrota, para o Athletic Bilbao.

El Pibe era uma atração à parte, a ponto de levar a torcida mais cedo ao Camp Nou para ver seu show de malabarismos na hora do aquecimento. Em campo, teve números positivos: 38 gols em 58 jogos e três títulos (Copa do Rei, Copa da Liga e Supercopa), mas a passagem poderia ser melhor.

Maradona teve hepatite na primeira temporada e sofreu uma grave lesão no tornozelo esquerdo depois, em setembro de 1983, após entrada violenta de Goikoetxea. Passou um tempo parado e deixou o clube meses depois, justamente para o clube que ele mais brilharia na carreira.

Napoli: trio infernal, títulos e paixão instantânea

Comprado na metade de 1984, Maradona desembarcou na Itália como mais uma estrela do então campeonato mais forte do mundo. Disputaria espaço com estrelas do tamanho de Michel Platini, craque da Juventus. Aos poucos, os maiores do mundo é que seriam ofuscados pelo argentino.

O craque passou sete anos em Nápoles, os melhores da carreira profissional. Levou o clube a dois títulos italianos (1986-87 e 1989-90), além de uma Copa da Itália (1986-67), uma Copa da Uefa, hoje Liga Europa (1988-89) e uma Supercopa da Itália (1990). Anotou 115 gols em 259 jogos, recorde que demorou para ser superado.

Os números individuais refletem um coletivo fortíssimo. Maradona era uma das peças do trio MaGiCa, formado por ele, Bruno Giordano e Careca, que marcaram época lado a lado. É até hoje amado pela torcida, a ponto de causar uma cisão durante a Copa do Mundo de 1990, quando a sua Argentina encarou a Itália na semifinal.

A história de amor entre jogador e clube só acabou em 1991, quando o craque, flagrado no exame antidoping, foi suspenso e partiu para o Sevilla, onde seguiu a carreira, já sem o mesmo brilhantismo mostrado em Nápoles.