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Cristiano Ronaldo: Kleberson relembra-se de quando sua chegada ao Manchester United ofuscou o português

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Há 16 anos, Cristiano Ronaldo e Kléberson eram apresentados juntos no Manchester United; relembre (0:46)

O meio-campista brasileiro não vingou no clube inglês, mas o atacante português se tornou um dos maiores da história. (0:46)

De um lado, um campeão mundial com a seleção, trazido do Brasil e escolhido a dedo por Sir Alex Ferguson. Do outro, um promissor garoto português de 18 anos.

Foi mais ou menos essa a dupla que o Manchester United apresentou em 12 de agosto de 2003 - embora o garoto em questão tenha chegado ao clube recomendado pelo auxiliar de Ferguson, Carlos Queiroz, e custado 12 milhões de Libras (R$ 66 mihões, pela conversão atual).

"Quando cheguei ao Manchester para assinar contrato, estava lá um empresário com um atleta falando português. 'Quem é esse menino?’.

Foi essa a pergunta que Kleberson, ex-Athletico-PR e Flamengo, pentacampeão com o Brasil em 2002, fez aos seus agentes naquele dia - conforme ele contou em entrevista ao ESPN.com.br.

"Ele era bem novo. Daí, me falaram que era o Cristiano, do Sporting, que tinha acabado com um amistoso de pré temporada e sido contratado", contou o ex-jogador.

Sim, Cristiano Ronaldo.

A história já se tornou lenda, mas é verdade, atesta o brasileiro. Embora tenha custado metade do valor pago pelo United pelo português (6 milhões de Libras; R$ 33 milhões), era Kleberson o jogador mais conhecido do público e da imprensa naquela data.

"É até engraçado. Foi a última e talvez única vez em que o Ronaldo ficou em segundo plano em uma apresentação", diz.

"Eu era o jogador em que todos tinham interesse. O Ronaldo era um promessa. Eu cheguei com status de campeão do mundo e de ter feito um belo jogo contra a Inglaterra (nas quartas de final da Copa do Mundo de 2002: vitória brasileira, por 2 a 1)."

Kleberson conta, no entanto, que rapidamente percebeu que Ronaldo seria brilhante na Terra da Rainha Elizabeth.

"No primeiro treino em campo, era claro que ele ia estourar. Ele tinha 18 anos e tinha qualidade técnica e criatividade. Ainda mais no futebol inglês, que não tinha tantos jogadores como ele. Dava para ver fácil que poderia dar certo no United", afirma.

'Vocês falam brasileiro'

Ter encontrado um outro falante de seu idioma pátrio deu a Kleberson um bom alento naquela chegada - apesar de Cristiano criticar a maneira como o brasileiro falava.

"Às vezes ele brincava que a gente não falava português, mas 'brasileiro'. E que o verdadeiro português era o deles", relembra-se.

"Não tínhamos uma diferença de idade tão grande e o primeiro contato foi sensacional, porque conversarmos mais por causa do idioma e fazíamos aulas de inglês juntos", conta.

Dali para uma amizade, foi um pulo.

"Tínhamos muito contato porque a minha família se tornou amiga da dele. Fazíamos jantares e churrascos juntos. Um ajudava ao outro no começo", revela.

Kleberson conta que Cristiano sempre falava do Brasil, de Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho, que eram os atletas em que todo se espelhavam.

"Ele sempre amou o Brasil, nossa cultura e jeito alegre de ser", afirma. "Ronaldo era um cara gente boa demais e educado, com a cabeça muito boa".

A conhecida vaidade do jogador também já era notória naquela época.

"Ronaldo tinha um espelho no armário do vestiário e sempre estava se vendo", conta, entre risos.

'Figo era melhor'

Kleberson conta que o vestiário daquele elenco tinha todo tipo de personalidade.

"Cada um vinha de um lugar. Tinha a galera mais da bagunça, como Ronaldo, Ferdinand e o Fortune. Neville, Scholes, Giggs e o Keane, por exemplo, eram mais sérios", conta.

Mesmo quando estrela, no futuro, Ronaldo nunca foi conhecido como um jogador afeito a ataque de estrelismos. Naquela época de início de United, então, ele era ainda mais humilde no trato com os companheiros, e alvo constante de gozações.

"Quando estávamos por lá, havia alguns jogadores que falavam espanhol, como o Quinton Fortune (sul-africano), além do Diego Forlán, uruguaio. Os dois foram importantíssimos para nossas adaptações no United, pois sabiam como funcionavam as regras", conta.

"Tínhamos uma brincadeira com Fortune e o Forlan que o Ronaldo não gostava muito", diz Kleberson. "A gente dizia para ele que o Figo era melhor do que ele", conta o brasileiro, aos risos.

"Ele não gostava muito. Quando o Figo fazia um gol ou uma jogada, a gente botava pilha", conta.

Kleberson deixou o United em 2005. Pelo clube, disputou 20 jogos, anotou dois gols, venceu sete, perdeu cinco e empatou oito.

Clássicos municipais

No período em que Kleberson foi companheiro de Cristiano Ronaldo na Inglaterra, o Manchester City, que fará o clássico da cidade contra os Red Devils, no sábado (7), ainda não era a potência da atualidade.

"O Arsenal era um time muito forte, e o grande rival, como ainda é hoje, era o Liverpool", diz ele.

"Mas sim, havia uma atmosfera na cidade nos jogos contra o City, também. Não tão grande quanto atualmente, mas existia", conta.

No período em que esteve no Manchester United, Cristiano Ronaldo enfrentou os Citizens em onze oportunidades - todas, exceto uma (FA Cup), pela Premier League.

Foram seis vitórias, quatro derrotas e um empate. Nestes dez jogos, Ronaldo anotou quatro vezes e deu duas assistências.