Há 10 anos, o São Paulo era campeão da Copinha com uma geração que tinha como principais astros Lucas Moura e Casemiro. Após se classificar em primeiro no grupo H, o Tricolor passou por Vitória, Guarani, Cruzeiro e Juventude antes de chegar à final contra o Santos. Depois de um empate em 1 a 1, o Tricolor venceu nas penalidades por 3 a 0.
Comandante da equipe que derrotou o time alvinegro no Pacaembu, Sérgio Baresi participava pela primeira vez da competição. Por ter passado por outras categorias, ele conhecia os garotos são-paulinos há muito tempo.
"Lucas teve um momento que foi muito questionado na base. Ele se fortaleceu de um jeito e na Copinha agarrou com unhas e dentes e transformou a vida dele. É um exemplo para a molecada. Todo mundo achou que ele iria desanimar porque as coas estavam difíceis. Cada um tem seu momento e ficou provado que as coisas acontecem na hora certa. Ele teve muita perseverança", disse Baresi à ESPN.
Enquantro isso, Casemiro era muito badalado desde garoto.
"Ele era um monstro! Sempre foi acima da média desde o dente de leite. Imagina esse cara pequenininho jogando essa bola que joga hoje. Um mini profissional! Tocava com a direita, com a esquerda e verticalizava o jogo toda hora. Não tinha como não acertar. Todo mundo apostava nele na base", lembrou.
Curiosamente, o artilheiro do torneio foi Lucas Gaúcho (9 gols), do São Paulo, que não teve uma carreira de destaque. O goleiro Richard, o zagueiro Bruno Uvini e alguns reservas - Rodrigo Caio, Willian Arão e Régis - jogaram em grandes clubes do Brasil e nas seleções brasileiras de base e principal.
Casemiro
Hoje titular absoluto do Real Madrid, Casemiro saiu do time profissional do São Paulo com pouco prestígio, em 2013. "O Casemiro não teve uma sequência de jogos como Lucas teve. Um dos motivos dele sair do São Paulo foi isso".
Baresi acredita que o caso do antigo pupilo é muito comum entre os grandes times do país.
"A gente vê o Flamengo e o Palmeiras contratando muitos jogadores e disputando títulos, mas aproveitado muito pouco a base. Os times hoje lançam poucos jogadores no time de cima para dar rodagem. Eles nem se firmam e os clubes grandes da Europa os contratam mais cedo porque são mais baratos. Muda o perfil de captar o jogador. Eles são vendidos e o dinheiro entra para pagar as dívidas e contratar atletas mais experientes. É um círculo vicioso", explicou o treinador, que usou o São Paulo como exemplo.
"A pressão é a mesma por causa do jejum de títulos. Muitas vezes quem resolve é o menino da base. O São Paulo parou. Continua contratando profissionais caros, que não vem resolvendo o problema do São Paulo porque o futebol é um conjunto de fatores. Não está fácil acertar o São Paulo. Não tem formula mágica. Acho que tem muitos jogadores bons na base e dar uma sequência maior e reforçar pontualmente é um bom caminho".
Baresi
Nascido em Pirajú, Sérgio chegou ao São Paulo aos 14 anos. Foi capitão das categorias de base e chegou ao profissional em 1991 e venceu inúmeros títulos. O defensor saiu do Morumbi em 94 e passou por Cruzeiro, Botafogo, Ponte Preta e Santo André, pelo qual encerrou a carreira em 2001 depois de sofrer uma lesão no tornozelo.
Após pendurar as chuteiras, virou auxiliar-técnico e treinador da base do Ramalhão e passou pelo São Caetano antes de ser contratado pelo São Paulo, em 2007.
"Treinei o Oscar e o Piazon, que era muito craque na base! Trabalhei com Hernanes, Wellington, Luis Araújo, David Neres, Boschilia... Foram muitas safras boas. Em 2009, fui treinador do profissional do Toledo-PR no Campeonato Paranaense e depois assumi o time sub-20 do São Paulo".
"Neste ano fiquei 16 rodadas, quase três meses, no profissional. A ideia era lançar os jovens e dar continuidade à eles. Lançamos o Lucas Moura e o Casemiro. Colocamos também Bruno Uvini e o Lucas Gaúcho, mas eles não tiveram muita continuidade na equipe devido ao momento conturbado do São Paulo".
Depois, passou pelo Shandong Luneng, da China, que tinha parceria com o Tricolor.
"Quando voltei ao Brasil trocou a diretoria do São Paulo do 'doutor' Juvenal pelo 'doutor' Aidar, aquela coisa bagunçada. Trocou todos os treinadores e fui trabalhar nos EUA por dois anos no American Soccer, que preparava os garotos para as ligas profissionais", explicou.
No ano passado, Sérgio foi chamado pelo presidente do Guarani para treinar o sub-20 da equipe. Ele comandou a equipe de Campinas na Copa São Paulo de futebol júnior que foi eliminada na primeira fase da competição.
"Montamos uma base, com jogadores nascidos em 2001 e cujo ano forte destes atletas será em 2021. Muitas vezes é o preço que se paga para desenvolver um projeto pensando em revelação para a equipe profissional", finalizou Sérgio Baresi, que busca uma oportunidade no mercado do futebol.
