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Ex-São Paulo, Denis revela maior dificuldade da carreira e comemora destaque em Portugal

Desde o meio de 2019 no Gil Vicente, que disputa a 1ª divisão de Portugal, o goleiro Denis, ex-São Paulo, viu sua carreira sofrer uma grande mudança. Aos 32 anos, ele conseguiu realizar o sonho de atuar no futebol europeu e conseguir atuações de destaque.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o arqueiro falou sobre a carreira, o peso de ser o substituto de Rogério Ceni e o atual momento.

Revelado na Ponte, Preta, o goleiro foi contratado em 2009 pelo São Paulo. Ele defendeu o clube paulista em 173 oportunidades, se sagrando campeão da Copa Sul-Americana de 2012.

Em 2017, Denis se transferiu para o Figueirense, no qual permaneceu por quase duas temporadas. Após sofrer com os graves problemas financeiros no clube, ele foi para o Gil Vicente, que atualmente é o oitavo colocado na Liga Portuguesa.

Veja a entrevista com Denis:

Como surgiu o Gil Vicente na tua vida?
Foi tudo muito rápido. O Gil Vicente me ligou com uma proposta no domingo depois de um jogo. Eu estava almoçando em Florianópolis com a família e pedi um dia para pensar e conversar com eles. O Figueirense já tinha alguns problemas com atrasos como todos viram. Eu peguei informações do clube, que voltou para a primeira divisão depois de vários anos. O treinador Vítor Oliveira é muito conceituado em Portugal e decidi aceitar esse desafio. O Gil Vicente tem a sua meta nesta temporada é se manter na primeira divisão. Estou aqui para ajudar.

Como foi a chegada?
Eles precisavam de um goleiro um pouco mais experiente porque o começo do campeonato seria muito complicado. Iriamos pegar Braga, Porto e Benfica nas primeiras cinco rodadas do torneio. Cheguei na segunda-feira e estreei no sábado contra o Porto. Tivemos a felicidade e, para surpresa de todos, vencermos o jogo. Conquistamos alguns pontos importantes depois de empatarmos com Braga e o Vitória. Só perdemos para o Benfica fora de casa.

Fale sobre como é jogar No Gil Vicente.
Nosso time é recém formado porque - para quem não sabe - o clube estava na terceira divisão e voltou à elite por causa de uma questão jurídica. Eles contrataram o time todo. São 12 brasileiros e estamos fazendo um bom campeonato.

Quais os momentos mais especiais desde que chegou ao Gil Vicente?
A estreia contra o Porto me marcou demais! Voltar ao estádio da Luz, onde joguei com o São Paulo em 2013, foi especial. Ainda peguei um o pênalti do Pizzi, apesar da derrota. Contra o Tondela também peguei uma penalidade. Estou muito feliz de jogar na Europa.

Foi fácil na parte fora de campo?
A qualidade de vida para minha família é excelente. Tem segurança, boas escolas para meus filhos e isso faz a diferença. O idioma ajuda e a gente se adaptou muito bem a Portugal.

Você quase foi para a Europa em outras vezes. Por que as transferências não deram certo?
Antes de ir para o São Paulo, em 2008, eu tive contatos do Genoa, da Itália, porque tenho cidadania italiana. Aí apareceu o São Paulo e fui para o Morumbi. Em 2012 ou 2013, o Genoa apareceu com uma outra proposta de empréstimo, mas o Juvenal Juvêncio não me liberou. Estava naquela situação do Rogério se aposentar ou não. Tive algumas conversas com o Rogério e o Juvenal, e minha saída acabou não dando certo. Agora, eu vi essa chance. Era um sonho, todos têm vontade de vir para Europa.

Como avalia seu atual momento? Considera um renascimento na carreira?
Eu não considero um renascimento, mas um momento muito importante na minha carreia. Um dos mais felizes. Consegui fazer bons jogos e ter uma sequência boa, ter qualidade de vida muito boa. Sinto muito prazer e felicidade no que mais gosto e estou jogando bem. Isso é o mais importante.

Costuma ver seus ex-clubes do Brasil?
Eu sempre acompanho o São Paulo, a Ponte e o Figueirense pela internet. Tenho um carinho muito grande pelos clubes que passei. Eu fiz tudo o que pude para ajudar ao Figueirense, mas a saída não foi da forma que gostaria por causa dos problemas da empresa que geria o futebol de lá. Hoje, o Figueirense está com novos projetos e voltou a ser dirigido pela associação e isso é muito importante.

Quais os momentos mais especiais no Brasil?
Minha estreia no profissional pela Ponte foi bem marcante porque saí de casa aos 13 anos com o sonho de ser goleiro. O campeonato que fiz por lá foi marcante. No São Paulo, foi o título da Sul-Americana de 2012. Em nove anos fiz vários jogoz que ficaram na memória. Defendi um pênalti contra o Palmeiras e os jogos que fiz contra o Vasco e o Cruzeiro. No Figueirense foram os dois títulos conquistados: o Catarinense de 2018 e a Recopa Catarinense de 2019.

E os mais complicados?
Sem dúvida nenhuma o momento mais delicado e conturbado na minha carreira foi a substituição do Rogério no São Paulo em 2016. Uma cobrança muito forte e que sabia que iria existir, mas não sabia que seria tão exagerada como foi na época. Sabia que a comparação iria existir. Eu tive que ter muita paciência, resiliência, muita fé e coragem para enfrentar tudo e todos para dar a volta por cima. Hoje, estou jogando em alto nível e muito bem. Estou mostrando o meu trabalho e a minha qualidade, que em alguns momentos foram tão colocadas à prova e tão criticadas no Brasil. Hoje, posso despontar em um campeonato tão difícil quanto o Português.

Como é a sua relação com o Rogério Ceni?
Sempre tive uma boa relação com ele. Sempre nos falávamos e dividimos por quase cinco anos o mesmo quarto na concentração. Quando ele virou treinador também tive uma boa relação. Nós nos damos muito bem.

Ainda treina faltas?
Cheguei a bater três ou quatro faltas, mas infelizmente não consegui fazer gols. Eu tirei um pouco essa ideia e estou mais focado em jogar debaixo das traves e a sair jogando com os pés. Aqui o futebol é mais rápido e a bola passa muito mais nos pés dos goleiros. Essa reposição de bola é muito importante. Eu já fazia isso muito no Figueirense com o [técnico] Hemerson Maria, que gostava disso. Eu pude ter uma facilidade em Portugal, não senti dificuldades. Estou a cada dia treinando ao máximo para evoluir na carreira.

Quais seus planos?
Eu tenho mais um ano e meio de contrato em Portugal e almejo fazer um grande campeonato. Se ficar no Gil Vicente ou sair isso não tem como prever. Eu me cuido muito, treino bastante e ainda pretendo jogar até uns 45 anos se conseguir ficar em alto nível. Tenho essa força de vontade.