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Fifa 20: Conmebol ameaçou excluir de Libertadores e Sul-Americana clubes que não liberassem direitos para game

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As curiosidades e o imbróglio dos direitos de imagem da Libertadores no Fifa 20 (0:36)

Competição sul-americana chega no dia 3 de março ao game (0:36)

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) não só pressionou como também ameaçou fazer valer seu Manual de Direitos Comerciais e de Marketing, que prevê até a exclusão dos clubes de Libertadores da América, Sul-Americana e Recopa, caso as agremiações não dessem o aval por escrito para a cessão de seus direitos para uso em videogame.

Em determinado momento, a entidade deu 48 horas para que os times entregassem o ofício assinado. E o prazo, que era até 16 de dezembro de 2019, às 18h (horário do Paraguai, sede da instituição), foi cumprido.

Foi o que apurou o ESPN.com.br após a Folha de S. Paulo revelar, na quinta-feira 20, que cinco clubes questionaram conjuntamente a entidade sobre o assunto por meio de notificação - são eles Athletico-PR, Atlético-MG, Corinthians, Palmeiras e São Paulo.

Explica-se: o quinteto, assim como outros times brasileiros e de outros países do continente sul-americano, como Flamengo, Boca Juniors, River Plate e Colo-Colo, têm contratos de exclusividade com a Konami, que faz o Pro Evolution Soccer (PES). Foi a companhia japonesa, inclusive, que pressionou os clubes a se mexerem e tomarem alguma atitude.

O documento em questão é a chamada carta de conformidade e compromisso, a qual as agremiações tiveram que assinar novamente em 2019 - já o tinham feito em 2018 -, mesmo contrariados, liberando para exploração comercial seus nomes, escudos, uniformes e imagens de atletas para o jogo Fifa 20, da norte-americana EA Sports.

"De posse dessa carta, eles colocaram esta cláusula dos direitos para games para os clubes engolirem", disse uma fonte ouvida pela reportagem sob a condição de anonimato. "É verdade, e os clubes estão aguardando o desenrolar da discussão", afirmou o membro de outro time quando questionado sobre o envio da notificação conjunta à Conmebol.

A Conmebol tinha contrato com a Konami até 2019, por isto não houve problema sobre esta questão no ano anterior. Como para 2020 já vale o vínculo assinado com a EA Sports - que vai até o fim deste ano e é prorrogável por mais dois -, deu-se o imbróglio. Na última segunda-feira, a empresa norte-americana anunciou com evento em Buenos Aires, na Argentina, o lançamento da expansão (atualização, já que o mesmo foi lançado em setembro de 2019) do jogo Fifa 20 para 3 de março.

A mesma terá Copa Libertadores, Copa Sul-Americana e Recopa já com os times brasileiros que as disputaram, caso dos já eliminados Atlético-MG, Botafogo, Corinthians e Fluminense, e que ainda as disputarão, situação de Athletico-PR, Flamengo, Fortaleza, Goiás, Internacional, Palmeiras, São Paulo e Vasco da Gama. O GloboEsporte.com também entrou no assunto na sexta-feira 21 por meio do blog do jornalista especializado em negócios do esporte Rodrigo Capelo.

E após destrinchar o que chamou de "problema comercial para participantes da Libertadores", destacou como "omissão" dois pontos da resposta que obteve da Conmebol sobre a questão, na qual foi dado como exemplo o Barcelona, que tem contrato com a Konami, mas tem suas propriedades no jogo Fifa 20 por meio de acordo entre LaLiga e EA Sports. "A Conmebol omitiu, no entanto, que o acordo do Barcelona com a Konami não estabelece exclusividade, como no caso sul-americano."

"A Conmebol também omitiu que nos acordos de 2018 e 2019 não houve venda dos direitos para a EA Sports. A regra sempre esteve no regulamento, mas não houve quebra dos direitos de exclusividade dos clubes pois não houve a cessão da Libertadores para a concorrente."

O ESPN.com.br também falou com a Conmebol, que enviou a mesma resposta que já mandara ao GloboEsporte.com, em texto assinado pelo diretor comercial e de marketing, Juan Roa.

Antes de colocar os trechos mais importantes do que o dirigente disse, a reportagem deixa o que foi explicado por uma fonte da própria da instituição. "Qualquer clube pode negociar unilateralmente com qualquer empresa, tenha ela contrato com a Conmebol ou não, mas desde que não coloque suas propriedades como exclusivas em jogos com competições que são organizadas pela entidade."

"Vale lembrar também que entre 94% e 97% do que a Conmebol recebe de acordos de licenciamentos e/ou patrocínios são revertidos para o futebol, logo, com benefícios para os clubes."

Veja, abaixo, os trechos mais importantes da resposta da Conmebol

A respeito dos jogos de videogame, podemos mencionar que, como parte importante da estratégia de globalização estabelecida pela Conmebol e pelas dez associações-membro, a presença em plataformas de e-sports é chave e fundamental, já que permite uma exposição maior e a apreciação do nosso futebol, seus clubes se jogadores a nível global, além de representar uma receita financeira para as instituições.

A reprodução de videogames da Conmebol Libertadores, caso assim queira o comprador (EA Sports), poderá ser idêntica à reprodução da competência "real". Por dizer, poderão participar os mesmos clubes que se encontrarem disputando a competição. A respeito da venda de exclusividade por parte de algum clubes na categoria, devemos assinalar que é padrão da indústria a coexistência da presença de clubes tanto no EA Sports quanto em outra empresa. Podemos citar como exemplo o Barcelona, da Espanha, que tem seus direitos cedidos à Konami, e no entanto a sua participação durante a Liga dos Campeões se dá por meio da EA Sports.

Cabe assinalar que o clube não pode sob nenhuma perspectiva ceder a sua participação na Conmebol Libertadores, posto que é um direito que não lhe corresponde, e no entanto poderia ceder como clube e participar da categoria "livre" dentro do jogo. A Conmebol realizou a venda dos direitos de videogames para a empresa EA Sports, em relação a Conmebol Libertadores, Conmebol Sul-Americana e Conmebol Recopa, e vem realizando com a autorização expressa dos clubes desde 2018 de maneira consecutiva e ininterrupta.

Na expectativa de ter respondido a sua consulta, saúdo-o com a mais alta estima e consideração.

Juan Roa, diretor comercial e de marketing.