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'Palmeiras tinha estrutura melhor'; brasileiro ex-Manchester City relembra primeiro ano do time inglês como 'grande'

Discute-se, e não apenas na Inglaterra, se Manchester City x Liverpool, que se enfrentam neste domingo, fazem o maior jogo de futebol da atualidade (A ESPN Brasil e o WatchESPN transmitem a partida ao vivo, às 13h).

Tradição e história, o Manchester City sempre teve. Mas o poderio técnico e financeiro para encarar os demais membros do Big Six (Manchester United, Chelsea, Tottenham e Arsenal, além do Liverpool), é fato recente na vida da agremiação. Mais precisamente, onze anos.

A Premier League já tinha 16 anos de vida quando o xeque Mansour bin Zayed comprou o clube de Manchester, em 4 de agosto de 2008. Foi a partir desta data que o time começou a se posicionar no rol dos melhores do país e da Europa.

O zagueiro brasileiro Gláuber, ex-Palmeiras e Nuremberg, passou uma temporada no clube e chegou por lá praticamente junto com a família real dos Emirados Árabes.

"Quando eu cheguei ao City, o Palmeiras tinha uma estrutura melhor, por exemplo", afirmou ele, em entrevista ao ESPN.com.br.

(NOTA: Gláuber se refere ao Palmeiras da época em que lá jogou, entre 2003 e 2005. Em 2014, o clube paulista iniciou uma reforma que colocou suas instalações entre as mais modernas)

"Mas as mudanças aconteceram muito rápido. De repente, começaram várias reformas e mudou muito o perfil dos jogadores do elenco", relembra-se.

"Quando havia datas-Fifa, por exemplo, só ficavam treinando no clube eu e mais uns dois", conta. Chegaram ao clube jogadores Robinho, Kompany, Zabaleta, Jô e De Jong, entre outros.

Segundo o jogador, que também atuou na Alemanha e na Romênia, o choque visual era grande.

Mesmo assim, Gláuber teve tempo de presenciar algumas cenas pitorescas, como cavalos e gado pastando pelas dependências do centro de treinamentos dos Citizens. Tal cena também é descrita em Killing the Game, livro de 2019 que descreve a reconstrução da equipe.

"Tinha um certo aspecto de interior mesmo", conta o jogador.

Outra cena descrita por Gláuber aconteceu no inverno daquela temporada. Ainda sem as instalações adequadas, o clube alugava uma "bolha" para envelopar os gramados e proteger os jogadores das baixas temperaturas e da neve.

"Era como um circo, uma estrutura na qual você entrava, e que ficava climatizada, sobre o campo de treino. Era engraçado", conta o ex-jogador.

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"Depois, eles instalaram aquelas placas sob a grama, para ajudar a derreter a neve mais rápido", afirma. "De um modo geral, o clube não estava estruturado para o frio".

No inverno, temperaturas abaixo de 5ºC são bastante comuns em Manchester.

"Quando fui embora (no fim da temporada 2009-2010), ainda tinha muita obra em andamento".

VISITAS MAJESTOSAS E MUDANÇA DA TORCIDA

Durante o tempo todo em que esteve no City, o zagueiro brasileiro Gláuber conviveu com reformas constantes, ininterruptas e, acima de tudo, rápidas.

Nesse ínterim, em alguns momentos, se deparou com o xeque Bin Al Zayed e familiares, como irmãos e filhos.

"Ele às vezes chamava um ou outro líder do elenco ou estrela para dar algum recado. O Robinho, por exemplo, sempre era chamado para conversar com ele quando estava por lá", revela.

"Ele chegou a almoçar com a gente no refeitório, mas nunca se dirigiu ao grupo todo", diz.

O que também mudou rapidamente foi o perfil e o comportamento dos torcedores. No ano em que Gláuber chegou ao City, o time vinha de um nono lugar na Premier League. Fechou a temporada com 55 pontos, 32 atrás do campeão Manchester United.

Na temporada na qual o brasileiro atuou, o time, sob o comando de Mark Hughes, foi décimo, com 50 pontos. O novamente campeão United somou 90.

"No ano em que joguei lá, a gente conquistou a vaga para a Copa da Uefa (Liga Europa) e a torcida comemorou como um título. Agora, eles exigem ganhar o Inglês e a Champions League, mudou muito", afirma.

Ídolo cult do time - era muito benquisto mesmo tendo jogado apenas uma temporada por lá - Gláuber nunca mais esteve na cidade.

"Mas estou planejando voltar".