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Ele já foi cobiçado por Luxemburgo no Palmeiras, acabou no Corinthians e foi campeão com Ronaldo Fenômeno

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Algemas, tabefe, pegador de pastel no mamilo e saco plástico: André Santos conta como Ronaldo 'corrigiu' Dentinho (1:54)

Ex-lateral é o convidado de Edu Meneses no Além da Bola desta semana (1:54)

Reforço do Aquidauanense-MS para o Estadual deste ano, Octacílio Neto viveu em 2008 o melhor momento da carreira pelo Noroeste. O atacante era o artilheiro do Campeonato Paulista - com 10 gols em 11 jogos - e foi cobiçado por vários clubes grandes do Brasil.

"Todos começaram a me olhar com outros olhos. Depois que marquei um gol contra o São Paulo no Morumbi, a mídia toda veio para cima e o Rogério Ceni falou para mim que o São Paulo estava de olho", disse, ao ESPN.com.br.

"Na mesma semana, eu estourei o joelho sozinho durante o treino. Isso esfriou as negociações e tive que operar", contou.

Dois dias depois da cirurgia, ele foi convidado para fazer a recuperação no Palmeiras. "A previsão de ficar seis meses parado, mas voltei em apenas quatro meses. Eu fazia tratamento intensivo na Academia até aos domingos", recordou.

Aprovado pelo treinador Vanderlei Luxemburgo, era só uma questão de tempo para virar jogador do clube alviverde.

"Quando me recuperei chamaram o Vanderlei e avisaram que eu estava liberado clinicamente. Estava tudo certo e só faltava o acerto, mas meu empresário [Fernando Garcia] não entrou em acordo com o Palmeiras. Depois, fui negociado com o Corinthians", explicou

O atacante foi para o time alvinegro e venceu a Série B do Campeonato Brasileiro de 2008.

Parceria com Ronaldo

No ano seguinte, Octacílio Neto virou colega de Ronaldo Fenômeno no Corinthians, pelo qual venceu a Copa do Brasil e o Paulista. Reserva no ataque, ele viu o primeiro gol do craque no jogo contra o Palmeiras em Presidente Prudente.

"Ele estava como quem não quer nada, dando uma de morto. Daí, ele escapou e fez o gol! O estádio foi abaixo. Tá louco! Ele deu um migué na zaga e a bola sobrou para ele", explicou

O atacante conta que o Fenômeno gostava de aprontar. Às vésperas da final do Estadual, o craque trancou Dentinho no chuveiro dentro do banheiro com uma algema. "Ele deixou o garoto mais de uma hora preso e me disse: 'Dentinho vai correr mais do que o normal (risos)'", contou.

Mas quem brilhou contra o Santos foi Ronaldo, que fez duas pinturas na Vila Belmiro.

"No primeiro gol, ele dominou o lançamento do Chicão com uma perna e chutou com a outra. No segundo gol, eu estava no banco de reservas na linha de fundo do Santos. O Ronaldo tinha falado antes que o Fábio Costa jogava adiantado e ia dar uma cavadinha por cima. Quando ele deu o corte e fez gol a gente não acreditava. É o camisa 9 mais completo que já vi", garantiu.

Na semifinal da Copa do Brasil, Octacílio teve a conversa mais marcante com o colega.

"Ele disse: 'Vejo o seu esforço no dia a dia e hoje quero muito te deixar na cara do goleiro para fazer o gol da classificação'. Infelizmente não conseguimos fazer a jogada, mas só por ter falado isso foi especial. Ele é um cara de verdade! Eu aprendi demais com o Ronaldo", reconheceu.

"Nos treinos, ele apostava com os goleiros: quem pegasse um pênalti dele ganhava R$ 50. O cara era tão craque que só batia de esquerda e não errava."

A simpatia e a fome de Ronaldo chamaram atenção do colega.

"O Wellington Saci trouxe um pote de cinco litros de um doce de cupuaçu muito gostoso. Todo mundo pegou um pouco, mas sobrou bastante. O Ronaldo pegou o pote e disse: 'Quem comeu, comeu. Esse aqui é meu e ninguém come mais'. E levou embora (risos). "

"Nos hotéis, ele costumava pegar uma chave-mestra e entrava em todos os quartos. Ele jogava coisas na cama dos caras e cobria com lençol. Quando o cara chegava, queria saber quem tinha aprontado. Ele fingia que não tinha nada com a história. "

"Ele chegava e falava com tudo mundo. Nunca chegou chato ou mal humorado, estava sempre brincando. Uma vez minha família foi me visitar nos treinos e ele foi super carinhoso com todo mundo."

Tempo passa rápido

Criado no interior do Ceará, Octacílio Neto trabalhava na roça junto com a família e jogava no futebol amador pois nunca tinha conseguido ir para um clube. Com poucas oportunidades de emprego na região, ele mudou para Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, onde seus familiares moravam.

O jovem já tinha acertado um emprego em uma pizzaria da região quando começou a jogar na várzea. Descoberto aos 18 anos em uma partida no Campo Limpo, ele foi levado para a Lusa e depois para o Ituano, no qual permaneceu por um ano.

Após sair da equipe rubro-negra, ele passou por Osasco antes de ser comprado pelo Noroeste, em 2004. Ele foi emprestado para Lusa, Barretos e Figueirense antes de se destacar no time de Bauru em três edições do Paulistão (2006, 07 e 08).

Ele foi para o Corinthians em 2008, no qual permaneceu até o meio do ano seguinte. "No meio de 2009 o Fernando Garcia brigou com a diretoria e fui emprestado ao Grêmio Barueri", contou.

O atacante defendeu depois Ponte Preta e Goiás, no qual foi vice-campeão da Sul-Americana. "Foi roubado, eu fiz um gol legítimo na final contra o Independiente que foi anulado", lamentou.

Tite ainda Octacílio Neto ainda passou por Bragantino, Botafogo-SP, Ituano e outras 14 equipes antes de acertar com o Aquidauanense-MS.

"Em todos os clubes que eu cheguei consegui bons resultados. Ano passado fui muito bem no Estadual pelo 7 de Setembro-MS, fiz 9 gols. Eu ainda me sinto muito bem e preciso planejar o que irei fazer depois que parar. O tempo passa muito rápido. Ontem, eu estava arrebentando no Noroeste e hoje estou quase encerrando a carreira", analisou.

"O Ronaldo, que ganhou tudo na careira, era de uma humildade tremenda. Hoje em dia eu já ouvi cada 'fuleragem' da molecada falando assim: 'Jogou aonde?' Às vezes um cara desses não chega em lugar nenhum. Não esquento a cabeça", comparou.