Eleito melhor jogador do mundo pela Fifa em 1995 e presidente da Libéria há dois anos, George Weah vem sofrendo fortes protestos nos últimos dias e seu mandato enfrenta instabilidade. O dia mais tenso foi visto na última segunda-feira, quando manifestantes foram as ruas e pediram medidas urgentes ou a saída do líder.
De acordo com a rede Al Jazeera, cerca de 3.000 pessoas se reuniram do lado de foram do edifício do Capitólio de Monróvia. Eles exibiram faixas apontando falhas do governo de Weah e promessas não cumpridas. O grupo questiona a saúde financeira da Libéria, cada vez mais caótica.
A polícia liberiana disparou gás lacrimogêneo e um canhão de água para conter e afastar os manifestantes.
Muitas pessoas passaram mal com os efeitos efeitos do gás lacrimogêneo. Outras acabaram caindo e sendo pisoteadas pela multidão que tentava fugir. Elas foram encaminhadas para um centro médico próximo do centro para atendimento. Não há informações sobre o estado de saúde das pessoas hospitalizadas.
George Weah foi eleito no final de 2017 e assumiu a presidência no início de 2018. A Libéria já enfrentava problemas econômicos e também casos de corrupção, inclusive no governo. Uma das bandeiras do ex-jogador, que ocupou uma cadeira no senado entre 2015 e 2018, era combater esses problemas.
Durante o ato, os manifestantes pediram que o presidente demita toda a sua equipe de gestão econômica. Um dos líderes da ação foi Henry Costa, chefe de um grupo chamado Conselho dos Patriotas. "Eles tiveram um desempenho sombrio e criaram a piora da situação econômica em que estamos", disse.
Esta é a segunda manifestação em massa contra o presidente em pouco tempo de governo.
"Apresentamos uma petição contendo demandas ao presidente para tratar da questão da corrupção, má governança, violação da constituição. E o presidente se recusou a agir e atender nossas demandas", disse Costa.
As críticas têm aumentado porque a economia da Libéria sofreu uma piora durante o mandato de Weah. As empresas estão com dificuldade de pagar salários, as taxas de desemprego aumentaram e o preço dos produtos básicos mais do que duplicaram.
Bolu Pewe, um comerciante de legumes em Monróvia, disse: "Ninguém está comprando. Não há dinheiro. Olhe para meus filhos sentados aqui ao sol. Eles deveriam estar indo para a escola. Mas não há dinheiro para pagar suas taxas".
Estrela no futebol
O país de George Weah jamais se classificou para uma Copa do Mundo. O mais próximo que chegou foi durante a eliminatória para o torneio de 2002, quando a diferença de um ponto para Nigéria impediu os liberianos de jogaram a tão sonhada competição.
Nada que tenha prejudicado a biografia de Weah. O atacante construiu uma carreira sólida e jogou na Europa durante 13 anos. Seus melhores momentos foram no Monaco, no início dos anos 90, e no Milan, equipe que defendeu entre 1995 e 2000. Ainda defendeu Chelsea, Manchester City e Olympique de Marselha.
Em 1995, foi eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa. Weah também foi incluído na lista de cem melhores jogadores do século pela Fifa, em 2004. Foi o futebol que deu a ele popularidade para iniciar uma carreira pública na política.
Ele criou uma Fundação para ajudar vítimas das guerras civis no país e também os desfavorecidos. Chegou a tentar a presidência em 2005, mas foi derrotado. Como senador, teve mais de 70% dos votos em 2014. Ganhou mais visibilidade e concorreu de novo à presidência.
Hoje está com 53 anos e foi eleito com 61,5% dos votos.
